Soa um pouco audacioso a forma como o nosso cérebro prega peças na gente. Sem haver nenhum motivo aparente, ele cria situações improváveis e impossíveis de acontecer, através de sonhos que me desmontam um pouco, admito. A vida segue diariamente traçando rotas e histórias tão diferentes de qualquer coisa que eu pudesse prever, meus pensamentos estão tão longes ultimamente, e mesmo assim, algo em mim acende, como quem diz “você nunca vai conseguir esquecer” e isso é tão cruel e injusto com a realidade. E como se eu mesma me traísse, como seu eu estivesse sendo completamente errônea com o caminho que eu escolhi e continuo escolhendo dia após dia. Eu não sou a mesma pessoa que eu era a 15 anos atrás, mas há muitos resquícios ainda daquela garota. E quando por ventura minha mente resolve pregar essas peças, eu me sinto mal, eu choro. Estou chorando nesse exato momento, enquanto digito essas palavras, porque eu não consigo lidar com isso. Sonhos lúcidos me trazem uma tristeza tão grande, porque eu sempre fico balançada entre a razão e a emoção, e eu não consigo viver nada disso direito. É sempre uma culpa, e ao mesmo tempo, um afago por saber que eu segui o que achei mais seguro para mim mesma. Mas dói, meu Deus, como dói, como está doendo. Anos se passam e como num passe de mágica, eu me vejo da mesma forma que me via a anos atrás, no começo de toda essa história que se criou a mais de 15 anos. Me dá desespero profundo estar me sentindo assim, porque não é justo com ninguém, mas principalmente comigo mesma. Porque eu não posso somente seguir em frente?