Sobre Cristiane e nossa história sem fim:
Eu não sei por onde começar a explicar a saudade que tem tomado conta de mim, então, começo relembrando nosso primeiro encontro, quando entrei no carro dela e aqueles olhos verdes, enormes, vivos e sorridentes, lançaram uma luz intensa sobre tudo que estava apagado em mim. Era uma noite de um domingo de julho, escura e fria, mas o calor que irradiou do nosso primeiro beijo aqueceu não só os nossos corpos, como as nossas almas, e tudo mais que nos rodeava.
E o primeiro beijo foi, no mínimo, engraçado: "tô esperando tu me beijar", disparei. Ela sorriu, tímida, me olhava de canto e questionava: "sou eu que vou ter que te beijar?". Estávamos ambos em uma altura da vida em que flertar já se tornara algo embaraçoso. E assim nossos corpos se aproximaram, nossos lábios se tocaram. Estávamos parados em uma rua qualquer do centro da cidade, e o mundo fora dali já não girava mais.
O primeiro encontro durou pouco mais de duas horas, mas houve outro em seguida, e mais um. E eu arrisco dizer que, até uma breve despedida, ainda vínhamos vivendo o nosso primeiro encontro. Ah! Como eu desejei que esse amor acontecesse... Estávamos um para o outro, não só com os corpos, mas com os corações nus, expostos e dispostos. E nada mais era necessário, pois o nosso toque fazia arder a pele. Gozar era de praxe, mas tínhamos muito mais do que o prazer fisicamente etéreo, nossos corpos juntos formavam um acorde maravilhoso, que não nos cansávamos de ouvir.
Mas como toda boa história de amor, houve um erro. Meu erro. Milhões de caquinhos de corações voaram pelos ares. Eu não estava acostumado com o amor, eu nunca soube ser amado e, quando aconteceu, eu não soube identificar que estava diante do meu primeiro grande amor. Partimos, partidos. E, sentado diante de todos aqueles estilhaços, atônito, eu demorei muito tempo pra começar a tentar reunir todos eles novamente, eu realmente não sabia que ser amado era daquele jeito, eu não sabia que Cristiane era o meu primeiro grande amor (e sim, essa frase está repetida propositalmente).
Por outro lado, como toda boa história de amor, há de existir sempre um recomeço, uma nova chance; e cá estou eu, diariamente tentando juntar cada pedacinho daqueles corações. Porque hoje eu sei que Cristiane é meu primeiro grande amor, o grande amor da minha vida. E seria um ato de extrema covardia seguir a minha vida remoendo a ausência daquele sorriso, daquele olhar, do toque macio daquela pele, das noites passadas "de pés dados". Eu seria absurdamente covarde se, por acaso, não lutasse pelo amor mais sincero que um dia eu pude sentir.
Então hoje recomeço a escrever mais uma história sem fim, sobre esse meu primeiro grande amor, pois como toda boa história de amor, a nossa história não merece um ponto final, mas sim as reticências que levam tudo ao infinito, o infinito que tem a beleza do sorriso dela, e brilha o brilho daqueles olhos, e é sereno como o toque dos seus lábios. Todo infinito começa num encontro de almas, todas as reticências tem lugar onde os corações ainda guardam amor em si. Eu não sei por onde começar a falar sobre a saudade que eu sinto, mas eu conheço o caminho de volta, e eu também sei que não existe final.