[Matas próximas da Vila do Lago: Madrugada]
O voo com o Oarf foi tranquilo, frio e silencioso. O vento gélido da noite açoitava a nós dois sem muita piedade -- graças ao calor natural do Oarf, aquilo não era grande problema. Estávamos em silêncio tanto por conta da concentração do meu dragão, que buscava por traços de magia parecidos com os da minha pulseira, quanto pelo meu nervosismo, que me impelia a ficar concentrado em tudo.
Encontramos o rastro do Uno graças a magia que o bracelete dele emana. Porém, o lado negativo da história é que estávamos em território serdino. Ao menos é um lado mais remoto e próximo do QG, nas matas próximas de uma pequena vila perto do lago.
Por conta da mata fechada, eu tive que saltar em pleno voo assim que chegamos o mais perto possível da área. Mesmo Oarf reduzindo a altura o máximo que podia, eu precisei criar um escudo rúnico para que minha queda não fosse um desastre.
Já próximo do chão, eu desfiz esse escudo e pousei com certa leveza, correndo meu olhar pelos arredores. Também refiz o selo, mandando Oarf de volta para seu descanso. Agora... Era tudo por minha conta.
Estava escuro, frio. A mata era escura o suficiente para eu mal enxergar o que estava a minha frente. Criei uma esfera luminosa e segui meu caminho mata adentro. Mesmo a luz azulada que ela emitia não parecia ser o suficiente para impedir que eu prendesse meus pés em raízes, ou pisasse em buracos.
Após meia hora caminhando, pisei em algo macio. De imediato levei a luz para mais perto do solo e lá encontrei um cadáver. Estava desfigurado. Tenho algum costume com ver coisas assim, mas... Elas nunca vão deixar de ser desagradáveis. Seja lá quem o matou, não teve piedade alguma, o corpo estava em um estado além do desagradável. E não era só aquele corpo. Haviam mais dois: um sob esse que estava desfigurado e outro com as pernas cortadas.
- Que as deusas os tenham. - Murmurei, afastando-me dos corpos. Aquilo não parecia ser algo que o Uno faria, mas... Olhando pelos arredores, encontrei o bracelete dele, jogado ao chão. E a mochila, esfarrapada. Um nó se formou na minha garganta, o que raios estava acontecendo ali?