and I will try to fix you // june + aika
Personagens: Aika, June Classificação: Livre. Observações: Log privada.
— 'WHAT?! COMO ASSIM A AIKA FOI SUSPENSA? FUC- — “FUCK!” June completou o palavrão mentalmente ao perceber a cara de repreensão feita pelo mensageiro a sua frente, tantas coisas estavam acontecendo nesse tempo que ela sentia como se nunca fosse ter nenhum descanso. A promoção do comeback finalmente tinha acabado e apesar de serem do mesmo grupo, a morena estava tão ocupada que acabou não conseguindo tempo para saber como as outras garotas estavam, e acabou presumindo que tudo estava certo com todas, apenas atarefadas também. Ela não poderia estar mais enganada e agora o manager soltou essa bomba sobre seus ombros.
O vento batia nos cabelos da pequena garota enquanto ela se encaminhava com passos rápidos até o dormitório da amiga de grupo mais velha. Com uma das mãos ela se ocupava desajeitadamente em fazer movimentos circulares em seu ombro esquerdo, como um pequena massagem, em uma tentativa falha de relaxar. Era como se um peso enorme tivesse sido jogado sobre os seus ombros, eles estavam tensos. ''Imagina como a Aika unnie está se sentindo...'' Um forte suspiro saiu dos seus lábios ao ter esse pensamento. ''Já tem alguns dias... Aika foi suspensa por alguma briga com os garotos do EDEN. Não, eles são fizeram nada com ela fisicamente mas isso tudo aconteceu no dormitório masculino. A direção ficou sabendo e aqui estamos...'' A lembrança da triste voz de Suhyun veio como um flash em sua cabeça, a ligação feita por Jinri para a mais velha ao ficar sabendo da suspensão foi útil para que ela tentasse ficar mais por dentro do que tinha acontecido antes de chegar naquele momento. Agora ela estava ali, parada em frente a porta do dormitório de Aika com um grande saco de marshmallows em uma das mãos e um pequeno sorriso tímido em seus lábios. Toda aquela aura característica de garota animada estava longe de June naquele momento, tudo que ela queria era saber o que realmente aconteceu e como sua unnie estava. Após uma forte lufada de ar sair por seus pulmões, finalmente tomou coragem para erguer o punho livre e bater na porta, aguardando que fosse atendida.
Apesar de já se passarem dias, Aika permanecia profundamente triste e ofendida e abalada por tudo que tinha acontecido. Não só tinha brigado com seu ex-namorado de quem ela deu um jeito de voltar a gostar como também tinha dado um jeito de gostar do melhor amigo dele também. E pior do que tudo isso, pior até mesmo do que a briga e todas as outras discussões que se sucederam e que colocaram a japonesa como a única culpada – embora ela não tivesse nenhum compromisso com ninguém – e que sua melhor amiga lhe dando as costas e que ela adquirindo a indisposição eterna de mais alguém, era saber que ela quem tinha sobrado na merda daquele triângulo. Os dois garotos gostavam um do outro e, mesmo assim, ficaram com ela. E a culpa continuava sendo jogada em seu colo como um presente grego. Se sentia usada e como bode expiatório para a culpa de todos os outros envolvidos, fosse porque ela não tinha feito nada sozinha, fosse porque os outros não sabiam lidar e confessar seus sentimentos de uma vez.
Há dias Aika dormia chorosa e já não aguentava mais acordar exausta e não aguentava nem poder descontar tudo com uma atenção robótica nas aulas, porque ela sequer podia ver as aulas. Duas semanas sem ver as aulas, a primeira por doença, a segunda por essa maldita suspensão. E embora sentisse raiva de tudo, não tinha energias para fazer nada, de tantas desculpas pedidas e ignoradas. Suspirou audivelmente e olhou para a porta, pensando em ignorar quem quer que fosse o visitante e voltar a agarrar seu travesseiro e tentar dormir. Seu manager tinha feito questão de estender a suspensão para os ensaios também, para que ela pensasse sobre o que fizera e como isso poderia afetar as outras meninas.
Levantou-se e trocou a camisola pela camiseta que estava no pé da sua cama, ainda cheirando um pouquinho ao cigarro que ela tinha compartilhado com um amigo, vestindo os shorts que estavam jogados ali também. Sabia que estava despenteada e pálida, mas não queria se importar com isso, pelo menos não até o fim de sua suspensão. Abriu a porta pronta a dizer que sua companheira de quarto estava ausente quando viu sua maknae. Em instantes, ofereceu a passagem para o quarto. Queria sorrir, mas isso andava sendo bem difícil. — Desculpe por causar essa comoção toda. Vou ser uma líder melhor. — Nem deixou o assunto surgir, simplesmente soltou, suspirando depois. — Pode sentar na minha cama, June-chan.
