Durante o drop Helena precisou usar seu poder de forma exacerbada para ajudar a cessar o ataque das pelúcias. O resultado disso, para além do aumento de sua confiança, foi uma onda de esgotamento que a acompanhou nos primeiros dias com fortes dores musculares e de cabeça. A filha de Hefesto ficou mais reclusa, percebia que suas emoções estavam oscilando com frequência, o que poderia resultar em mais problemas. Acabou ficando grande parte do tempo entre as forjas e o bunker, na presença dos irmãos;
A relação de Helena com os filhos da magia sempre foi cordial, sobretudo após a ajuda que recebeu de Verônica para desenvolver o dispositivo que a permite controlar melhor sua pirocinese, essa relação se tornou mais próxima e de grande admiração. Após o evento, a filha de Hefesto está atordoada, não acredita que aqueles que eram próximos possam estar envolvidos, mas ao mesmo tempo, já não sabe se suas convicções são tão confiáveis, logo se percebe mais vigilante, buscando qualquer sinal que possa aproximá-los de respostas concretas sobre aquela noite.
A morte de Flynn foi um choque a parte. Ele a acolheu desde o momento que se conheceram, mas para além disso, Helena sempre acompanhou a relação próxima do filho de Thanatos com Kit. Ver o irmão, que sempre a apoiou e serviu como esperança em seus piores momentos, a deixou preocupada. Desde então sua atenção tem sido colocada nos cuidados do irmão mais velho, sobretudo para que ele tenha apoio e não esqueça de cuidar de si mesmo em um momento tão difícil.
Seus treinos também ficaram mais intensos, sendo a principal forma de silenciar seus pensamentos e externalizar suas emoções. Para além disso, Helena se sente no dever se estar preparada para o que quer que venha a acontecer em seguida no acampamento.
A verdade é que Helena sempre evitou pensar em sua primeira missão. Ainda que conseguisse controlar minimamente sobre o que fazer e com quem falar, era muito mais difícil controlar seus pensamentos e, especialmente, os sonhos que constantemente a faziam lembrar do que acontece quando se perde o controle.
Estava especialmente inquieta olhando para a folha em branco. Tentava se concentrar no barulho das ondas, mas nada parecia o suficiente para fazê-la escrever qualquer coisa: quase como se as palavras que seriam colocadas no papel fossem proibidas. Talvez porque para a filha de Hefesto elas realmente fossem.
(tw. menção de morte, fogo)
Tinha grandes expectativas quanto a minha primeira missão. Estava certa que depois dos primeiros anos isolada e um treinamento intensivo aquele seria o momento de realmente me sentir como parte ativa do acampamento e de provar que meus poderes podiam ser úteis fora das forjas, também seria uma formar de honrar meu pai, depois de anos de raiva em relação a ele. Hesitação não seria a melhor palavra, mas com certeza fez parte do momento em que sai junto com a equipe, mas a confiança foi aumentando a cada noite sem acidentes. Estava certa de que conseguiríamos conseguir cumprir a missão com êxito e que eu também cumpriria minha missão pessoal. Até a última noite.
Yas e eu repassamos o plano várias vezes, eu tinha certeza de que depois daquela missão ela negaria qualquer outra comigo envolvida. Nessa altura, percebia que a confiança anterior era só uma ilusão para mascarar o medo constante. A ansiedade e o medo se tornaram intensos quando ouvimos os sons de monstros, na saída. Mas nada se comparou ao desespero que senti quando vi a Quimera. Me vi como uma criança apavorada com medo do monstro no armário, incapaz de se aproximar pra ver se ele era mesmo real.
O medo parecia tomar conta de mim, era como se alguém me dissesse de que aquele não era meu lugar. Era difícil saber o que exatamente trouxe as chamas, se eu e meus pensamentos ou a Quimera, mas a verdade é que quando elas nos rodearam o medo pareceu se transformar em urgência e depois em prazer, nunca tinha me sentido tão poderosa até aquele momento. Parecia que aquele era a minha última chance de acabar com aquilo, com todas as lembranças e imagens que me perturbavam desde pequena. Mas quando abri os olhos de novo a Quimera não estava mais ali, só Yas, o corpo do outro semideus e as cinzas. Nada mais.
