Logo que terminamos a janta subimos sem, graças a Deus, ver os garotos.
Quarta-feira passou rápido, estávamos só pela festa do dia seguinte. As garotas no fim nem acharam tão ruim a ideia. Quinta-feira, depois do almoço, dormimos até as 6pm para ter energias para a festa do dia seguinte. Decidi me enturmar com elas.
- Oi Ali, entra. – Disseram ambas com um sorriso no rosto. Elas estavam de calcinha e sutiã se arrumando.
- Posso me arrumar com vocês?
- Claro. Vamos sair daqui que horas?
- Acho que pelas 8:30. Nós vamos ir nos carros dos garotos ok?
- Eles tem carros? – Disse Amy pegando uma imensa maleta de maquiagens fazendo sinal para que eu me juntasse á elas no espelho para me maquiar.
- Sim. Quero dizer, na verdade não. Eles moram aqui no hotel em troca de alguns favores. Então eles sempre andam em carros com propagandas do hotel, as vezes consertam algo, cantam...
- Sim eles são super bons, mas enfim. Me disseram que hoje os carros que eles conseguiram são dos velhos. São um carro pequeno, com três lugares na frente e apenas duas portas e outro é uma antiga caminhonete também com três bancos na frente e uma caçamba onde terão que ir quatro. O fato é, como não sabíamos se vocês bebiam ou não, organizamos assim: Siva dirigirá o carro pequeno e vai lavar Valentina e Max por que Valentina sabe onde fica o lugar.
- É, no outro carro eu dirigirei e Jay vai ir na frente comigo porque ele também sabe onde fica o lugar. Vocês, Nath e Tom vão ir na caçamba. Nath não é muito de beber, por tanto ele pode “cuidar” pra que na volta, o Tom não faça nenhuma maluquice.
- Eu também não bebo muito então posso cuidar da minha bebê! – Disse Anna.
- Gugu dadá! – Respondeu Amy.
XxxxXxxxXxxxXxxxXxxxX (com as roupas das fotos do início do capítulo).
- Lindas! – Risos. – Sim estamos prontas!
- Ok, liguem para Valentina e eu para os garotos.
Ali nos ligou e então descemos. Batemos na porta, quem abriu foi Amy, olhei para Tom, ele vidrou nela.
- Você tá bonita. – Percebi essas palavras saindo involuntariamente da boca dele.
- Ah, brigada. – Disse ela envergonhada, fechou a cara e foi chamar Ali que estava no sofá. Quando ela se aproximou Jay quase babou em cima de Ali, que, também não tirava os olhos dele.
- Ahm, Anna está pegando o celular, ela já vem. – Ali falou sem tirar os olhos de Jay.
Em questão de segundos, Anna apareceu na porta, e por sinal, linda. Antes que eu pudesse fazer qualquer elogio ouvimos um “Oi” do corredor, era Valentina.
- Vocês avisam ela que tinha que ir de roupa para a festa? – Comentou Siva antes que ela pudesse ouvir.
- Seev, - Disse Anna botando a mão no ombro do meu amigo, que gostou, - esse é o normal dela! – Todos riram menos eu.
Enquanto Ali fechava a porta Anna só não soltou o a mão do ombro de Siva como ele envolveu o braço na cintura dela. Não gostei daquilo.
Descemos para os carros. Siva dirigiu um, levou Max e Valentina. Ali dirigiu o nosso, pois Jay que foi ao lado dela iria beber, eu, Tom e as garotas fomos na caçamba. As meninas sentaram com as pernas para o lado, de um jeito que não conseguíamos ver nada além de suas canelas.
- Então, - quebrei o silêncio que, durou alguns minutos na caçamba, - conseguiu tirar o molho de sua roupa.
- As camareiras disseram que foi bem difícil, mas conseguiram. – Respondeu, grossa, Amy.
- E você, nojentinha, conseguiu tirar a comida da cara? – Perguntou Tom para Amy.
