Pausa pro café...
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@tacosetangos
Pausa pro café...
“e...AÇÃÃO!”
Cinema x Cabeça
Minha esposa adora ver filmes. Se pudesse, assistiria pelos menos uns três por dia. Seu sonho era ser cineasta. Como fotógrafa, ela tem um olhar todo especial quando se trata de capturar imagens. E depois da edição, a mágica acontece e a foto fica esplêndida. Ela já tem tudo pronto em sua mente, tal como os diretores de cinema. Assim trabalha o fantástico pensar do artista.
Consequentemente, tenho visto filmes com muito mais frequência desde que começamos a namorar. Anoto num caderno, por hábito, os nomes de todos os títulos e contando, estou beirando uns 40 filmes só esse ano. Adoro a novidade e o aprendizado, acho o máximo colecionar tantas histórias e se envolver nelas. Mas não nego, o ritmo de Chrisce é tão frenético que não consigo chegar perto.
Não importa se o filme é bom ou ruim. O que mais gosto é viver aquele ritual antes do filme. Pipoca, luz baixa, cama feita, pijama, controle pronto pra dar o play. Depois ruminar até tarde as imagens e a moral do diretor, “fritando” pelos dias subsequentes Como um remédio de ouvido que você pinga de uma vez só e sente ele penetrando aos poucos.
Lá em casa, eu ainda estou absorvendo os fatos de uma história e, num piscar, já está rodando outra na tela do PC. No dia seguinte, mais dois. As temáticas costumam ser parecidas para manter a linha de raciocínio, mas isso não ajuda. Ao contrário, essa avalanche de informação me causa uma tremenda confusão mental e muita ansiedade.
A mente fica povoada de personagens que aleatoriamente se cruzam, sem respeitar os elencos, contrariando as leis dramatúrgicas e do espaço-tempo. Quando o protagonista de um filme futurístico e um do Velho-Oeste se encontram, mas o diálogo é de um noir francês, no cenário de um Titanic, sob a trilha sonora de Um Beijo Roubado, você percebe a salada que virou seu cérebro ao final da maratona. É uma overdose cinematográfica.
Aprecio viver o sonho e a expectativa, antes de vivê-la de fato. Parece que tem outro sabor quando acontece. Tudo o que você tem é a sinopse e a foto da capa. É o que me basta. Nem vejo o trailer, não quero spoiler. Fico imaginando como serão as imagens, projetando cores, quase sentindo os perfumes. Uma tecnologia 4D na tenra analogia. Esse frenesi do “pré” e do “pós” é fundamental. A gente entende o que assistiu. Valoriza o que vê e isso satisfaz. Tão necessário como a digestão.
Assimilar as coisas é um aprendizado e requer tempo. Calma, repetição e silêncio. Isso é fundamental para pensar. Ninguém medita na balada ouvindo o bate-estaca. Se assim fosse, os baladeiros de academia seriam os novos gênios e o mundo talvez estivesse a salvo da ignorância.
Os cinéfilos garantem e minha mulher assina embaixo: quantidade não interfere na qualidade. Eu admiro a façanha, mas reconheço que não acompanho. Nem quero. Quem sabe um dia, veremos. Por enquanto, uma coisa de cada vez.
Vai encarar, meu chapa?!
Minha mãe
Minha mãe não permitiu aos filhos conhecer o que era privacidade. Na teoria sim, exemplarmente. Mas no dia-a-dia, ela desrespeitava todos os limites. No afã de cuidar e proteger, perdia a mão. Ora sufocava de cuidados, ora explodia em gritos de repreensão. Usurpava nossa voz e várias vezes me vi dublando respostas que eram dela e não minhas. Tirava nosso poder de ação sobre os fatos, incutindo em nosso espírito uma sensação de dependência e impotência. Autoritária e intimidadora, anulou diversas vezes a possibilidade de termos nossas próprias impressões sobre assuntos e pessoas. Nos impedia de sair na rua a maior parte das vezes e quando saíamos, fuçava nossos armários como se fossemos suspeitos de algum crime. Diálogo também nunca foi seu forte e não possuía a menor didática para lidar com crianças ou adolescentes. Suas conversas eram sempre assuntos cabeçudos num círculo seleto de adultos. Conosco, o máximo que conseguia eram frases curtas de comandos, em tom de ordem e que invariavelmente começavam com a palavra ‘não”: não mexa naquilo, não faça isso, não pegue tal coisa. Mandava e desmandava em cada cômodo, em cada móvel, em cada metro quadrado do apartamento, como um general no quartel. Não permitia manifestações de individualidade porque não tinha a menor paciência para o diferente. Hábitos e assuntos que destoassem do dela, eram rapidamente reprimidos. Se houvesse qualquer vestígio de ocupação nossa na mesa de jantar da sala, ela mandava sair. Um brinquedo ou caderno em uso fora do seu lugar, virava motivo para uma série de grosserias verbais. Perdi a conta de quantas vezes fui chamada de vaca. Ainda mais se, ainda por cima, ela estivesse irritada com o mau funcionamento da máquina de lavar, com o tempo chuvoso que não secava a roupa e de TPM. E se nesse exato momento, você quebrasse ou derrubasse qualquer coisa no chão, ela explodia como um vulcão em erupção. Numa fúria cumulativa quase irracional que podia durar horas, minha mãe descontava toda a sua insatisfação sobre nós, perdendo a noção do volume da voz e o controle sobre suas ações. Parecia um animal selvagem estressado no cativeiro. E a única certeza que tínhamos era: porrada no lombo.
