[QG - Quarto do Ronan: Noite]
Já fazia algum parco tempo, mas eu comecei a estranhar a Eri quieta. Ela estava mais silenciosa que o normal, dormindo muito mais que o normal. Talvez fosse o cansaço? Eu não sei. Aliás... O que aconteceu com ela, durante aquela missão falha? Tentei buscar na minha mente algum retalho útil, porém, tudo o que consegui lembrar foi dos esqueletos me desarmando, e, em seguida, a derrota, acompanhada da sensação terrível de estar me afogando no meu próprio sangue.
Senti o ímpeto de colocar o pouco que havia comido durante o dia para fora. Respirei fundo, acalmando aquela inquietude. Eu não sei o que aconteceu com o meu dragão durante esse momento terrível, e isso me amedrontou profundamente. Aproximei-me dela, tocando-lhe o focinho.
Por algum motivo, Eri agiu de forma defensiva, encolhendo-se um pouco e rosnando, baixo. Chegou a recuar um pouco, mas eu insisti e levei minha mão até o focinho dela. Queria que ela me reconhecesse como algo que não lhe faria mal... Mas... Levei uma mordida na mão. Ela não queria ser tocada. - … Eri... - Murmurei, quase suplicando para que ela me deixasse ver o que havia de errado. Eri grunhiu, um grunhido diferente do normal. Aquele não era o normal dela, muito menos quando era mais arisca. Com certeza está doente.
… Eu preciso dar algo para que ela melhore, mas... Não tenho nada para dragões, e minha cura só funcionaria com o Oarf.
Cravei minhas unhas no chão, nunca me senti tão inútil e impotente. Talvez eu fosse. Sentei-me perto do meu dragão, voltando meu olhar para a escuridão que espreitava do lado de fora. Havia um cristal iluminando o interior do meu quarto, mas era uma luz fraca. Não conseguia atravessar com tanta intensidade o vidro da janela, muito menos penetrar tão fundo a escuridão da noite. No dia seguinte eu cuidaria de comprar o medicamento em Canaban.
Quando estava para me deitar, um lapso de angústia passou pelo elo que me mantinha “conectado” ao Uno. Foi rápido, como se ele tivesse posto o bracelete e retirado uma vez mais. Por que retirou o bracelete? E por que colocou? Por que estava tão angustiado? Talvez... Talvez ele estivesse ferido, ou alguma outra opção ainda pior...
Não posso só ignorar isso.
Respirei fundo e olhei para o meu dragão novamente. Ela estava encolhida no canto. Mesmo que lhe desse o remédio, seria bom deixá-la quieta, descansando.
Talvez tenha desse remédio na enfermaria...
E, com esse pensamento, saí do meu quarto a passos rápidos.












