Capítulo 11. Somente isso.
Ele começou a cantar a música que havia dedicado pra mim no dia de nosso primeiro beijo. Agora, eu entendia melhor ela. Ele a cantou em um ritmo mais calmo. Depois disso, logo peguei no sono.
Anna’s POV
Me acordei. Eu estava nos braços de Nathan, ele me segurava, me protegia como se fossemos um casal. Acho que éramos um casal, mas ainda não tinha rolado nada. Não porque nós não quiséssemos, nós queríamos. Realmente queríamos. Decidi me levantar, Siva e San também não estavam mais na cama. Dei um beijinho de leve no nariz de Nath.
- Você já vai? – Ele me perguntou baixinho.
- Tenho que ver se a Amy ainda esta viva.
Ele beijou minha testa e eu fui para o outro quarto. Abri a porta vagarosamente e vi que Tom e Amy estavam de baixo das cobertas. Fui até o armário para pegar outra roupa.
- Anna? – Tom falou.
- Sim, o que aconteceu ontem?
- Nada de mais. Discutimos e voltamos.
- Ah, nada de mais, tô vendo. Cara, cuida da Amy, ele é uma pessoa muito especial.
- Eu sei disso. Nunca vou deixar nada acontecer com ela.
Peguei a roupa entrei no banheiro fiz minha higiene e me troquei. Quando eu saí do quarto aparentemente Tom havia dormido de novo. Admito, eles formam um lindo casal.
Desci as escadas, Candi estava no sofá.
- Candi, vocês vão se casar? – Falei me sentando ao lado dela.
- Sim Anna, depois que o bebe nascer. Mas vocês vão vir, você, a sua mãe e Henri.
- Hum.
- Eu sei que é difícil. Sei que você e Gui são muito ligados um ao outro, mas ele cresceu. Nós também somos muito ligados.
- Eu sei, eu sei que vocês se amam. Mas de qualquer jeito é difícil, ele já vai ter filho, tenho medo de ser esquecida.
- Anna! O Gui te ama, você é a irmãzinha dele, ele nunca vai te esquecer. – Falou Candi e beijou minha testa.
- Você vai ser um a boa mãe e uma ótima esposa. Não imagino ninguém a não ser você ao lado de Gui. – Ela sorriu. – Onde está ele afinal?
- Ele, Siva e San foram ao mercado. Como hoje está mais fresquinho decidimos não ir na praia. Chegou a entrar no quarto? – Falou ela se referindo ao quarto onde Amy e Tom dormiram.
- Sim, Tom estava meio acordado e disse que não tinha acontecido nada de mais. Acho que realmente nada aconteceu, pois cheguei a ouvir o barulho deles chegando, depois disso não ouvi mais nada. Se Tom continuar assim, isso não vai durar, Amy tem vários ex-namorados que ainda acham que estão com ela. Ela sempre desvia e não presta atenção, mas, você sabe como é.
Logo os meninos chegaram e começaram a fazer o almoço. San ficou conversando com Candi. Fui até o andar de cima para acordar o resto do pessoal. Acordei chamei Max. Deu vontade de chutar Valentina pra ela acordar, acabei a chamando pelo nome também. Deixei Nathan pra depois.
Percebi que enquanto eu chamava os outros, Amy e Tom haviam decido. Esperei Max e Valentina saírem do quarto e fui acordar Nathan.
- Nath, está na hora de acordar. – Cochichei no ouvido dele.
- Não mamãe, me deixa dormir mias. – Disse ele me zoando e fazendo biquinho.
Quando vi ele daquele jeito, senti que era a hora. Me aproximei dele para beija-lo.
- O almoço tá pronto venham! – Siva falou na porta.
Bufei e desci. Logo depois Nathan desceu irritado também. O que o mundo tinha contra nós dois! Todos mesmo sem perceber começam a nos atrapalhar, se não me engano aquela já havia sido a quarta vez que nós íamos nos beijar e alguém interrompia. Eu estava ficando irritada. O almoço foi bom.
Passamos a tarde jogando jogos como uno, paciência, etc... No fim da tarde decidi ir a praia sozinha. Me sentei na areia. Estava olhando para os lados e percebi que havia barras de exercício. Como fazia tempo que eu não ia á uma academia, fui até lá. Eu estava de olhos fechados e concentrada.
