Calafrios.
Faço-me ausência ao teu lado, a firmeza com a qual meus pés se entregam ao piso frio me surpreende por um momento. O peso do meu corpo me é transferido dos teus braços, e tenho a estranha sensação de tirar-te algo que não me pertence. Dormes como a quem não lhe falta nada, a noite se estira sobre ti e tu a acolhes por toda a pele. Eu, por minha vez, entre calafrios sou desperta e busco na penumbra algum consolo.
Sigues sientindome cuando estoy despierta?
Yo te siento por todo mi ser.
Te miro y intento compreender,
como pude vivir por tanto tiempo lejos de ti.
Te miro y intento compreender,
cuando fue que puse mi vida en tus manos,
porque jamás quiero sacarla de ahí.
Tens em mãos meu futuro, escrito em linhas de sangue e prazer. Afundas-te em mim e desenhas como bem queres, não tenho escolha a não ser seguir teus traços. Meu peito se amargura ao dar-se conta de que ainda não estás impregnado em todos os meus dias, we’re in construction, they say e enquanto te constróis te admiro de longe, tentando conter o anseio de afogar-me em ti. Vou contra todos os meus impulsos.
Calafrios.
Volto pros teus braços, de onde nunca realmente sai, e me permito repousar sobre ti, sobre a noite, sobre a esperança da manhã nunca chegar.