- Nossa, eu sabia que a sua educação não ia durar muito tempo. Sim, Thomas, eu consegui tirar a comida do meu rosto. E eu já pedi pra você me chamar de Amanda!
- Como se eu fosse te obedecer. – Começou aí a discussão entre os dois.
- Não é questão de obedecer, é questão de ser educado!
- Tá dizendo que eu sou mal educado?
- Se me chamam de mal educado estão dizendo que minha mãe me educou mal!
- Se foi ela quem te educou.
- Você tá desrespeitando minha mãe? – Disse Tom ajoelhando-se na caçamba para ficar mais alto que Amy.
- Não, eu sou uma pessoa educada, e não faço para os inocentes o que eles não merecem! Tô dizendo que o filho dela não teve capacidade de aprender o que ela tentou ensinar! – Disse Amy ajoelhando-se também.
Eu estava perdido em meu mundo olhando para Anna, só via os movimentos deles, afinal, eu ganhava muito mais admirando ela do que prestando atenção na briga, que era o que ela fazia.
- Aé? Me chama de burro de novo vai... – Quando ouvi isso percebi que Anna fez um sinal para que eu prestasse atenção na discussão dos dois, não ia dar certo.
Quando Amy disse isso, Tom agarrou os braços dela e quase a jogou para fora do carro, isso só não aconteceu porque eu o segurei e Anna fez o mesmo com a amiga.
- Tá louco cara? Quase que tu joga a menina pra fora do carro mano! Cuida! Tu que começo a briga! – Eu disse enquanto Amy virava o rosto para a rua e Anna chagava bem perto dela para ver o que tinha acontecido.
- Ai, desculpa dizer, mas vai ficar um roxo bem feio. Mas você que intende mais disso, lá no curso, o que tu lembra sobre braços? – Disse Anna, me preocupei e me arrastei até a outra extremidade da caminhonete onde as meninas estavam.
- Bom, aqui onde foi podia ter pego uma veia, ou seja, podia ter sido muito mais grave, - Disse Amy alto para que Tom ouvisse e ao mesmo tempo virando para ver se era eu ou ele atrás dela.
- Ah, eles sempre botam um kit de primeiros socorros em alguma parte dos carros, querem que eu procure? – Me ofereci para ajudar.
- Não precisa, obrigada Nathan, o que aconteceu foi que quando ele me segurou o fecho do zíper da manga do casaco dele ficou bem aqui, como ele apertou forte... Bom podia ter sido pior, mas também podia NÃO TER ACONTECIDO. – Percebi que Amy gritou para liberar a raiva e a dor. – Vai ficar um hematoma péssimo.
- Viu só? – Falei baixo para Tom.
- Ah cara nem vem! Me deixa sozinho um pouco, ok?
Virei para trás, o clima ficou tenso até chagarmos na festa. Quando chagamos lá as garotas quase se tinham esquecido do machucado. Se juntaram á Ali enquanto todos entrávamos.
Foi só o que deu para ouvir, pois o som estava realmente muito alto e haviam muitas pessoas lá.
Sentamos em uma mesa, o que não durou muito tempo porque o fato da viagem não havia sido esquecido.
- Que tal dançarmos? – Propôs Valentina.
- Eu topo. – Disseram Tom, Max e Siva.
- Eu prefiro beber um pouco antes.
- Tô contigo Jay. – Disse Amy.
- Não quero ver essa desgraça, que tal dançarmos Ali?
Todos se dirigiram a pista de dança, eu e Amy ficamos um pouco mais sentados.
- Eu sei que você gosta dela. – Amy disse pra mim.
- É cara! Nem vem com papo que eu sei que é verdade.
- Bom, nós já somos bem amigos, e, admito que ela me atrai.
- Acho melhor eu estar bêbado antes disso! – Falei para Amy rindo.
Fomos até o balcão e pedimos cerveja para começar. Já estamos na segunda quando eu perguntei pra ela:
- O que é isso no seu braço? Foi o Tom aquela hora?
- Sim, vocês conseguiram ver?