Notei a presença de alguém. Abri os olhos e vi um “homem” do meu lado. Larguei as barras e dei um berro, pois eu iria cair no chão e me machucar.
Nathan’s POV
Percebi que Anna havia saído. Decidi ir atrás dela. Ela estava fazendo barras, fui até ela e comecei a observa-la. Quando ela percebeu que eu estava lá deu um grito e se soltou. Em um golpe rápido apanhei-a antes que ela pudesse cair no chão;
- Quase! – Falei com ela ainda no colo. Eu estava segurando-a nas penas, abraçando-as com meus braços, ela devia estar em uma posição desconfortável para ela, mas não para mim, pois, seus seios, seus grandes seios estavam em baixo de meu nariz.
- Sykes! ME PONHA NO CHÃO! – Ela gritou comigo.
- Eu te salvo e tu me xinga? – Falei com cara de indignado.
-Só cai porque você tava aí me olhando!
- Não posso mais apreciar as belezas da vida?
- Pode, mas, garanto que se você estivesse de boa se exercitando e do nada notasse um cara parado do seu lado te olhando que nem um poste você ia se assustar! – Depois de ela ter falado isso eu ri.
Ela andou em direção ao mar.
- Não é uma boa ideia. – Falei.
- Por quê?
- Porque esse é o horário das águas vivas.
- Ah, tá, sei. – Ela continuou andando. Fui seguindo-a sem entrar na água. Ouvi um grito. Era Anna.
Corri atrás dela, mergulhei na água e a segurei antes que ela pudesse cair completamente. Não sei com que força levei ela até a beira.
- Boca santa! Se você não tivesse dito, nada teria acontecido. Aposto.
- Agora a culpa é minha! – Olhei em seus olhos que brilhavam muito, eles marejaram. – Onde dói?
- Meus pés. – Ela falou apontando para os pés que tinham direitinho as marcas dos tentáculos. Peguei-a no colo.
- Você precisa emagrecer ok? – Falei brincando. Ela riu e me deu um tapa na nuca.
Chegamos na frente da porta e ela abriu ainda no meu colo.
- Olha Gui, se casaram antes de nós e nem nos convidaram pro casamento! – Falou Candi vindo em nossa direção. – O que ouve.
- Águas vivas. – Falei botando-a no sofá. Amy veio para a sala seguida dos outros. Ela tinha feito algum tipo de curso no Brasil e sabia como cuidar daquilo.
- Ok, - ela disse examinando o machucado- toma banho e depois vou passar um creme que acho que vai ajudar. Mas você não vai poder andar por uns dias pra não piorar nem infeccionar. Trabalho pra vocês garotos! – Disse Amy como uma profissional.
- Eu levo. – Disse Gui pegando-a no colo. Subi as escadas junto com ele e Amy.
Gui botou ela em cima de uma das camas do quarto das meninas. Amy foi pegar uma roupa para a amiga. Me escorei no batente da porta.
- O que houve? – Perguntou Gui.
- Eu estava fazendo barra. Cai porque me assustei com Nathan. – Amy soltou uma risada baixa. – Daí, fui em direção ao mar e o boca santa aí me disse para tomar cuidado com as águas vivas. Não deram 10 segundos e eu devo ter pisado em umas duas. Tudo graças a esse monstro! – Ela disse apontando para mim e rindo tentando disfarçar a dor
Gui levou ela para o banheiro, Amy ficou lá para ajuda-la. Eu fiquei sentado na cama dela até que Gui entrou no quarto. Ele olhou para mim e sentou do meu lado.
- Obrigado. – Ele disse.
- Por quê?
- Por ter ajudo Anna.
- Não foi nada, afinal, quem causou isso fui eu! – Falei rindo.
- Continue assim. Eu gosto de você. Geralmente não gosto dos namorados da mana.
- M-mas, nós não somos namorados. – Respondi-o confuso.
- Hum. – Ele saiu do quarto e desceu as escadas.
Fiquei pensando sobre o que ele havia dito. Não seria nada mal eu namorar com Anna. Não demorou muito e Amy me chamou para ajudar a tirar Anna do banheiro. Peguei ela no colo e Amy desceu as escadas.
- Você fede Sykes! – Ela disse.
- E você pesa! – Retruquei. Rimos.
