Éden
Queria rabiscar meu quarto no teu corpo pra ver se consigo transforma-lo em minha morada, no verão usar seu ombro como sacada, no inverno me acomodar nos pelinhos de sua nuca e usar os cabelos como as cobertas mais aprimoradas. Seria a mais gostosa aventura! na hora do lazer escorregar pelas curvas de sua cintura, usar a virilha como calçada e a barriguinha como rua. Passar o dia a trilhar cada pedaço de ti só pra de noite sussurrar cantigas de amor ao pé do ouvido, ser sua fauna, usufruir de sua flora, fazer um pomar no teu umbigo, transitar de lá pra cá por esse lugar que teria facilmente “éden” como apelido. Pois em cada porção de ti se encontra um paraíso, dá até pra criar um altar só com a beleza de seu sorriso. Do reflexo de seu olhar gostaria de fazer espelhos, pra tu conseguir ver no reflexo dos meus o quanto eles se tornam faceiros quando eu repouso o rosto em seus seios e os uso como travesseiros. Dos pés que usa pra se sustentar eu faria um jardim, não só pra fazer nascer tulipas e margaridas entre os espaços de seus dedos mas sim para ver se enfim, tu se enraizaria em mim. Se és o éden eu suponho que bem enterrada em ti alguma semente proibida ainda remanesça, será que seria um problema eu te regar com minha saliva? usar a língua no meio das pernas até que floresça, lamber até o fruto que um dia adão mordeu cresça, saborear o gosto, engolir pedaço por pedaço, até que o pecado enfim aconteça.

















