o mundo anda confuso:
carros na contramão, passagens interditadas
de acidentes que não entendo à beira da estrada.
ônibus queimando e carreta de carros batidos,
o mundo em que você não está me parece não funcionar.
e eu sei, mesmo sem trocar palavra, que você se foi
como que em qualquer acidente na linha vermelha.
meu coração parece parar
enquanto o mundo acidentado vive
e o tempo continua a passar mas a sua dor resiste.
parece que vamos de marcha ré,
e eu sinto o seu sangue adurente circular vagarosamente
enquanto seu corpo coberto de sangue congela
deitado no chão frio de um acidente violento.
como se você fosse um morto-vivo a vida continua num sentido contrário,
pois as suas feridas não vão sarar já que seu corpo morre-vive
por causa desse acidente insidioso em que meu corpo perde o ar.
eu nunca consegui ir ao seu enterro,
o seu corpo partiu para sempre num recolhimento solitário
mas o amor memoriozo pré-eclipse vive em mim sem eclipsar.
eu permaneço nessa esperança do eclipse acabar
no próximo lusco-fusco da noite seguinte
quando eu puder beijar voluptuosamente a lua outra vez.