✖ ✖ ⊱ —— Já tinha bebido muito naquela noite. Não era um grande fã de álcool na maior parte do tempo — quatro latas bastaram para que as palavras se embolassem e insistissem em sair incorretamente de sua boca. Por isso, o adolescente já estava jogado na cama do amigo. Ouvia-o falando sobre alguma coisa que, provavelmente, era importante, mas a cabeça não dava a atenção necessária.
Quando o dono dos cabelos ébanos deu um passo pra frente, a raposa pediu para que desse mais um, e mais outro, executando apenas um gesto simples com o indicador. Assim fez até que o outro estivesse de pé, quase em sua frente, provavelmente confuso com tudo aquilo.
O judeu estaria naquela situação, também, se a situação fosse contrária.
Cambaleando, o ruivo ficou de pé, segurando-se na gola da camiseta do maior para não desabar. A força aplicada fora tanta que quase caiu para trás com este da mesma forma; conseguiu manter o equilíbrio na última hora, o que foi pura sorte.
❝Eh… não consigo entender você. Eu estou lento. Fale mais de perto.❞ e as mãos deslizaram para as suas costas, entrelaçando-se em seu pescoço. Quando não ouviu mais nenhuma palavra vinda do moreno, estranhou um pouco; imaginava o motivo dele estar quieto, mas não raciocinava o suficiente para tirar uma conclusão concreta sobre aquela reação.
Portanto, o mais novo tombou a cabeça para um dos ombros, e o semblante até pareceu infantil. Por um milésimo de segundo, mas pareceu.
❝Odeio quando faz isso. Quando fica quieto na hora errada. Idiota…❞ foi puxando o homem para mais e mais perto, sem nem perceber quando os lábios já haviam se juntado. Não fez questão de separá-los, também; não era incômodo — e nem de longe ruim. Ele era uma pessoa detestável no começo daquela relação, mas tinha virado alguém importante com o passar do tempo. Não entendia como, se eram tão diferentes, mas algo tinha mesmo acontecido.
❝…você precisa dar um jeito nisso.❞ continuou em um sussurro, interrompendo o ato por um curto momento apenas para pronunciar-se. Então, cometeu o erro de dar um passo pra trás, sem recordar-se de que só havia uma cama ali.
E quando caíram, considerou que aquele poderia ser o pior erro ou o maior acerto da sua vida inteira.
Para ser franco, Raven não sabia o que de fato fazia naquele lugar com aquele garoto. Mas naquele dia as águas entre os dois estavam o mais calmas do que o costume.
O mais velho, diferente do outro, estava bem mais sóbrio, porém só um pouco mais lento em raciocinar. Começou a falar sobre que ele devia ser mais responsável e conhecer seus limites, e que ele deveria ficar na cama e dormir, e deu um passo a frente, gesticulando para ajudar a intensificar o sermão, mesmo que o ruivo não parecesse estar compreendendo. Então, um gesto foi feito, um pedido, e acatou esse pedido, se aproximando, E estava confuso e curioso, mesmo.
Sua gola foi segurada e então sentiu seu corpo bambear por causa do peso dos dois, e por um momento achou que iriam cair com tudo no chão, mas conseguiram se equilibrar, e foi nessa parte que ele percebeu que estavam perto. E mesmo assim Kalfr ainda queria mais proximidade. Suas palavras saíram tão baixas que provavelmente não foram ouvidas:
❝Eu estava dizendo que...❞ Ele esqueceu o que ia dizer quando as palmas das mãos deslizaram pelas suas costas, e chegaram até seu pescoço. As coisas estavam ficando estranhas, e por isso ele calou-se, pois assim seria melhor controlar as coisas dentro dele.
Até que os lábios foram unidos. Aí sim ele ficou tão surpreso que ficou sem palavras. Não pôde deixar de pensar que, céus, já era o segundo beijo. E ele não faz nada para impedir que esse beijo continuasse. Entretanto, o máximo que fez foi mover os lábios contra os dele minimamente. Pronunciou-se apenas quando o beijo foi interrompido.
❝É, eu preciso.❞ Sussurrou, tão baixo quanto os sussurros do outro. Abriu a boca para falar algo, mas quando percebeu, seu corpo por pouco caiu todo por cima do judeu, mas isso foi evitado pois Raven conseguiu se apoiar nos braços para evitar a queda.
Era um tanto quanto constrangedor estar literalmente em cima dele. Estavam também muito perto, de novo. E por isso o beijou, com menos agressividade do que da primeira vez que isso ocorreu, porém ainda com sua intensidade. Parou repentinamente, e foi para o pescoço, dando mordidas leves e repetidas naquela área, como se quisesse provar um pouco da carne.
Em um momento, a realidade o deu um toque leve no ombro, e ele foi obrigado a parar. Saiu daquela posição e sentou-se ao lado do corpo alheio. Suspirou pesadamente, sentindo-se tonto de novo. ❝Durma, garoto. Você não está pensando direito. Do contrário não teria feito isso.❞