@antivenombones
O soar do irritante apito do treinador de quadribol foi o que deu a Natalie a noção de que aquele maldito treino interminável finalmente chegara ao seu fim. A ex-sonserina dobrou, sem cuidado algum, a edição do Profeta de Diário que esmiuçara naquele ínterim de tempo, e o colocara em cima de sua mochila – que estava jogada ao seu lado na arquibancada do campo de quadribol. Não era muito o seu estilo se importar em estar por dentro do que publicava aquele jornaleco sensacionalista, mas, desde que o caos começara a imperar no mundo bruxo fazia parte da rotina da adolescente conferir se não existia qualquer mínima informação que se ligasse à sua família materna. Uma precaução que também não era muito seu estilo, mas que se fazia necessária graças ao seu receio de fazer perguntas diretas. Mesmo a distância, Natalie vinha acompanhando com preocupação algumas mudanças sutis em seu ambiente familiar. Sua mãe não aparecia mais na Floreios e Borrões, que ficara apenas sob a tutela de seu pai – o que era muito estranho quando se levava em consideração que possuía uma mãe controladora. A relação de seus genitores parecia desgastada e, ainda que desde sempre acreditasse que seu pai não era apreciado como deveria por sua mãe, existia um receio real de que a estrutura delicada que mantinha seu núcleo familiar unido tivesse ruído. O medo de descobrir que sua mãe, irmã, e demais parentes Black poderiam ter qualquer tipo de envolvimento com a onda crescente de caos a impelia a se manter distante. Natalie não possuía uma opinião formada e profunda sobre tudo o que vinha acontecendo. Era de sua natureza não se envolver demais no que não interferia de fato em sua vida, contudo, era inegável que o trabalho que exercia no Ministério da Magia a fazia cada vez mais pender para um lado em especifico. O mesmo lado que a parte Abbott de sua família sempre defenderia. Escolher um lado dentro de sua família não era algo com o qual estava acostumada, e muito menos se sentiria confortável. E era por tal motivo que protelaria o drama familiar por, no mínimo, até as férias. – Eu queria ser capaz de mentir na cara dura e afirmar que foi um ótimo treino, mas confesso que me entediei logo nos cinco primeiros minutos. Quadribol nunca foi minha vibe. – disse, com um sorrisinho sapeca marcando seus lábios, enquanto encarava a figura de sua melhor amiga, e única pessoa capaz de fazê-la ir até ali, Alice Bones, subindo a arquibancada. – E, não desci para encontrá-la lá embaixo por dois motivos. O primeiro é bastante óbvio; sou uma maldita preguiçosa. Porém, o segundo é o realmente relevante; apenas uma de nós é blindada o suficiente para lidar com a radioatividade masculina dessa equipe sem querer partir imediatamente para violência física, e, obviamente, não sou eu essa pessoa. – comentou e, embora soasse como quem brincava, havia alguma verdade em suas palavras. Parte da equipe era formada pelos piores indivíduos do sexo masculino que tivera o desprazer de saber da existência. Respirou fundo. – Sei que nós não marcamos nada hoje cedo quando nos vimos, mas minha professora do último horário não pôde comparecer à aula de hoje, e tenho um tempinho livre antes de encarar a belíssima face do mau humor que pertence ao meu chefe. Então, pensei com meus botões, que talvez esse seja o momento certo pra pagar o almoço de comemoração à sua nova posição na equipe. Tudo por minha conta. – Natalie meneou a cabeça por vezes seguidas, como maneira de corroborar o que dizia. – O que me diz? Caso contrário, podemos fazer qualquer outra coisa de sua preferência. Então, soberana, pronta para dividir as experiências de seus primeiros dias como capitã? Já fez algum macho lacrimejar? Espero que sim. – completou com um sorriso largo marcando os seus lábios.


