- Sim, só não entendemos, pra falar a verdade no início achamos que era uma brincadeira.
- Não, ele começou me perguntando... – Ela contou toda a história, mas eu nem prestei muita atenção, de onde estávamos da pra para ver Ali dançando. E Valentina também.
- No Brasil tem alguma dança que seja daquele jeito? – Perguntei para Amy.
- Do jeito que Valentina dança? Olha, tem alo chamado funk, mas isso não chaga nem aos pés do que ela está fazendo. Acho que é uma espécie de......... dança do acasalamento! – Já meio bêbado, ri muito do que ela disse.
- Vejo que você bebe bastante.
- É covardia eu desafiar uma jovem indefesa como você, mas, desafio aceito. – Aceitei a proposta achando que eu ia ganhar.
- E ai, bebendo muito? – Max perguntou, ele vinha com Tom.
- Sim, na verdade íamos fazem um desafio. Querem participar? – Perguntou Amy com a voz mais desafiadora possível.
- Ah, com você? Tamo dentro! – Respondeu Tom sarcasticamente.
Enquanto Amy pedia as bebidas, percebi Tom e Max falarem algo sobre o machucado de Amy, logo que ela virou para nós eles pararam.
- Ok, quem beber 9 doses de tequila primeiro vence.
- NOVE. – Nós perguntamos espantados.
- É, nove, querem mais? Ou menos?
- Não, ah, nove tá ótimo. – Gaguejou Max.
No tempo em que eu tinha para pegar outro copo e virar na boca, vi que nossos amigos foram chagando em volta. Quando eu estava prestes a terminar meu sétimo, ouvi uma batida.
- Ah, - gemeu Amy- Venci!
- Nossa, a garota venceu do Jay!
- Porra, pena que não apostamos nada! – Disse Amy fazendo biquinho enquanto todos, principalmente Tom, olhavam pasmos para ela.
- Ah, eu não vou me recusar. Ganhou meu respeito! Garçom! Por favor, uma garrafa de vodka para a vencedora! – Falei apertando a mão dela em sinal de respeito.
- Ganhar respeito bebendo é o cúmulo. – Disse Ali voltando a dançar com Anna e Nathan.
- Garanto que bebo tanto quanto ela! – Disse Valentina aproximando-se do balcão e juntando todos os copos que sobraram.
- Meu Deus! – Disse Amy pegando a garrafa de vodka e vendo Váh refugar da terceira dose.
- Ah vai te ferrar! – Disse Váh voltando para a pista.
- Nossa, essa se paga de A FODA! – Falou Amy virando a garrafa de bebida em sua boca e tomando quase metade do líquido enquanto a olhávamos de boca aberta. – O que foi? Aqui mulher não bebe não? Eu hein!
Ela sumiu na multidão com a garrafa na mão.
Passamos algumas horas lá, perto das 3:30am decidi juntar os sóbrios para que fossem procurar os bêbados. Nathan, eu, Anna, Siva, e parte de Max saímos para procurar os outros quatro. Anna voltou com Amy, Siva com Jay e Nathan com Tom.
- Cadê o Max e a Valentina. – Perguntei.
- Valentina? Quem é essa? Não me lembro dela? Ela não existe! Vocês querem me fazer de burra né! Feios! – Disse Amy que saiu correndo e chorando. Anna foi atrás.
- Meu Deus, essa tá podre! – Disse Tom que estava melhor, mas não completamente sóbrio.
- Vou procurar os dois. – Disse.
- Não precisa. Estamos aqui!
Max veio com Valentina do lado, ela parecia completamente bêbada e com o batom borrado. Fomos para o lado de fora.
- Vocês.... – Disse Siva perguntando se eles haviam se pegado.
- Não Seev, ela tava com outro cara, pelo visto com outroS caras.
- Váh, você bebeu o que depois daquelas duas doses de tequila? – Perguntei.
- Pior que foi só aquilo, passeio tempo todo perto do balcão e ela não foi lá nenhuma vez. – Disse Jay.
