My dear cousin • Selene & Amelie.
Sentada em sua penteadeira, Selene analisava seus ferimentos. Havia alguns pequenos espalhados pela pele alva de seu rosto, porém o maior localizava-se próximo ao seu couro cabeludo. Além do corte – a lady sequer possuía o conhecimento de que o material do qual a estátua era composta poderia ferir-lhe daquela maneira –, o local estava púrpura. “Que droga” murmurou baixinho consigo mesma, enquanto ainda inspecionava o maior ferimento. Selene sabia, algo em seu interior lhe dizia que comparecer ao evento não seria uma boa ideia. E agora estava ela, ferida fisica e emocionalmente. Os olhos azuis no espelho a fitavam com uma expressão diferente, uma estranha mistura de amargura e compaixão. Cansada de olhar para o próprio rosto e da auto piedade, Selene dirigiu-se para sua cama e deitou, esperando que o sono logo viesse e a levasse para um mundo melhor.
As pálpebras haviam acabado se fechar quando escutou baixas e delicadas batidas na porta. Desconfiada e confusa, se levantou e com poucos passos estavam em frente a grande porta de madeira. Abriu-a delicadamente, deixando apenas uma pequena fresta para ver a pessoa do outro lado. E logo que a viu, estranhou. Ali estava Amelie, a rainha, parada em frente a porta de seu quarto. Selene analisou ao espaço ao redor dela. Nenhum guarda. Estranho. Pelo sangue, ela era superior a todos naquele reino. Não deveria ser anunciada, ao menos? Voltou os olhos azuis para a prima, estreitando-os, mesmo que o movimento causasse dor. Olhar para ela doía de todas as maneiras. Haviam sido criadas juntas, praticamente, e embora não fossem nada parecidas, Selene a amava. Entretanto, tal sentimento e relação foram abalados quando a notícia de que Amelie ordenara a morte do tio chegaram aos ouvidos de Selene.
— O que faz aqui, Majestade? — questionou com o habitual tom baixo e gentil. Afastou-se da porta e então a abriu completamente, abrindo espaço para Amelie entrar caso quisesse. Não sabia o que ela queria ali, mas estava disposta a ouvir qualquer coisa que a prima dissesse.