一 ❛ CALCULUS ⎰ BYUNGHUN & ISEUL
{ @hjxbyunghun — sala do professor — 7:32 p.m. }
Desde o seu primeiro ano como estudante daquela instituição, Iseul sempre dava um jeito de encaixar alguma matéria de outro curso em sua grade curricular. Com aquela gama de possibilidades à sua disposição, considerava até falta de educação não aproveitar de todas elas. Já tinha passado pelo cursos de Publicidade e Propaganda, Dança, Pedagogia, Oceanografia, Gastronomia, Psicologia e agora era hora da Matemática fazer parte dessa lista. A disciplina de Cálculo sempre atraiu sua atenção, pela sua complexidade e pelo desafio de aprender, porém nunca teve oportunidade de cursá-la, já que durante a graduação, seus horários nunca batiam com os daquele curso, o que obrigava a menina a sempre abrir mão da matéria. Mas as coisas mudaram quando encontrou no estágio obrigatório.
Com horários mais flexíveis, Iseul conseguiu se matricular para Cálculo I naquele ano. Pelas suas contas, conseguiria completar todos os cálculos presentes naquele curso até a sua formatura. No entanto, entrar realmente foi um processo complicado. O sistema de matrículas seguia uma ordem lógica de prioridade aos alunos regulares, seguido dos dependentes e, então, as vagas remanescentes serviam para abrigar aqueles que queriam puxar a matéria de novo ou curiosos como ela.
Naquele semestre apenas uma vaga sobrou e pelo histórico excelente da menina, acabou ganhando o privilégio. Até isso acontecer, o semestre letivo já havia começado e ela perdeu duas semanas inteiras de aulas. Conseguir a matéria com os colegas não foi difícil; difícil mesmo foi contornar com bom humor todos os olhares e assédios dos meninos que compunham 99.9% daquela turma. Era como uma gota de progesterona com estrógeno num mar de testosterona, e pedir para que eles pensassem com a cabeça de cima se mostrou uma tarefa quase impossível. Sendo assim, decidiu recorrer à única pessoa sensata daquele lugar: o professor.
Iseul sempre montava o território primeiro. Precisou de uma semana para conseguir falar com ele. Nesse meio tempo, fez questão de que o homem conhecesse seu nome e de sua dificuldade, até que pudesse marcar um encontro com ele em sua sala, no início da noite. Com uma lista para entregar, precisava tirar algumas dúvidas e agora lá estava a menina, à porta da sala de seu professor, com o material em mãos.
Bateu duas vezes na porta, para se anunciar. — “Seonsaeng-nim! Sou eu, Boo Iseul.” Após a fala, abriu a porta devagar, mas não entrou; apenas espiou o interior. —”Nós marcamos hoje mais cedo. O senhor está livre? Eu posso entrar?”