Deixei-a na cama ficando em pé na sua frente.
- Vou tomar um banho e tentar parar de feder. Já volto. – Falei e saí do quarto.
Tomei um banho rápido e quando voltei percebi que ela estava escrevendo em um caderno. Entrei sorrateiramente no quarto e tirei o caderno das mãos dela.
- Sykes me devolve!
- Hum, um diário!
- Passa isso pra cá! – Ela falou sentada na cama sem poder se levantar, enquanto eu estava em um lugar onde ela não alcançava.
- Querido diário. Ontem Amy e Tom brigaram de novo. Então, - Li o que estava escrito.
- Tô falando sério! Me devolve. – Gritou ela braba.
- Então, sem opção, dormi abraçada em Nathan. Minha noite foi ótima, pela manhã acordei-o com um beijo no nariz. O dia, - Continuei empolgado.
- SYKES PARA! – Ela gritou mais irritada.
- O dia foi normal. No fim da tarde, eu fui até a praia, - ela gritava para eu devolver, mas eu gritava mais alto ainda o que estava escrito, - eu estava fazendo barras e então vi...
- Sério não lê! – Ela falou com uma voz fofa. Eu caí na risada.
- Vi Nathan me olhando. Acabei caindo nos braços dele. Foi um ótimo momento. Entrei no mar e pisei em algumas aguas vivas. Ele mergulhou e me salvou. Acho que...
- Não! – Falou ela literalmente pulando pra pegar o diário. Antes que ela caísse no chão peguei-a novamente.
- Eu li o que estava escrito. – Disse colocando-a na cama e sentando ao seu lado.
- Aé? Então, o que era?
- Acho que estou cada vez mais apaixonada!
- A-am. É, é isso, “acho que estou cada vez mais apaixonada pelo céu”.
- Anna, não mente pra mim.
Me aproximei dela. Novamente estávamos naquela situação. Um na frente do outro. Ambos loucos pelos lábios do outro. Botei a mão no cabelo dela. Nossos lábios estavam prestes e se tocar quando:
- Crianças! Hora da janta! – Tom invadiu o quarto e botou Anna no ombro descendo as escadas como se eu não estivesse lá.
Essas situações estavam me irritando. Toda vez que íamos nos beijar, algo ou alguém nos atrapalhava. Já perdi as contas de quantas vezes já havia acontecido.
Desci para a janta. Sentei do lado de Anna. Gentilmente Thomas havia sentado em outro lugar. Não bastava me perturbar ele já havia atrapalhado Jay e Ali. Siva perguntou o que havia acontecido, Anna contou a história.
- Mas, e lá em cima, o que estava acontecendo? – Tom perguntou. Senti que Gui olhou para mim aflito, ele era quase o pai de Anna.
- Nada. – Respondi.
- Nada Sykes? – Falou Anna. – Esse monstro roubou meu diário! Tive que pular, literalmente, nas mãos dele para pegar! – Todos rimos. Principalmente Tom que ri de tudo. Valentina fez cara de nojo para ele.
- Nossa Thomas, pra que exagerar tanto? – Falou ela.
- Pelo menos ele não ri feito uma gralha! – Disse Amy defendendo-o.
A mesa se entreolhou. Estranho. Mas continuamos a janta. Depois o “Super Jay” levou Anna para cama. O pessoal ficou mais um tempo em baixo. Decidi subir para vê-la.
Ela estava dormindo. Olhei- apor um tempo. Lembrei-me do diário. Folhei algumas páginas.
Aparentemente, ela compartilhava o mesmo sentimento que eu. Acho que se dependesse de nós já estaríamos juntos. Quero dizer, acho que estávamos juntos, só que ainda não havíamos nos beijado. Pelo menos não na boca.
- Boa noite amor. – Falei baixo para não acorda-la dando um beijo em sua testa.
-Você já vai? – Ela falou me prendendo botando a mão em meu pescoço.
- Se você quiser, eu fico.
Me sentei cama, comecei a fazer um cafuné na cabeça dela. Quando percebi que ela estava realmente dormindo. Beijei-a na bochecha e fui para meu quarto.
Deitei olhando para o teto. Sorri. Mesmo que nada tenha acontecido, eu pelo menos tinha a certeza de que ela me amava agora.