A missão foi considerada satisfatória, mas eu e Yas sabemos bem que não teve êxito nenhum. Tenho vergonha de ter me sentido forte em um momento como aquele e pelo resultado que isso teve, me odeio por isso, odeio precisar de um dispositivo para controlar minimamente. Foi apenas um lembrete de que o medo pode ser uma maldição, mas que nesse caso a confiança pode ser muito mais perigosa.
Soltou o ar com pressa, sem ter notado que o segurava a longos segundos. Mordeu os lábios com força, sentindo a pele delicada reclamar, mas lidar com aquela dor era melhor do que deixar que as lágrimas escorressem de seus olhos naquele momento. Ao reler as últimas palavras, a folha em suas mãos se dissiparam em cinzas rapidamente como a urgência que sentia de se livrar daquela sensação. Tentava lembrar das palavras de apoio que recebia, em especial dos irmãos. Ao olhar para os lados as folhas mais próximas de si também estavam chamuscadas, mas a tensão dos músculos começava a diminuir, conseguindo retomar a respiração aos poucos, mas precisaria de tempo para retornar as atividades.
"Ninguém me avisou que seria um interrogatório, mas..."
CAMADA 1: BÁSICO E PESSOAL
Nome: Helena Moura
Idade: 25 anos
Gênero: cis feminino
Pronomes: ela/dela
Altura: 1,70m
Parente divino e número do chalé: Hefesto, chalé 9
CAMADA 2: CONHECENDO OS SEMIDEUSES
Idade que chegou ao Acampamento: 11 anos.
Quem te trouxe até aqui? um sátiro.
Seu parente divino te reclamou de imediato ou você ficou um pouco no chalé de Hermes sem saber a quem pertencia? De imediato, durante o percurso até o acampamento.
Após descobrir sobre o Acampamento, ainda voltou para o mundo dos mortais ou ficou apenas entre os semideuses? Se você ficou no Acampamento, sente falta de sua vida anterior? E se a resposta for que saiu algumas vezes, como você agia entre os mortais? Sai do acampamento apenas quando fui designada para missões. Minha vida era quase tão limitada quanto no acampamento, para falar a verdade. Sinto falta de coisas específicas, principalmente relacionadas a memórias de infância no Brasil.
Se você pudesse possuir um item mágico do mundo mitológico, qual escolheria e por quê? Um cinto de ferramentas mágico, poderia ser bem útil dentro e fora do acampamento.
Existe alguma profecia ou visão do futuro que o assombra ou guia suas escolhas? Eu realmente não me apego a profecias, elas são vagas demais, dificilmente nos dão alguma resposta ou direção concretas.
CAMADA 3: PODERES, HABILIDADES E ARMAS
Fale um pouco sobre seus poderes: Eu basicamente controlo o gero e controlo o fogo.
Quais suas habilidades e como elas te ajudam no dia a dia: Bom, como um dos Ferreiros o meu poder é bem útil quando preciso consertar armas ou criá-las do zero. Me permite ter mais precisão com a forja e realmente economiza bastante tempo.
Você lembra qual foi o primeiro momento em que usou seus poderes? É difícil dizer a primeira vez, já que existem muitas histórias envolvendo diferentes incêndios na minha infância.
Qual a parte negativa de seu poder: A dificuldade de controlar as chamas, com certeza. Ela está totalmente ligada ao meu emocional e isso às vezes se torna meu pior pesadelo.
E qual a parte positiva: É um elemento muito poderoso e útil na maior parte do tempo, principalmente nas forjas.
Você tem uma arma preferida? Se sim, qual? Brasa, meu macha de ponta dupla feito de bronze celestia
Acredito que tenha uma arma pessoal, como a conseguiu? Forjei meu machado com ajuda de Kit quando antes mesmo de conseguir minha braçadeira. Ele sofreu algumas alterações durante os anos para canalizar o fogo.
