─ The killing of the sacred deers
[TRIGGER WARNING]
─ Samcheok; Apartamento dos gêmeos Moon, madrugada do dia 02 de Outubro.
Chegando no apartamento o odor foi o que lhe chamou a atenção. Não fazia muito tempo que estavam mortos, por que então a casa cheirava a carne putrefata e ferro? Era um palpite que ruminava em sua mente. Seriam dois atacantes ou apenas um? Seguiria o sangue, o primeiro corpo lhe daria respostas. O primeiro a achar foi Sungho. Sungho estava em seu quarto, algumas garrafas pareciam estar próximos ao corpo, que novamente pareceu estar dissecado, o torso aberto em duas incisões, as costelas arrancadas e jogadas ao lado, e o coração a mostra, completamente isento de marcas, a não ser pelos pregos que o espetavam de todas as formas. O sorriso no rosto do rapaz foi desenhado com uma navalha, ou algo bem mais afiado, e o fígado, em seu colo, estava numa coloração que dava indícios de alguém que aproveitava do álcool.
Michiko engoliu a bile, a raiva era maior. Ninguém merecia ser destratado, desumanizado daquela forma. Encheu o pulmão, seguindo as marcas de sangue pelo corredor, até encontrar no fim do caminho uma porta fechada. Sungwoo era uma história completamente diferente. Abrindo a porta, entendeu por que o cheiro de necrose assolava o lugar. Aquilo deveria ser obra de mais de uma pessoa, não seria possível.
O rapaz que tinha algumas tatuagens, tinha alguns de seus jogos favoritos em um armário de vidro, lacrado, estava sentado no chão, as costas apoiadas contra a cama, e os orbes abertos. Quem o olhasse no escuro, poderia jurar que ele estava apenas divagando de olhos entreabertos. Porém com a luz acesa, seria possível ver, os pulsos quase decepados, o sangue jorrou pelo carpete cinzento, o molhando, as janelas fechadas contribuíram para que coagulasse mais rápido. Seu peito estava aberto, entretanto parecia que nenhum órgão estava sumido. Ao menos sobre a roupa. As entranhas só iriam se expor caso alguém movesse a camiseta de Legend of Zelda, o baço foi removido, o coração empalado com espinhos, porém algo era diferente de Sungho. O rapaz chorava sangue… Por trás de sua cabeça era possível ver que pinos haviam sido inseridos na base de seu crânio. O sangue se alojou nos orifícios oculares, e davam aquela imagem. Era um anjo pintando em desespero. Assim como o irmão.
Aquilo era obra de um monstro. Uma horda de monstros estava solta em Samcheok, e agora seu capitão deveria ouvir o que a japonesa tinha a dizer, caso contrário, mais corpos iriam se empilhar na pacata cidade.











