Açúcar queimado – Avni Doshi
Esperava mais do livro! A tradução, a meu modo de ver, é muito ruim... Não se obedecem as regras de português e isso me incomoda na leitura. Cheguei a escrever ao editor que, tendo defendido uma tese que a literatura deve “abraçar as mudanças da fala”, com o que não concordo, ainda mais em uma tradução. Uma coisa é o português da literatura admitir expressões, regências e outros desvios que ocorrem com frequência na língua falada, dentro de um contexto brasileiro. Outra, a meu ver, é uma tradução que se dá a liberdade de achar que “convenço ela”, “me recordaram”, “a mudança foi por demoção” (essa então! É de matar!!! Só na cabeça da tradutora existe essa palavra, que nunca ouvi falada em lugar nenhum!). Ainda, a tradutora não se deu ao trabalho de explicar as palavras do hindi utilizadas.... notas do tradutor seriam muito bem vindas para a leitura do livro que menciona, por exemplo, “memon” (um grupo étnico da antiga India), thali (prato) e nimbu pani (limonada), entre muitos outros termos desconhecidos para o leitor.
Enfim, isso me incomodou, mas mesmo assim persisti pois achava que a história seria maior que esses problemas, uma vez que trata da relação difícil de uma filha com sua mãe, que está em processo de demência, frente à necessidade de cuidar de alguém que, do seu ponto de vista, não cuidou adequadamente dela.
Ela vai contando a história num vai e vem de tempo, contrapondo o que seria o “presente” (sua mãe já no processo de demência) e o que foi ocorrendo no passado de uma, outra e das duas, sempre tentando guardar para o final o ponto mais difícil de seu relacionamento com a mãe, que transparece no trabalho artístico da filha.










