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Como nos contos de fada.
Ainda me lembro daquele oi.É engraçado como a mente da gente só grava o que ela quer né? Bem que eu queria gravar os conteúdos das minhas provas do mesmo jeito que gravo cada detalhe das conversas com ele. Cada risadinha, cada "não dorme agora não", cada vez que ele foi um verdadeiro príncipe e fez com que eu me sentisse uma princesa. Se eu pudesse viver só os momentos bons, ficaria bem feliz. De verdade. Mas a vida não é conto de fadas né? E, ser e fazer apenas o que eu quero, não está na lista de opções disponíveis da minha vida. Não sei o que é pior. Se eu continuasse me iludindo com aquele sentimento de "agora vai dar certo" ou quando você disse que não seria bem assim. Me pergunto: e se eu tivesse negado quando você perguntou se eu gostava de ti? Será que ainda seríamos amigos? Será que esse sentimento ia passar? Porque a gente só quer o que não tem. Só o que é dificil. Só o que nos faz lutar. Achava que meu orgulho sempre falaria mais alto do que tudo. Que eu podia chorar só no banho, enquanto ninguém me visse. Que eu teria que ser forte e me fazer de durona pro mundo. Mas aí você apareceu. Fez com que eu me sentisse segura. Fez com que eu saísse da minha armadura de "tô bem como estou". Mas não só isso. Você fez aflorar em mim uma outra menina. Uma menina que via beleza e carinho em tudo; Uma menina que só não saia assoviando com os passarinhos, como no conto da Branca de Neve, porque eu não sabe assoviar. Uma menina que sentia um calafrio percorrer o corpo todo quando teu nome surgia na tela do celular. Mas aí, tudo mudou. Acho que essa menina sufocou a nós dois não é? Ela me encheu de expectativas e te encheu de incertezas. Vale o dito popular, "Quando um não quer, dois não brigam". Você não quis. Não brigamos. Só nos afastamos. Mas você levou algo consigo, algo que me pertence. Você levou uma parte de mim. Eu conheci o lado triste dos contos de fadas. O lado em que o princípe vê que aquela não era a princesa que ele procurava, e sai em busca de outra. E ela fica lá, pensando no que fazer, chorando não só no banho, mas em todo lugar que lembra dele.Mas (sempre esse mas, né?!), essa não foi o primeira decepção da princesa. E nem será a última. Ela já sabe. O amor não mata, pelo contrário, ele ensina a viver. A princesa volta pra armadura, e se torna guerreira novamente. Esquece o princípe encantado por um tempo, porque, ao voltar pra armadura, ela tem que sair pra guerra. A vida voltou ao seu ritmo normal. O tempo voltou a passar na velocidade comum. Agora ela só enxerga a praticidade de tudo. Até a noite. Á noite, tudo volta. Ela se lembra dos detalhes. Ela traz pra si tudo de bom que o príncipe lhe mostrou. Chora. Sofre um pouco. Mas logo cai no sono. E depois disso, ela percorre o mundo dos sonhos, onde tudo é lindo e perfeito... Só que logo o dia amanhece, e ela se lembra que o reino dela não é o único. Que ela não foi a única princesa a escolher o príncipe errado. Que muitas outras, nem erram no príncipe, saem beijando sapos mesmo. Ela sorri ao lembrar que não está sozinha. Pelo contrário. Existem muito mais princesas passando pela mesmo coisa que ela. Hora de sair da cama. Novo dia, novas batalhas. Mesmo sem príncipe, ela ainda se sente uma princesa. E aquela menina que queria assoviar junto aos pássaros, volta a habitar dentro dela. Ela finalmente entendeu, que não depende de ninguém pra ser feliz. Que enquanto ela estiver feliz consigo mesma, a felicidade com outra pessoa será consequência. Ela sorri novamente. E você, princípe, já decidiu o que vai fazer? A princesa pode ou não, estar a sua espera. Aja como um verdadeiro cavaleiro da armadura prateada. Monte em seu cavalo (ou suba na moto, no skate, dirija o carro ou até mesmo vá a pé) e vá ser feliz. Garanto que no meio dessa felicidade, você encontrará a sua princesa. E vocês serão felizes para sempre. Juntos. Como nos contos de fadas. Dedicado a cada princesa que viu no bobo da corte, o seu príncipe.
Sentimento simétrico.
Muitos não entendem, não compreendem. Eu faço meu melhor, mas um sentimento é complexo demais, o que faz dele um segredo indecifrável. O sentimento nasce no olhar, na palavra, no abraço, ou no carinho dos pequenos atos. Mas assim como uma centelha de chama pode se alastrar e tornar-se um grande incêndio, um sentimento que antes tímido, pode vir a ser a coisa mais importante da sua vida. Quem sente muito, sofre muito. Quem sente pouco, sofre muito. Por que? Uns sofrem por sentir, outros pela falta que faz esse sentir. São dias cheios, e pessoas vazias. São horas incontáveis de confusão a quem muito sente. O sentimento cega. Por isso, o amor é cego & o ódio também. Ambos são essenciais, mas nenhum deles traz o necessário sozinho. Se precisam. Se completam. Essa é a dor de quem sente sozinho. Falta o que o completa, e esse espaço é preenchido por ilusões, cenas fora da realidade e um olhar perdido no horizonte. Se espera que um dia alguém chegue, como num barco, ancore o riso as margens do nosso coração e decida ficar, fazer do nosso peito, seu lar. No fundo, o que se busca, é alguém que encontre seu olhar ao pôr do sol, que seja o encaixe perfeito pras tuas mãos. Dizem que devíamos ser simétricos, para que fossemos completos por nós mesmos. Mas isso não existe. Temos um olho maior que o outro, um pé diferente do outro... Talvez por isso, vagamos por aí, em busca dessa simetria. Por mais que ela não seja perfeita, mas que em algo se complete. No encaixe dos lábios, no compasso das batidas do coração, no encontro dos corpos. Quando bate a saudade, esquecemos de buscar essa simetria. É nesse momento que vem as confusões, porque nada se encaixa. Tentamos mudar, giras as peças do quebra-cabeça, mas não tem jeito. Elas não foram feitas umas pras outras. Assim somos nós dois. Não fomos feitos um pro outro, mas insistimos em tentar nos completar. Um erro. Nego a alegria momentânea pela felicidade completa. Mas você me trouxe um outro sentimento. O medo. Medo da solidão. Tem momentos que me vejo como o quebra-cabeça que perderam as peças. Que sempre faltará algo. Tenho também a impressão, que esse algo é você. Dói um tempo até me acostumar. Você encontrou a sua simetria em outro alguém. E é assim. Eu que já fui centelha, faísca, fogueira... Hoje sou queimada, sou incêndio. Coração de brasa incandescente. Não nos completamos, mas eu me acostumei. Como eu disse, amor e ódio cegam, porém eles também se completam. Eu sou o amor, e também o ódio. E sei que pelo mundo alguém vaga como eu, se sentindo o mesmo quebra-cabeça incompleto, o mesmo sorriso assimétrico, o mesmo amor e ódio. O mesmo incêndio onde falta combustível. Eu espero.