FILA DO BANHEIRO
Em plena primavera de 2019 saí pra ir em um bloco de carnaval de rua em Porto Alegre. Decidi usar cores Laranja, amarelo e azul pra tentar me identificar com as pessoas do bloco e me sentir parte do grupo. No meio disso, estava eu tomando uma cerveja em um salão de beleza que vende cerveja próximo ao centro da cidade e vejo gente com cabelo de todas as cores, a cidade estava colorida e minha alma também.
Depois do segundo litro de cerveja a gente fica mais soltinho e a bexiga começa a enviar mensagens ao cérebro dizendo que precisa esvaziar logo ou ameaça que vai explodir ali mesmo. Pois bem, entrei no salão de beleza e fiquei em uma fila indiana todo apertado fingindo que estava mexendo no celular, deslizando o Instagram e coisas que jovens adultos fazem para passar o tempo sem tentar socializar com ninguém.
Nisso chega uma garota, com um metro e sessenta e cinco de altura, bastante alcoolizada, e dizendo que o ex-namorado era babaca. Concordamos todos, porque homens são babacas e a verdade é essa. A menina do nada, taca um beijo cinematográfico em um menino que estava na minha frente e eu fiquei admirado com tamanha coragem de beijar desconhecidos na fila do banheiro de um salão de beleza que vende cerveja.
Logo quando os dois pararam de se beijar, eu pedi pra que beijassem de novo, porque eu tenho um costume muito voyer de achar um máximo as pessoas se relacionando de forma tão íntima na minha frente. Pronto, ela me deu seu telefone, eu passei meu número pra ela, ficamos melhores amigos graças a tal fila do banheiro do salão de beleza que vende cerveja.













