plĂĄstico
hoje eu chorei de novo por causa de vocĂȘ. bebi um pouco, fiquei meio alta e no ĂŽnibus comecei a chorar que nem um bebĂȘ.
te vi na rua rindo. te vi. eu queria muito ter evitado isso porque toda vez que eu te vejo preciso provar para mim mesma que a minha vida nĂŁo depende das coisas que vocĂȘ me disse. vocĂȘ nem lembra daquilo.
eu lembro.
e todas as minhas amigas lembram porque toda hora eu choro pensando nisso. acho que eu choro porque Ă© verdade. porque nao tinha nada mais cru que o seu racismo e porque eu sinto na pele o Ăłdio irracional, as crĂticas, os olhares...as frases e a exclusĂŁo.
eu te amava eu acho. eu amava o seu cabelo pelo menos, mas nĂŁo tem um fio dele que jĂĄ tenha passado pelos sentimentos que eu passei por causa das coisas que vocĂȘ me disse.
outro dia vocĂȘ me viu na rua e me cumprimentou normal e perguntou da minha famĂlia e eu tava segurando o choro forte bem forte e meu coração bateu muito rĂĄpido eu perdi o ar e parecia que eu ia morrer. eu queria morrer. tipo hoje quando eu chorei no ĂŽnibus por causa de vocĂȘ.
vocĂȘ me tirou o ar quando eu era criança porque eu te achava lindo.
vocĂȘ ainda tira o meu ar, mas nĂŁo tem borboleta no estĂŽmago e nĂŁo tem mais nada em mim. vocĂȘ tirou tudo.
mas sĂł por alguns segundos. depois eu lembro que eu existo. e eu existo antes das suas palavras e que tenho amigos que te dariam um soco por me fazer chorar, sĂł que o foda Ă© que eu vou levar um tempĂŁo para esquecer essas palavras que vocĂȘ diz com uma facilidade enorme e vocĂȘ nem percebe que falou.
eu sou o planeta e as suas palavras sĂŁo o plĂĄstico. demora um tempĂŁo para decompor uns trĂȘs minutos de utilidade.














