Mort.
Vanessa:
Duas horas da tarde, acho que dormi demais. Ou talvez não...
Eu vou para Inglaterra em algumas horas, e nem a minha mala está pronta.
- Vanessa! – minha mãe gritou. – já arrumou a sua mala?
- não, Carla. – não chamo a minha mãe de mãe.
- então arrume garota irresponsável. Que bom que está indo morar com o seus avós. – suspirou e saiu do quarto batendo a porta.
Comecei a arrumar as minhas coisas, ela tinha conseguido.
Meu pai morreu quando eu tinha dois anos, meus avós paternos são os únicos que realmente gostam de mim. Minha mãe se casou com um cara chamado Igor, ele é horrível. Grosso e tosco perfeito para ela. E ele tem um filho com outra mulher, Paulo, e um com a minha mãe, Breno.
Já fiquei com o Paulo muitas vezes, nada sério. Ele é melhor que o pai, mora com a mãe. O Breno é um idiota. Tem dez anos e acha que manda em algo.
Nada me prende aqui, nem minha mãe, nem meus avós maternos, nem o Breno e nem o Paulo, já que tudo não passou de um casinho.
- quando chegar lá, não ligue. – minha mãe disse assim que entramos no carro em direção ao aeroporto, Igor, Paulo e Breno estavam conosco.
- não se preocupe quanto a isso, pode fazer de conta que não existo assim que me deixar no aeroporto. – sorri cinicamente.
- não seja má agradecida. – Igor disse, me olhando torto.
- não estou sendo má agradecida, Igor. – respondi.
- chegamos! Não me mante cartas, não me mante e-mails e não pense em fazer visitas. Adeus, Vanessa. – minha mãe disse algo que estive escutando desde o dia em que ela me contou que eu iria para Londres.
- certo. Adeus, Paulo, Breno e Igor. E ah, adeus mãe. – bati a porta e peguei as minhas malas.
Quem sabe lá eu seria mais feliz?!
Narradora:
- o que você quer Elizabeth? – Carla disse ao atender ao telefone, com certeza era uma bronca da ex-sogra por tratar tão mal a filha. – como ela não chegou? Eu a vi entrando no aeroporto! – ela bufou. Garota irresponsável. – isso não me importa, ela é sua responsabilidade! – e desligou sem esperar respostas.
- qual era o voo da Vanessa? – Paulo perguntou desesperado.
- acho que 197. Por quê? – Carla respondeu desinteressada.
- um dos aviões para a Inglaterra caiu. – Carla o olhou. – todos morreram! Ninguém sobreviveu! – ele disse. Ela ainda não tinha compreendido. – e o voo era o da Vanessa! É por isso que ela não apareceu em Londres, o avião dela caiu! – ele disse ainda mais desesperado.
- ah Paulo, ela deve ter se perdido. Ela é uma tonta, você sabe. Nada demais, logo ela estará lá. – suspirou infelizmente ela acreditava nisso.
- eu disse Carla! Ela está morta! – Paulo disse, irritado e chateado.
- como morta? Ela está viva! Isso é uma brincadeira! – Carla retrucou.
- ela está morta! Mas você não se importa, não é? Você nunca ligou para ela. Sempre a menosprezando, ignorando e maltratando! Por quê? Hein? Por quê? Você á entregou para morte, Carla! Ela morreu em um acidente de avião, porque você não a suportava! Mas não a suportava por quê? Porque pedir atenção e carinho? É por isso? Olha, eu não sei exatamente a historia de vocês duas como mãe e filha, mas sei que se fosse a minha filha, eu estaria indo agora no aeroporto para saber de mais detalhes, preparando um funeral e a enterrando como deve. Porque, por mais que você não gostasse dela, ela gostava de você. Não demonstrava, mas gostava. Eu via nos olhos dela quando você gritava com ela, dizia coisas ruins e a humilhava. Então, eu sinceramente, espero que você honre a filha que teve! – então, saiu batendo o pé.
Era revoltante ver que a própria mãe entregou à filha à morte, doía só de lembrar que jamais viria novamente a Vanessa.
Tinha-se lembranças boas de Vanessa, eram das quais teria que focar para recolher o orgulho e ir saber da filha.
Aquela garota que havia morrido em um acidente de avião, enquanto viajava para casa dos avós na Inglaterra porque não tinha amigos, ninguém se importava com ela e a mãe odiava, era Vanessa Boursheid. Filha de Greg Boursheid, neta de dois alemães, os únicos que a amavam.
Os avós maternos e a mãe, não eram o exemplo de amor perfeito. Eles não ligavam para ela.
- Ah, então... Eu descobri que você estava morta á algum tempo Vanessa e infelizmente, eu fui culpada. Eu nunca te odiei, mas você me lembra o seu pai. Ele também era loiro, os olhos também eram verdes. A pele dele também era clara e ele era alto como você. Então, me perdoe por ter sido essa droga de mãe, eu só queria te dizer que eu te amo muito e sinto tanto por nunca ter dito nem demonstrado. Bem, adeus querida.