Os poucos minutos que se sucederam a batida na porta pareceram passar de uma forma mais lenta do que realmente foram, apesar de toda aquela situação June era uma garota agitada que detestava esperar e toda aquela demora só servia para aumentar ainda mais a sua preocupação com a amiga. Preocupação essa que se fez vinte vezes mais forte quando Aika finalmente abriu a porta, os olhos da mais baixa pairaram lentamente pelo corpo da outra, a aparência elegante e bem cuidada que June estava acostumada a ver em seu dia a dia agora estava substituída por uma completamente diferente, era como se o interior da outra estivesse espelhado em seu exterior.
June apressou-se em botar um largo sorriso nos lábios após aqueles segundos que passou quase que em choque parada em frente a porta do dormitório e com passos rápidos adentrou o quarto. As palavras que vieram em seguida foram prontamente ignoradas, ela não estava ali para passar nenhum carão em Aika, muito menos pontar o dedo na cara da mais velha como se nunca tivesse cometido nenhum erro na vida. Elas se conheciam já ha algum tempo e passaram por várias situações juntas e June sabia que naquele momento Aika não precisava de mais uma pessoa a culpando. — Você provavelmente quer ficar sozinha mas olha, eu já te dei uns... Não sei quantos dias pra ficar nessa fossa, agora você precisa de companhia. — A garota falou enquanto se dirigia até a cama da mais velha, sem direcionar o olhar para a outra em nenhum momento da fala. — E quem melhor para tirar a fossa de alguém que... Que rufem os tambores.... Tun tun tun tun tun... — Virou-se para ficar de frente novamente para a morena e começou a balançar os braços freneticamente como se estivesse batendo em um tambor imaginário, fazendo com que os marshmallows que estavam em sua mão sacudissem dentro do saco. — ISSO MESMO, UM SACÃO DE MARSHMALLOWS! — Exclamou erguendo os braços e jogando o corpo para trás, caindo deitada em cima da cama. — E eu também, claro. — Um pequeno sorriso infantil se fez presente nos lábios da garota ao terminar a frase, dando de ombros. June sentou-se na cama, arrumando sua postura e fixando o olhar novamente em Aika, o brilhos no olhar da mais nova ainda estava ali, como sempre. Ela abriu os braços, convidando a mais velha a se aproximar e abraçá-la. Apesar de existir a possibilidade daquele gesto ser recusado, Jinri sentia que aquele era o único modo de mostrar que estava realmente ali para a outra, sem precisar de justificativas, sem precisar de palavras.
Apesar de já se passarem dias, parecia sempre surreal quando alguém decidia que não era o momento de jogar a culpa toda em Aika, que agora tinha se acostumado com a posição de “responsável por toda a merda”, quase se apropriado dela, apesar de não ter feito absolutamente nada sozinha. Tinha, de alguma forma, encontrado conforto naquilo, porque parecia que se somente ela fosse culpada, as coisas seriam mais simples de serem resolvidas. A parte da culpa já estava quase totalmente anestesiada e outras dores tinham dado seu jeito de serem sentidas pela japonesa. Depois de suas decisões sobre como lidar com tudo e todos, essa mesma agonia parecia fácil de lidar. Era assim que ela sabia que ia ficar bem: quando começava a pensar nas coisas com foco, traçando objetivos e bolando planos sobre elas. Queria, mais do que tudo, resolver o assunto e recuperar seus amigos. Sabia que tinha muitas chances de falhar, mas tinha tomado a decisão de tentar mesmo assim.
Entretanto, a solidão não permitia a Aika que ela mantivesse toda aquela postura que beirava o otimismo. Quando ela parecia ter perdido isso, June começou a falar e suas palavras e o jeito que ela as dizia pareciam uma corda que amarravam a japonesa e a impediam de voltar para seu cantinho escuro. Abriu um sorriso fraquinho com os tambores e o pacote do seu doce preferido e, tão logo foi convidada, aninhou-se no abraço da mais jovem. Mas só depois de abrir o pacote de marshmallows. — Eu tenho as melhores filhas. — Deu um beijinho no rosto da mestiça e se permitiu comer um dos doces fofinhos depois de apertá-lo algumas vezes. Gostava da sensação macia e do sabor suave.
— Obrigada por não me deixar sozinha. E não siga meu exemplo quando decidir começar a se relacionar com meninos. Ou meninas. — Disse a última parte com um tom de implicância, mordendo metade do marshmallow.









