why being so hard with yourself II Angel & Eros
Os ligeiros clarões provenientes dos flash da câmera fotográfica pareciam estar testando a capacidade de Angelina manter os olhos abertos. Não pode deixar de esboçar um sorriso ao receber um aceno do canto extremo a direita da sala indicando que agora era a vez de outra candidata. Em passos vagarosos, evidenciando uma certa leveza ao tocar a sola do seu sapato no chão, seguiu até a direção indicava. Chamou sua atenção uma mesa coberta de um luxuoso buffet. Decorações douradas além de deixar a aparência dos comes mais sofisticada, atraia olhares de quem chegava. Ou talvez fosse somente o aroma delicioso que emanava dali.
O seu estomago roncou, consequentemente a ruiva preocupou-se em verificar se alguém próximo a ela tinha escutado tal barulho que soaria como uma afronta aos costumes aprendidos no seu oky-ia, algo que com certeza valeria para a competição também. Desde que acordara, somente ingeriu líquidos. Por que fez isso? A resposta era simples e sem o mínimo de bom senso. Não queria engordar. Nunca teve problemas com seu peso, mas quando pisara os pés na incrível mansão rodeada de câmeras, e olhara as candidatas impecáveis, se viu disposta a refletir.
Tinha que dar o melhor de si. Estar perfeita. E a perfeição era rigorosamente fiscalizada. Portanto uma grama a mais poderia fazer toda a diferença. Poderia lhe custar sua vaga. Poderia lhe custar o fato de voltar para casa sem as respostas que tanto procurava. Precisava de tempo. Durar a máximo que pudesse ali dentro. Se encaixar nos padrões seria a forma perfeita de conseguir aquilo. Por isso, concluiu que: sem comida, sem peso extra. No entanto aquilo lhe custava um incessante vontade de querer devorar qualquer alimento que colocassem em sua frente. Passara a negar educadamente, mas por dentro, só queria poder aproveitar a iguaria.
Repleta de fome, seguiu a mesa atrás de alimento. Ao morder um pedaço de um petisco que não saberia dizer o nome, uma porção de emoções borbulharam em seu paladar. Providenciando uma sensação de prazer inigualável. Aquilo estava melhor do que imaginara. Sem pode se conter, pegou outro, e em seguida, outro. Não saberia dizer o numero exato, mas sabia que não era bom ter exagerado de tal maneira. Com a culpa rondando seus pensamentos, despediu-se dos conhecidos rapidamente e , apressada, seguiu em direção ao banheiro mais próximo. Tendo a certeza de que a porta estava trancada, ajoelhou-se em frente ao vaso sanitário. Tinha plena noção de que não deveria fazer aquilo. Mas faria. Pelo seu bem, pela sua estadia na competição, pelo corpo perfeito.