Elucidando-a, Dona Marcia é uma personagem de temperamento forte, viva, geniosa, inteligente, cheia de opinião e disposição para palestrar. Viveu a maternidade muito prematuramente e teve de fazer escolhas que boicotaram seus sonhos individuais (será que isso explica tanta raiva no coração?). Desde a minha adolescência, minha mãe com sua expressão sisuda e pouco convidativa (igual a do meu avô), desencorajava qualquer contato de conhecidos na rua. As pessoas me diziam: “vi sua mãe andando esses dias por aqui, só não a chamei porque ela parecia estar muito brava”. E nem estava. É que mamãe é dessas, espanta até gripe com a cara de má que Deus lhe deu.
Ela vivia todas as suas emoções através de nós. No entanto, tais atitudes ao longo da juventude ensinaram-nos a ser adultos emocionalmente frágeis e bastante inseguros por dentro. Ensinou que só a palavra não basta e que devemos desconfiar de tudo, por premissa. E apesar do discurso politizado, no final das contas, seu exemplo não tinha nada de genial e tampouco politizado. Pelo contrário, foi uma ditadora com sua família.
Se há um lado bom nisso tudo é que me inspirou a libertação. Quando assumi que era gay, a convivência entre quatro paredes se tornou insuportável e me forçou a buscar novos lares. Fui acolhida pela minha avó e pude desenvolver a doçura. Passei a perseguir minha independência com tenacidade. Tornei-me mais leve, feliz, sem claustrofobia. E até hoje luto contra os reflexos dessa criação conturbada e contraditória. Adquiro consciência em meu modo de lidar com o mundo, num lento e profundo processo de auto-conhecimento. E reconhecer essas lacunas é o primeiro passo para a mudança. Como dizia Sartre, não importa o que a vida fez de você. Importa o que você fez do que a vida fez de você.
Mesmo com tantos deslizes, sem você eu não existiria. Então, obrigada mãe.
“Um beijo de mulher na grana...Já deu o seu?”
About my passion...
Sinto a falta de paixão urgente
Do emergente grito
Nascido daquele que sai pela tangente
Num mundo entre mortos e feridos
Sobrevivido de tanta gente
Não quero ser o único a ser valente
Não quero ser o próximo pau mole indiferente
Prefiro ser ateu e certamente
Mais inteligente
Que a sua crença estranha e imprudente
Sua falsa modestia e arte
Displicente...
Sra Violência, muito prazer”…
Novos rumos - por Tacy
“Devemos buscar a tolerância
O auto-conhecimento
A troca humana não poderá ser tão precária
Quanto um capital totalitário
Vamos pensar em coisas maiores
Maiores que nós
Que transcendam a essência
Pensemos nos mistérios da vida
Todo o ecossistema
E na magia da morte...
Se eu não sei lidar com você
Não precisamos brigar
Quem vê as coisas do sopé da montanha
Desconhece o panorama de quem enxerga do topo
A melhor guerra é aquela que já nasce morta
Desperte para o amor
Durma para a guerra”
E vamos à luta...
Confira esta versão das artistas Tacy de Campos e Amanda Lyra
https://www.youtube.com/watch?v=JN1LDDQLXOM&feature=share
Amor e tempo
Amor não se apaga
Transforma
(Alguém escreveu assim)
Eu li e acredito
Pois amor é genuíno...
Ele tira férias, desencanta
Dorme sono de Bela
Perde as rédeas e a razão
Mas não morre, não pede as contas...
Fica de stand by, segura as pontas
Envelhece e amadurece
Mutante e inconstante
Imprevisível, indivisível
Multiplicador...
Ele está aqui, ele está aí
E alheio à nossa sábia ignorância
Sabe a hora exata de reestrear...
(sob o pseudônimo de Mário Rubens)
“intermitências da morte...”
Distraídos Venceremos (Vespas Mandarinas)
“Sinto muito se é mais triste a verdade
Cedo ou tarde se chega a essa conclusão
O herói é o último na fila dos covardes
Aquele a quem não restou outra opção
Cuidado ao matar seus demônios
O equilíbrio vive entre a virtude e o vício
E a gente nunca sabe qual é o defeito
Que sustenta esse nosso edifício
E a gente chora em segredo
Mais por prazer que pela dor
Grita porque as vezes
O silêncio é mais ensurdecedor
Nas rugas que trago do berço
Não há passado e tampouco um futuro
Assim como em todo o universo
Até mesmo o sol tem o seu lado escuro
Aqui onde nascemos, pensamos, sofremos
Criamos, sabemos, sonhamos, fazemos
Cagamos, amamos, vivemos, fudemos
Provamos que mais é menos
Distraídos venceremos...”
“...eu quero sempre maaaais...” (Ira!)
A globalização é a morte do artista
Augusto Boal
#quenosguiará.. #superegoinfla