@luciananepomuceno, o que é que só você viu?
Dois gols em 3 minutos: te amo. Defesa bem postada, posse de bola, o que tenho a ver.Depois do domingo, entre mortos e dormidos: nas quartas de final estarão a anfitriã Rússia e a comovente Croácia.
Rússia X Espanha
Espero que todo mundo que estava assistindo tivesse nas mãos ou café ou uma cervejinha. Pra se manter acordado. Que jogo chato. A Espanha naquele nhé-nhé-nhé de sempre. Toca pro lado, gira, toca pro lado. Gentileza nossa continuar chamando de futebol. Os russos, coitados, nenhuma intimidade com a bola, pouco talento, insistiram no paredão. Aos 12 minutos os espanhóis marcaram seu primeiro gol. Bom, marcaram foi jeito de dizer, o gol foi contra, de calcanhar, um gol todo esdrúxulo. Pensei eu: abriram a porteira. Quanta inocência. Os espanhóis com zero vontade de jogar, não atacavam, insistiam naquele inócuo domínio do meio de campo. Os russos perderam o medo e resolveram avançar, o zagueiro espanhol deu uma mãozinha, pênalti. Russos empataram aos 41 minutos do primeiro tempo e nos propiciaram os 5 melhores minutos do jogo com a Espanha tentando o gol de qualquer maneira. Intervalo, mais cerveja ou café, uns comentários legais na net, agora vai – pensei, não tem jeito da Espanha não entrar com vontade. Olha, tinha sim. Sabe quando teve a primeira tabela vertical buscando penetrar na área adversária? Aos 75 minutos de jogo. Né mole não, amigos. Os torcedores estávamos naquela indecisão: torcer pelos pênaltis pra ter um resquício de emoção? Mas e o medo de ter que ver mais 30 minutos de modorra e aí a Espanha fazer um golzinho mequetrefe no fim do segundo tempo da prorrogação? Não fizeram. Terminou o segundo tempo, passou o primeiro tempo da prorrogação, passou o segundo e a Espanha emperrando na sua falta de objetividade e na forte determinação russa de passar o cadeado na sua pequena área. Pênaltis. Vamos confessar: tem coisa mais gostosa que disputa de pênalti quando o do nosso time não tá na reta? Tem nada. Pois bora cobrar. Espanha, sim. Rússia, sim. Espanha, sim, Rússia, sim. Espanha, não – goleirão pegou o chute de Koke. Rússia, sim. Espanha, sim. Rússia, sim. Espanha, não. Akinfeev defendeu, com o pé, a cobrança de Aspas (juro que é o nome dele). Rússia nem precisou bater a última cobrança, festa nas ruas, Rússia nas quartas-de-final, depois de quase matar todo o resto do mundo de tédio. Espanha fora da Copa, fim de uma era do futebol tic-tac (espero). Fim do Iniesta na seleção espanhola: aí sim, uma tristeza. E se não tivemos um bom jogo pelo menos a Rússia tem um novo herói.
Croácia X Dinamarca
Antes do jogo começar já tínhamos uma má notícia: Dinamarca faz mudanças para entrar “mais fechadinha”. Mais, gente? Até agora Dinamarca tinha jogado burocraticamente, uma vitória insossa e dois empates, dois gols marcados, um sofrido, péssimo ritmo. Aí o jogo começou e em menos de um minuto a Dinamarca tinha feito um gol. E a seguir, a Croácia empatou. Nem cinco minutos e já tinha dois gols no placar. Opa, jogo promissor. Junte-se a isso minha esperança que a Croácia desfilasse em campo toda a categoria de seus jogadores com nome de inflamação, especialmente o Modric. Mas a técnica superior não decidiu o jogo, pelo contrário, a equipe croata estava bem atabalhoada em campo. A maior parte do jogo foi morno, aí chegando perto do final a galera foi dando o gás de novo. Os croatas correram muito, correram demais. Na metade da prorrogação estavam exaustos, completamente pregados. E foi depois da metade do segundo tempo da prorrogação que o destino pareceu sorrir pros croatas: pênalti. Eu disse em voz alta (embora pra ninguém, já que vejo o jogo sozinha): não bate, Modric. Ele estava visivelmente cansado. Aquela história engraçada do “não tem mais perna”. Era ele. Sem força nenhuma pra uma batida decisiva. Mas craque do time, responsável, pegou a bola e foi. Resultado: goleirão (nos dois sentidos) defendeu. Daí pro fim foi só correria em campo, tanto dos croatas que ainda conseguiam como dos dinamarqueses. O jogo técnico, sofisticado, envolvente não apareceu. A decisão foi pura emoção. Teve suor, teve entrega, teve coração na boca. Penalidades. Um festival de defesas imensas e cobranças fracas. Não lembro quem disse: pode errar, mas tem que errar com convicção.... não foi o caso da maioria dos batedores que erraram sem categoria mesmo. Mas Modric bateu de novo e, tal como o Zico de 86, embora tivesse errado o do tempo regulamentar, acertou o da fase final. O goleiro dinamarquês Schmeichel defendeu duas de cinco batidas. Um monstro. Mas o goleiro croata Subasic defendeu três. Milagroso. Festa maravilhosa dos croatas. Eu chorando de alegria #medeixem. O mais engraçado foi ver os jogadores croatas tentando correr pra comemorar a classificação, mas tão cansados que quase não conseguiam pegar embalo. Modric foi em direção ao goleiro que o pegou no colo. Tanta ternura que comove. Uma cena daquelas pra lembrar por anos e anos, retrospectivas e retrospectivas. Mas o mais importante é: cês repararam que o Modric é a cara do Robert Carlyle?
Luciana Nepomuceno,
escrete PISTOLA Drops
#dropsnacopa
#dropsdafal









