“O que acha de responder uma pesquisa, huh? É pra o meu TCC.” Gisèlle brincou. Aquele era um trabalho um pouco incomum, mas até que estava empolgada para fazê-lo. Não era segredo que gostava de falar pelos cotovelos; além disso, seria uma bela oportunidade de conhecer melhor as pessoas do castelo.
Mal esperou que a respondessem, contudo, e pôs a mão atrás da orelha, como se apurasse a audição. “Espera, eu ouvi um sim? Yay! Pergunta numero um...” trouxe a prancheta de volta para a vista, passando o indicador em baixo das palavras ao lê-las em voz alta. “Qual é o seu nome?”
Filha de um casal de farmacêuticos donos de uma pequena farmácia de vila. A Myunghee sempre está no balcão para atender a galera. Mas ela gosta mesmo é de indicar plantas medicinais para a moçada, porque sai mais barato. Como a moçada é pobre boatos que às vezes ela desvia uns remédios para a galera humilde, porque ela não consegue ver gente com dor e passando necessidade. Resultado? Óbvio que ela apanha dos pais dela. Mas ela pensa: Se for pra ir para a igreja e ouvir a palavra de Deus que seja para cumprir mesmo, então ela ajuda o próximo sim.
Falando em igreja os pais dela são quase fanático religioso, pensa numa moçada bem preconceituosa e tradicional? Eles castigam ela e os irmãos dela através da violência física e verbal. Eles apanham por QUALQUER coisa, porque ambos os pais descontam a raiva do casamento fracassado nos filhos. Eles obrigam os filhos a lerem a bíblia TODO santo dia, ficar orando ajoelhado no milho por serem fruto do pecado. (como se ninguém transasse né)
A Myunghee é a única filha mulher e a que mais sofre com o machismo dos pais e irmãos, a menina sempre tem que ficar quieta quando os macho fala e ela fica ANGUSTIADA com isso. Às vezes ela fica porra loca e começa a gritar e mandar a real pra todo mundo, mas ela fica de castigo e presa dentro do sótão por dias.
Mas embora dentro de casa as coisas sejam tensas, a Myunghee finge que ‘tá tudo bem e que ‘tá tudo de boas, porque ela não quer ninguém preocupado. A famosa palhaça do bairro (quando os pais não estão pertos, óbvio). Ela é viciada em maconha. Não sabe o porquê, mas é só com a maconha que ela consegue aguentar os pais dela. Eles nem sonham que a menina fuma e ela prefere que isso continue assim
TW: HOMOFOBIA
os pais dela são homofóbicos pra porra. boatos que eles viram a Myunghee beijando uma menina e ela foi exorcizada além de apanhar pra caramba. resultado? não deu em nada. Mas por ela ser lésbica e segundo as ideologias dos pais, a Myunghee acredita estar doente e nem se vê mais como ser humano. Mas ela finge que foi curada né. “Beijar mulher? Muito bom. Quero de volta. Opa. Mentira. Beijar não.” A MYUNGHEE EM UMA FRASE
Aspirante a poeta, a Myunghee sempre tá com um caderninho pra escrever as suas poesias. Esse caderno é a coisa mais preciosa pra ela, porque é onde ela pode se ver livre. Ela tem um puta medo de amar e ficar apaixonada, então quando ela ‘tá perto das crush ela fica toda tímida. Ela sai de casa às vezes e não volta por dias, porque ela sabe que vai apanhar de qualquer forma mesmo. Então sair de casa é a melhor coisa que tem pra ela, porque ela pode ser liberta das amarradas da família.