Um dia, por acaso, caí em um iceberg. Posso dizer que ora ou outra, era até que quentinho, era até que confortável, era até que bom estar ali, as vezes. Só que as vezes aquilo me cortava, me dava medo, eu nunca poderia prever o meu fim e nunca pensei que o mesmo fosse doer tanto. Em um belo dia, o iceberg se partiu ao meio, e eu caí. Eu estava acostumada com o gelo, com os dedos roxos e a solidão de estar naquele lugar, parecia estranho mudar, parecia estranho cair no mar e correr o risco de me afogar ou simplesmente morrer congelada.
Muitos de nós vivemos em cima de icebergs. Vivemos acostumados com a frieza que encontramos e talvez seja um pouco masoquista aceitar viver com isso, pensar que “ok, talvez, eu possa mudar isso, talvez, eu seja quente o suficiente e poderei aquecer tudo por nós dois”, isso não é verdade. Tento acreditar que meu iceberg não era mau, ele não queria me machucar, não queria me deixar no meio do oceano, perdida, enquanto afundava sabe-se lá Deus para onde. Tento acreditar que agora o que era uma grande pedra dura de gelo se transformou em água do mar, e está desaguando em outros mares, em outros lugares, em outros amores.
Não vou mentir, foi um prazer te conhecer, que sua frieza nunca te atrapalhe, que nunca te tampe os olhos, que nunca deixe que o sol chegue até seus lindos olhos castanhos. Talvez agora você esteja perto de um vulcão, e quem sabe isso te ajude a esquentar.



















