Os grupos da Copa
de Paulo Candido.
Na primeira fase da Copa, as 32 seleções estão divididas em 8 grupos. Os times de cada grupo jogam entre si e os dois melhores passam à fase seguinte. É quase uma pré-Copa de verdade, com uma quantidade de jogos maravilhosos e um outro tanto de jogos que dá vontade de chorar. Veremos Portugal enfrentar Espanha e a Inglaterra enfrentar a Bélgica, mas isso nos custará ver os 22 guerreiros de Marrocos e Irã tentando achar a bola e Panamá e Tunísia correndo a esmo pelo campo sem saber para que lado é o gol adversário.
Abaixo segue uma pequena análise de cada grupo.
O Grupo A tem Rússia, Egito, Uruguai e Arábia Saudita. Em princípio a Rússia, apesar de seu time medíocre, mas por jogar em casa, e o Uruguai, que conta com uma das melhores duplas de atacantes do mundo, Luiz Suárez e Edinson Cavani, devem ser as seleções classificadas. Mas o Egito tem Salah. Como eu disse acima, um só bailarino brilhante pode por vezes desmontar um time bem organizado e medíocre. Então um dos dois favoritos pode se ver eliminado em um golpe de azar. A Arábia Saudita vem a passeio, não teria vaga sequer na Série B do Brasileiro. Servirá apenas para decidir o saldo de gols (que é um critério de desempate se duas seleções terminam com o mesmo número de pontos): quem fizer mais gols na Arábia Saudita leva uma pequena vantagem para passar à fase seguinte.
O Grupo B traz Portugal, Espanha, Marrocos e Irã. A Espanha é uma das favoritas para chegar pelo menos às semifinais, e Portugal tem Cristiano Ronaldo. De novo, Marrocos e Irã vão estar em campo para cumprir tabela. Espanha e Portugal se enfrentam logo n primeira rodada do grupo, sexta às 15:00, um dos grandes jogos da primeira fase da Copa. Se uma das duas vencer, será a primeira colocada do grupo. Se houve empate, os dois times vão ter que se esforçar para marcar o maior número de gols possível nas suas duas partidas seguintes.
O Grupo C tem França, Dinamarca, Peru e Austrália. A França é uma das favoritas ao título, Peru e Dinamarca devem disputar a segunda vaga do grupo. A Austrália, que eu vi jogar semana passada, não faria feio em um Casados X Solteiros da firma, mas apresenta um futebol que dói nos olhos.
O Grupo D tem Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria. É um dos grupos mais difíceis. A Argentina tem uma geração inconsistente, mas tem Messi. A Croácia é um time forte entre os times médios da Europa, e a Nigéria tem apresentado bons resultados e tem um esquema tático bem organizado. A Islândia, por outro lado, é a queridinha de 9 entre 10 amantes do futebol, uma ilhota no círculo polar, com 300 e poucos mil habitantes, onde são raras as oportunidades de se jogar futebol ao ar livre. Mas subitamente ela produziu uma geração inteira de jogadores talentosos e disciplinados. Chegou mais longe que qualquer analista previu na última EuroCopa, se classificou em primeiro em seu grupo nas eliminatórias e segue sendo o segundo amor de muitos de nós. Assim, eu vou torcer que Argentina e Islândia se classifiquem neste grupo, mas nada está garantido para ninguém, nem para os Hermanos.
O Grupo E é o grupo do Brasil, e tem também a Suíça, a Costa Rica e a Sérvia. O Brasil, um favorito inconteste ao título mesmo, não deve ter dificuldades para sair em primeiro do grupo. A única seleção com alguma possiblidade de causar problemas para nós aqui é a Suíça, no primeiro jogo, e mesmo assim eles teriam que estar em um dia mágico. Em segundo a própria Suíça deve passar. A Costa Rica, que surpreendeu na última Copa, não renovou seu elenco e vem de apresentações pífias. A Sérvia tem um time consistente, mas nada que possa ameaçar Brasil ou Suíça.
O Grupo F traz Alemanha, México, Suécia e Coréia do Sul. A Alemanha, como o Brasil, é uma das candidatas ao título. Jogando bem ou jogando “alemão” (vencendo por um a zero, gol aos 40 do segundo tempo, enrolando o jogo no meio campo sem conseguir criar nada de útil), será a primeira do grupo. México e Suécia disputam, teoricamente, a segunda vaga. Mas ambas têm um histórico de apresentações desastrosas em Copas do Mundo, então a uma brecha para a Coréia escapar para a fase seguinte. Difícil, mas não impossível.
O Grupo G tem Inglaterra, Bélgica, Panamá e Tunísia. Em princípio Inglaterra e Bélgica têm uma missão simples. Alguns analistas até colocam a Bélgica em um patamar superior, mas a Inglaterra produziu uma das melhores gerações de sua história, talvez a melhor desde meados dos anos 1960. Aliás, alguns analistas até colocam essas duas seleções como candidatas ao título. Mas isso me soa mais a desejo que a análise. Panamá e Tunísia estão apenas passeando no verão russo, paisagens espetaculares e monumentos fantásticos. Jogam suas partidas e voltam para casa felizes.
Finalmente, o Grupo H é composto por Polônia, Senegal, Colômbia e Japão. É, sem dúvida, o grupo tecnicamente mais fraco de todos. Polônia e Colômbia são favoritas, mas o Senegal pode surpreender. Aliás, até o Japão pode ter uma chance. Mas nenhuma das duas melhores destas quatro seleções deve sobreviver à fase seguinte.
Daqui até o final da Copa, vou tentar fazer uma análise prévia dos jogos de cada dia, que na fase de grupos serão às vezes três, às vezes quatro, às vezes apenas dois. Amanhã, na abertura, haverá apenas um jogo, Rússia e Arábia Saudita.
Paulo Candido,
escrete Drops
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