Qual arma você não consegue dominar de jeito algum e qual sua maior dificuldade no manuseio desta? Acredito que a que tenho mais dificuldade seja arco e flecha, acho que tem relação com o peso e o movimento do arco.
CAMADA 4: MISSÕES
Qual foi a primeira que saiu? Foi uma missão de resgate de semideuses, no texas.
Qual a missão mais difícil? Minha segunda missão, sem dúvidas, em que meu grupo precisou enfrentar uma Quimera e as coisas não saíram como esperávamos, principalmente pra mim.
Qual a missão mais fácil? Eu não diria que existe missão "fácil", mas acho que última foi realmente bem sucedida.
Em alguma você sentiu que não conseguiria escapar, mas por sorte o fez? Durante o confronto com a Quimera, ainda não sei como conseguimos cessar as chamas, eu apaguei pouco depois e acordei no dia seguinte, então por um momento achei que todos morreriam ali.
Já teve que enfrentar a ira de algum deus? Se sim, teve consequências? Não diretamente e nem pretendo.
CAMADA 5: BENÇÃO OU MALDIÇÃO
Você tem uma maldição ou benção? Benção
Qual deus te deu isso? Afrodite
Essa benção te atrapalha de alguma forma? Me atrapalha quando quero ou preciso passar despercebida nos lugares.
No caso de benção, que situação ocorreu para você ser presentado com isso? Basicamente encontraram um artefato de Afrodite e ele estava quebrado, com algumas ranhuras. Levaram até as forjas, eu consertei e dei um toque mais... pessoal. Ela gostou, meu pai ficou orgulhoso, apesar de... enfim, depois disso fui abençoada.
CAMADA 6: DEUSES
Qual divindade você acha mais legal, mais interessante? Meu pai, claro.
Qual você desgosta mais? Hades, talvez.
Se pudesse ser filhe de outro deus, qual seria? É uma pergunta que nunca consegui responder, não consigo me imaginar em outro chalé.
Já teve contato com algum deus? Se sim, qual? Como foi? Se não, quem você desejaria conhecer? Hefesto e brevemente com Afrodite e Ártemis.
Faz oferendas para algum deus? Tirando seu parente divino. Se sim, para qual? E por qual motivo? Atualmente apenas para Hefesto.
CAMADA 7: MONSTROS
Qual monstro você acha mais difícil matar e por qual motivo? Quimera. Meus poderes tentem a ficar mais instáveis e, de alguma forma, parece que potencializa as chamas dela.
Qual o pior monstro que teve que enfrentar em sua vida? Sei que está começando a ficar repetitivo, mas para além da Quimera? Provavelmente Empusa.
Dos monstros que você ainda não enfrentou, qual você acha que seria o mais difícil e que teria mais receio de lidar? Talvez a Hidra.
CAMADA 8: ESCOLHAS
Caçar monstros em trio (x) OU Caçar monstros sozinho ( )
Capture a bandeira (x) OU Corrida com Pégasos ( )
Ser respeitado pelos deuses (x) OU Viver em paz, mas no anonimato ( )
Hidra ( ) OU Dracaenae (x)
CAMADA 9: LIDERANÇA E SACRIFÍCIOS
Estaria disposto a liderar uma missão suicida com duas outras pessoas, sabendo que nenhum dos três retornaria com vida mas que essa missão salvaria todos os outros semideuses do acampamento? Com certeza, apesar de tentar de tudo para mudar o desfecho fatal da missão, sendo parte de uma profecia ou não.
Que sacrifícios faria pelo bem maior? Sinceramente? Não penso em sacrifícios específicos, é difícil saber o que está disposto ou não até que seja necessário.
Como gostaria de ser lembrado? Como uma mulher forte que trabalhou muito em prol do coletivo, corajosa e talentosa.
