⧼ abigail cowen, costureira, feitiçaria, AMETISTA ⧽ — Eu, MAEBH GEALACH, 23 anos, vinda de OSFRID, OSFRO, me comprometo a realizar o requerido junto à Corte de Luz, deixando minha antiga vida para trás, e assumindo, desde já, os encargos deste serviço, nos termos deste contrato.
𝐑𝐀𝐆𝐎𝐓𝐄𝐑 —
Expulsão. Aidan Gealach ouviu a sentença com um estremecimento mínimo o suficiente para que nenhum dos habitantes da vila pudessem perceber; não quando a expressão do líder religioso seguia rígida e firme, possível de ser alterada pelo sétimo pecado capital. Foi assim que a tão devota família Gealach da pequena vida que haviam construído suas vidas e reputação.
Maebh mal tinha alcançado a adolescência quando tal infortúnio aconteceu – aliás, talvez não tão desafortunado assim. Afinal, estariam mais afastados da civilização mundana e dos pecadores como nunca, o que seria perfeito para a menina e seus irmãos mais jovens se conectarem mais com a palavra de Uros. Pela sua posição de única mulher da família além da mãe, fora o fato de ter outros irmãos mais jovens, uma maturidade fora do comum era cobrado de Maebh; além dos trabalhos domésticos básicos, ela haveria de ser o exemplo de devoção principal dentro de casa. E caso não cumprisse isso com rigidez no seu dia a dia, recebia castigos severos por parte dos pais. Talvez por isso a devoção de Maebh ao Todo Poderoso fosse tão alta, rezando diariamente por perdão de pecados que ela nem sequer havia cometido.
Mas o ambiente mudou quando, mesmo em ambiente tão remoto, os filhos de Aidan e Gwendolyn foram encontrados e postos a teste pelo amplificador de poderes. Por mais que os pais fossem completamente contra qualquer contato das crianças com aquele tipo de situação – um dos muitos artifícios que consideravam obra do Anjo Caído, mesmo que a maior parte da sociedade devota à Uros visse essa opinião apenas como um exagero proferido por fanáticos – foi o que aconteceu. E para o terror da família e da pequena Maebh, a garota não havia apresentado qualquer poder: mas sim, o da feitiçaria. Não precisou de mais para que considerassem a garota uma obra do inimigo, mandada para destruir a fé da família de dentro para fora. Na mesma noite, Gwendolyn por pouco não degolou a menina enquanto dormia, deixando Maebh com nada mais do que uma cicatriz no pescoço e numa situação de vulnerabilidade extrema. Pouco depois, ela já estava longe do pequeno casebre do campo, e partia para o campo de treinamento para se tornar uma garota de luz.
O início do treinamento foi tomado por pesadelos, traumas e tristezas de uma Maebh tímida, retraída e insegura ao extremo. Ainda possuía o hábito de rezar para Uros todas as noites, e em algumas dessas orações, pedia perdão por ter nascido daquela forma e rogava para que Ele levasse-a consigo o mais cedo possível. Contudo, dizem que o tempo cura tudo – ou quase tudo. Os anos se passaram, e Maebh se acostumou com a rotina, com as novas companhias, e lentamente sua personalidade foi se moldando, parte pelo que era ensinado por Madame Culpepper, parte em como foi refletindo sobre sua vida com a antiga família que, depois de alguns anos, ela não veio mais a sentir falta.
Se mostrou uma garota inteligente, comunicativa, e de aprendizado veloz. Não repudiou completamente sua fé em Uros, mesmo que ela tenha diminuído, e as rezas diárias praticamente cessado. Ainda assim, os anos estudando os livros sagrados – mesmo que de forma distorcida – a fizeram uma das melhores aprendizes na matéria religião. Já se tratando de política, Maebh não podia se interessar menos. Já sobre o casamento, fato é que a ruiva não tem qualquer ambição em encontrar um milionário. Mas qualquer lugar melhor do que sua antiga casa já lucro para ela.
𝐂𝐎𝐍𝐃𝐔𝐈𝐓𝐄 —
Diferente da garota magrela e tímida que pela primeira vez pisara no campo de treinamento, Maebh desenvolveu e amadureceu, e se tornou uma menina bonita, inteligente e bem humorada. Possui uma docilidade peculiar, visto que esta podia ora se pautar na sinceridade, ora na ironia. A acidez e brincadeiras de mau gosto também se tornaram parte da personalidade da ruiva; afinal, eram também seu escudo para não revelar as fraquezas e inseguranças que ainda carregava desde a infância. Sabe muito bem fazer brincadeiras mórbidas, e achar graça do desespero e desgraça daqueles que despertam sua antipatia, sendo capaz de deixá-los para a morte caso não fosse do seu interesse ajudar. Porém, para aqueles que conquistam sua amizade, Maebh se mostra doce, prestativa e amável.









