Acho que hoje, eu não estou te amando... Não com a mesma intensidade, não com a mesma ansiedade... Porém, não te disse, deixei que pensasse que te amava como em todos os outros dias, um amor perfumado e incapaz, incapaz por si só, incapaz em nós, mas existente dentro de ambos. Hoje eu me permiti, permiti que não sentisse, permiti não te amar. Porque hoje eu acordei desconfiada, decidi não acreditar, escolhi te levar como um paquera que há pouco conheci. Mas eu também não deixei que fosses embora, porque em minhas entranhas o sangue ardia por uma palavra sua, calorosa, que confortasse a minha desconfiança e amparasse as minhas angustias, mas elas não vieram... As espero até agora. Mas esse agora parece não ter fim. Relevo os cumprimentos e penso somente em nós... E vejo que já estou te amando novamente, mas dessa vez, sozinha... Desamparada... Eu amo e me calo, pela vontade de querer que adivinhe a necessidade que tenho de você. Calo-me para evitar sinais, atos espalhafatosos e previnir que confesse o que sinto a você, porque hoje eu acordei com o orgulho afiado, mas uma vontade de quebrar barreiras por você. Acordei meio sem rumo, com uma mensagem sua, que ao ouvir sua voz me fez adormecer. Timbre tão suave, que tanto me conforta. Afinal, descobri que mesmo sem te amar eu já estava amando, descontrolado sentimento que afugenta e estranha. Não queria te amar hoje, queria poder te esquecer de vez em quando, para ver se não sentia tanto a sua falta, se parava de pensar no seu sorriso, no modo como retorce os lábios, ou como me encarava doce e desesperadamente. Nada mais tenho a afirmar, constatações não me são suficientes para explicar, listar, dimensionar as palavras que não me chegam, o vazio que não me faz mais parte. Porque, hoje, eu acordei com uma vontade de você que meu corpo quis não te desejar.
Áspera Verdade











