“Angel,” o americano começou, seu rosto assumindo uma expressão séria, “eu nunca vou deixar de ser trouxa. Você já deveria saber disso, a essa altura.”, completou, um sorriso divertido se alastrando por seu rosto. “E, ouch!”, reclamou, afastando o travesseiro com o qual a gueixa resolvera atacá-lo. “Por que tanta agressividade a essa hora da manhã, huh?”, questionou, fazendo um bico infantil. Diante das próximas palavras ditas pela ruiva, seu sorriso se suavizou, ganhando traços de gentileza. “É, eu sei que sim. Não tenho como agradecer o suficiente.”, admitiu, os olhos claros fixos nos dela. Compreendia a sua situação e o risco que Angel correra ao lhe deixar entrar em seu quarto, especialmente no horário em que decidira fazê-lo; ainda assim, ela não parecera se incomodar, o ouvira e permitira que ficasse ali aquela noite. “E não se preocupe, eu fui cuidadoso. Além do mais, se causar algum problema para você, eu assumo a responsabilidade. Digo que invadi o seu quarto contra a sua vontade e desmaiei no tapete assim que entrei. Qualquer coisa assim.”, encolheu os ombros. “Eu não gostaria de ver você eliminada. Como eu vou suportar esse lugar se você não estiver mais aqui?”, indagou, dramaticamente. “Não vou conseguir. Ter você por perto virou uma necessidade.”, afirmou, e não estava brincando; a despeito do pouco tempo que se passara desde o evento em que conversaram pela primeira vez, Angel se tornara uma amiga muito próxima. Ela o entendia como poucas pessoas o haviam feito em sua vida inteira, e sua companhia era divertida e inigualável; não podia deixar de pensar que, fossem as gueixas realmente seu objetivo, não se incomodaria em ‘comprá-la’ (embora a palavra, quando relacionada a pessoas, ainda lhe soasse estranha). Sua razão para estar ali, no entanto, era outra: assim – e embora houvesse prometido a si mesmo que não se ateria a favoritismos –, não podia deixar de desejar o melhor para a finlandesa. Como diria se ainda estivesse em sua antiga posição de mero espectador, fazia parte de sua torcida.