- Sério? – Todos rimos muito.
- Viu! Eles tão rindo de mim! – Anna estava com Amy que chorava desesperada na caçamba da caminhonete.
Rimos mais um pouco. Cada um entrou em seus respectivos carros. Na parte de trás Nathan ficou numa ponta ao lado de Anna. Amy no outro lado de Anna e Tom na outra beirada. Eles foram assim para que Amy não tentasse nenhuma bobagem.
Depois de um tempo de estrada a carro começou a falhar, como Seev tinha saído primeiro e ele dirigiu rápido ficamos para trás.
- Ali, - disse Jay não muito bem,- acho melhor você entrar naquela estrada, se não o carro vai parar no meio da estrada.
- Olha James, você não tá sobreo mas, como é a entrada de uma cidade, vou seguir teu conselho.
Conduzi o carro até a estrada que não tinha nem dez metros até uma cidadezinha. Vi uma placa de posto, ficava muito longe, o carro não ia aguentar. Tinha uma lomba que dava para uma praia daquelas onde pode entrar carro. Abri a janelinha de trás do baco que dava para a caçamba.
- Vamos ter que para naquela praia. O carro não aguenta até o posto.
Quando chegamos lá, desliguei o carro.
- Jay foi tirar a chave da ignição e deixou ela cair!
- Anna, você não trouxe o celular?
- Trouxe, mas ele ficou sem bateria.
- Tá muito escuro aqui! Vamos ter que dormir aqui mesmo e procurar ela amanhã.
- Maravilha James Noah! Parabéns! – Disse irritado fechando a janela que dava para dentro do caro.
Desci de lá e tirei um cobertor de dentro de um compartimento ao lado do carro, eu sabia daquilo pois já tinha andado naquele carro antes.
- Galera, só tem um cobertor! – Falei subindo e esticando a coberta pela caçamba de modo que cobrisse nossas pernas e quase toda Anna que era mais baixa.
- Dá pro gasto. – Disse Nath se acomodando ao lado de Anna que já estava deitada.
Ajudei Amy a Deitar. Ela ficou por um tempo olhando as estrelas. Logo os outros quatro pegaram no sono, percebi que Ali dormiu acomodada no peito de Jay ele estava com os braços em volta dela, formavam um lindo casal.
- É triste não? – Disse Amy apontando para um estrela.
- Ela é tão sozinha veja. – Falou a bêbada pegando minha mão e erguendo-a fazendo com que eu apontasse para uma estrela.
- Vamos dormir? – Falei abaixando o braço dela delicadamente com o meu.
- Você disse que é bom ter medo.
- É realmente bom dormir ao som do mar.
Ela não estava bem. Realmente não estava nada em, ela não falou nada que fizesse sentido em nossa conversa.
- Estou com frio. – Ela disse. Me sentei para tirar o casaco. – Você vai me deixar aqui, me deixar sozinha? – Ela choramingou. Me deitei novamente e botei o casaco aberto por cima de nós dois. – Ainda bem que você voltou, eu estava com saudades.
Ela se virou e aconchegou a cabeça em meu peitoral. Senti que ela ficou mais calma quando passei um braço por baixo de sua cabeça fazendo de travesseiro. Quando fui fazer o caminho de meu outro braço para seu rosto senti uma elevação no braço dela. Lembrei que eu tinha causado aquilo. Levantei o casaco por um tempo, vi que ela arrepiou. Tinha um roxo horrível em seu braço, com uma marca que se encaixava exatamente em meu zíper. Senti uma culpa enorme, de apertar o coração. Delicadamente beijei o machucado, como quando uma mão beija o “Dodói” de seu filho para que passe. Senti seus dedos delicados me levarem para perto de seu rosto. Quando eu estava deitado em sua frente ela se acomodou novamente em baixo da minha cabeça. Acariciei seu rosto e cabelos, depositando beijos em sua cabeça, fazendo com que minutos depois ela já estivesse dormindo.