CAMADA 10: ACAMPAMENTO
Local favorito do acampamento: Forjas, claro.
Local menos favorito: Os campos de morango.
Lugar perfeito para encontros dentro do acampamento: As margens do lago, provavelmente.
Atividade favorita para se fazer: Canoagem e parede de obstáculos.
I wake in the night, I pace like a ghost
The room is on fire, invisible smoke
And all of my heroes died all alone.
O calor nunca assustou Helena. Diferença disso, o brilho das chamas se espalhando já haviam despertado diferentes emoções na filha de Hefesto. Os olhos castanhos acompanhavam o trajeto do fogo engolindo a grama, sem que ela conseguisse reconhecer o lugar em que estava, ouvia ruídos ao seu redor, mas era fácil ignorá-los. Sentia como se estivesse respondendo a um chamado familiar, até que sentiu o chão estremecer uma, duas, três vezes. Pareciam passos fortes, rápidos vindo em sua direção, o ritmo não era humano, estava longe disso, mas a constatação da criatura que se aproximava só foi feita tarde demais. Era uma armadilha.
A Quimera rugiu e Helena conseguiu sentir o hálito quente em sua pele. Naquele momento o pânico tomou conta de si, seus músculos tensionaram fazendo com que a semideusa ficasse petrificada, olhando nos olhos da criatura. Quando a Quimera fugiu novamente, o fogo a engoliu como se fosse uma folha de papel. Não sentiu dor, nem teve tempo de ver sua pele em chamas. Ao que seus olhos abriram novamente, Helena estava olhando para seu quarto de infância. Um nó se formou em sua garganta, era impossível que aquele lugar estivesse em pé. Lembrava bem das notícias sobre o desabamento devido ao comprometimento da estrutura do prédio após o incêndio que matou pelo menos quatro pessoas, sendo três deles seus parentes.
Sua cama estava vazia, mas Helena ouvia os ruídos da televisão ligada na sala e soube pela programação que eram seus avós assistindo a novela das 9, como todas as noites. A urgência tomou conta de seus movimentos para alertá-los sobre a tragédia iminente, mas ao se aproximar do sofá, avó estava dormindo, com o óculos apoiado no busto e o avô com o controle apoiado na perna.Ppor mais que tentasse chamar a atenção dos dois, gritar, Helena parecia um fantasma. Foi quando vislumbrou pelo corredor o brilho inconfundível das chamas.
Com o controle que tinha com a braçadeira, sabia que poderia cessar as chamas. Poderia salvá-los antes mesmo da fumaça tomar o apartamento. A pequena Helena deveria ter adormecido junto a tia no quarto principal, ficavam assistindo desenho até altas horas. Mas quando adentrou o cômodo, não era ela quem estava ao lado da tia e sim a Quimera.
Como na cena anterior, Helena paralisou. A angústia crescia, mas ao ver a criatura pronta para fugir novamente a raiva tomou conta de si. Aquela cena já havia se repetido muitas vezes, desde o encontro da Quimera em sua segunda missão. Estava pronta para enfrentar o monstro. Fugir já havia causado estrago demais. Suas chamas brotaram nas mãos, sentiu a braçadeira esquentar contra a pele. Até que o vapor tomou conta do lugar, fazendo com que Helena não conseguisse enxergar a dois palmos de sua frente, até ser tarde demais - como sempre. No que a Quimera lançou as chamas contra Helena, seus olhos se abriram abruptamente.
Estava em sua cama no chalé de Hefesto. Dois de seus irmãos mais novos olhavam para ela com o semblante assustado. Um deles havia pegado um balde das forjas e o segurava já vazio. Sentiu o colchão úmido, assim como as bochechas, apesar das lágrimas estarem constantemente evaporando pelo calor do corpo.
Aquele não fora o primeiro pesadelo com a Quimera, mas com o ataque da noite de natal, eles haviam ficado mais frequentes e Helena parecia certa de que logo a braçadeira não seria suficiente para contê-la, como havia feito nos últimos nove anos.