「 Lidiya Ileana Avramescu 」
❝Nana❞ foi uma personagem originalmente pensada para o royalgamerp. Sua idade é em torno de 20 anos e seu fc é Ece Çesmioglu. Ela foi originalmente pensada como homossexual, mas, com a possibilidade de um ship m/f interessante, estou disposta a rever isso. Seria ideal um plot de época ou de fantasia.
STATUS: aberta, semi au friendly
The caged bird; Filha de nobres de índoles agudamente opostas ╾ um homem soturno e ambicioso e uma mulher gentil e sonhadora ╾ unidos por um casamento de interesses, Lidiya pareceu nascer com toda a coragem que faltava à mãe para se entregar ao mundo. Desde a mais tenra idade curiosa e inquieta, alimentava sua mente com as histórias de aventura tão amadas tanto por sua mãe quanto por sua aia. Desenvolveu inveja de seus irmãos pela liberdade que tinham, respeitados tão gratuitamente, livres para correr pelos campos da propriedade da família, livres para escrever sua história. Enquanto isso, nas primeiras memórias da garota seu pai já falava em arranjar-lhe um pretendente digno, ideia que a amedrontava. Estaria ela condenada à prisão de infelicidade de sua mãe?
A juventude trouxe-lhe o ímpeto rebelde, de grande dificuldades em aceitar recusas. Ora, se permitiam que seus irmãos se embriagassem em tavernas e desvirginassem as mulheres, por que ela havia de abaixar a cabeça e passar os dias aprendendo a ser uma boa dama, uma boa esposa? Por que não poderia divertir-se ao menos um pouquinho? Invejava os pássaros. Queria ser livre. Ao mesmo tempo, a mesma juventude fez germinar no peito sentimentos de inadequação, deslocamento. A seus olhos, não era bela nem talentosas como as outras mulheres. Se era uma rosa, então era uma rosa selvagem, com demasiados espinhos para cair nas graças de um trovador. Também parecia incapaz de anelar pelo amor como tantas outras. Nunca encontrara um rapaz que a arrebatasse tão completamente; seus sentimentos nunca passavam de um fraco encanto. Nenhum parecia-lhe exatamente tão belo como as damas que a cercavam, mas ora, o que aquilo significava? Talvez apenas não estivesse destinada a se casar.
Sempre teve uma relação amistosa com os irmãos, mas sua maior companheira e confidente sempre foi sua mãe. Quando dera à luz sua única menina dentre tantos varões, a mulher apegara-se à chance de ter uma filha tão próxima, tão sua, a quem pudesse ensinar tudo o que sabia. Apesar das eventuais discordâncias, ainda nutriam laços muito fortes. De fato, Lidiya não podia entender porque ela repreendia-a e tentava ensinar-lhe os “bons modos” se a mesma admitia não acreditar que aquilo era o correto. Contudo, para mantê-la feliz, era capaz de aplicar alguns esforços para cumprir com seu papel, mesmo que apenas quando entre muitas pessoas.
Quando já uma moça, mudou-se com a família para a corte, na qual seu pai serviria como conselheiro do rei. Ali, as restrições do homem aumentaram, mesmo sobre seus irmãos, tal como a pressa em encontrar-lhes bons casamentos. No entanto, ali também o mundo era mais amplo. Lidiya nunca antes tivera tantas oportunidades de falar com viajantes, diplomatas, comerciantes, acadêmicos… ah, o mundo apenas expandia-se cada vez mais diante de seus olhos e ela queria conhecê-lo por si mesma. Era insanidade, sua mãe dizia. Como planejava fazê-lo? Sozinha? Mas ela acreditava que encontraria uma maneira. Precisava encontrar. Roubaria uma espada para abrir seu caminho a golpes se necessário. Queria aprender, inventar, viajar. Nenhum homem a interessava tanto quanto a ideia daquelas terras distantes a leste e oeste, algumas similares, outras, tão diferentes.
A convocação para uma guerra não tardou a chegar, levando para longe de si seu progenitor e seu irmão mais velho. Foram tempos sombrios de noites mal-dormidas e orações tanto para vitórias quanto para o retorno de seus entes queridos. Ao mesmo tempo, os que retornavam faziam-no com histórias que Lidiya bebia até a última gota. Nunca fora tímida para conter suas perguntas curiosas de qualquer forma. Então, seus familiares retornaram, endurecidos pela batalha. A mudança mais marcante sem dúvida foi a de seu irmão, agora assombrado pelos fantasmas que vira e que criara. Vê-lo definhando de tal maneira deixava-a com um gosto amargo na boca, um ressentimento contra aqueles que haviam-lhe causado aquilo. Sempre mantivera-se um tanto alijada das questões políticas, mas os ecos da batalha em alguém que tanto amava dividiram-na entre o repúdio à mesma e a crença na necessidade de subjugar os inimigos de uma vez por toda.
Tempos depois, para a surpresa de todos, o reino abriu-se para os mouros. Eram assustadores e Lidiya não entendia porque estavam ali. Havia ouvido sobre como eram capazes de coisas monstruosas. No entanto, o contato com eles revelou outro lado; cada vez menos pareciam assim tão diferentes de si. Arriscou-se a conversas. Descobriu que muitos eram talentosos, com conhecimentos os quais ela sequer imaginava existentes. Eventualmente, a mesma curiosidade tão inata a si levou vantagem e passou a perguntar também daquelas terras do Oriente Próximo. Como era a vida deles antes? Fascinou-se em particular por um arquiteto, o qual se dispusera a ensinar-lhe o que sabia. Arrebatava-a a ideia de inventar, também, ainda que o sonho de viajar predominasse. Em alguém tão inesperado, encontrou um amigo em quem confiar seus planos mais ambiciosos sem ser desdenhada.
A proximidade, porém, não era bem-vista pelo seu progenitor, quem via malícia em tal relação. Na mente do homem, o jovem arquiteto queria apenas deflorar sua filha. Os alertas nunca surtiram efeito para Lidiya, porém. Por um tempo, o assunto pareceu olvidado, até que ela recebesse uma súbita notícia: logo haveria de se casar. O acordo de noivado já fora firmado e o dote, entregue. Seu pai tinha interesses em fortalecer laços com poderosas famílias de outros reinos de modo a fortalecer seus próprios negócios. Entretanto, Lidiya não pretende aceitar tal destino tão facilmente. Conseguiu garantir que o casamento se desse em sua terra natal e passou a arquitetar um plano: na noite dele, fugiria e entraria num navio para um mundo além.










