And breathe, just breathe, whoa breath just breathe...
Quando os primeiros raios solares entraram pela soleira da porta, o judeu simplesmente jogou a coberta por cima da cabeça. Estava ainda muito cansado para se levantar, mas sabia que seria questão de tempo para o despertador o perturbar. A noite anterior tinha sido na esbornea e o rapaz de fato havia dormido não muito mais do que três horas e ainda sentia a cabeça latejar por causa da ressaca. Sim, Noah precisava parar de beber tanto e perceber que agora que havia saído da escola, já era um adulto e tinha que ser responsável. O relógio despertou as sete horas em ponto e Noah apenas suspirou virando o corpo para o outro lado, sua cama não era das melhores e muito menos o quartinho sujo que havia arrumado. Quando os amigos o chamaram para vir a NY, imaginou que teria uma vida diferente, claro que na cidade não tinha muitas piscinas, mas ele poderia se virar com outra coisa, por isso arrumou um emprego no Starbucks. Era um emprego legal e ele estava aprendendo a fazer coisas novas, mas o seu salário mal dava para ele viver. Tudo o que conseguiu, foi um quartinho pequeno e feio em um prédio muito velho perto da casa de Kurt, Santana e Rachel. Essa nunca foi a sua vibe, queria algo mais para si. Por isso lançou na internet que fazia bico de limpador de piscinas, talvez nas casas mais afastadas de NY, poderia ganhar uma grana e arrumar algo melhor. No entanto naquele momento era apenas o quartinho que tinha. Não tinha cozinha e muito menos uma sala, era um quarto pequeno e escuro – que lembrava motéis baratos – com uma cama, um garda-roupas e um aquecedor e um banheiro, nada mais. Assim que abriu os olhos sentiu a luz do sol arder nos mesmos, teria que levantar ou não chegaria a tempo no serviço e mesmo que não tivesse a mínima vontade de sair de lá, sentou-se na cama. Escutou o celular tocar e virou para ver a foto de Rachel piscando no visor, não tinha idéia do que a moça poderia querer com ele tão cedo, por isso a atendeu. – Alô. Disse com a voz arrastada de sono e um mal humor inconfundível. – Bom dia para você também Noah, estou te ligando para lembrar de se levantar e ir trabalhar, para lembrar também que hoje tem jantar com o pessoal lá em casa e para lembrar da sua amiga querida. Disse tudo de uma vez como sempre, praticamente sem respirar. Como ela conseguia isso, ninguém tinha a mínima idéia, o fato era que Rachel falava demais para alguém que estava acabando de se levantar com ressaca. – Tá Rachel. Foi tudo o que ele disse antes de desligar o celular e entrar no banheiro, tirando a única peça que vestia, a boxer. Enquanto tomava banho, lembrava-se de algumas cenas da noite anterior, bebidas, músicas e mulheres aos montes. Lembrou-se também de ter transado com uma no carro dela, mas não tinha idéia de quem fosse. Saiu do chuveiro cerca de meia hora depois, arrumou-se e colocou os óculos escuros indo para o emprego. Pegou o metrô e chegou lá em menos de quinze minutos, não era muito longe. Entrou pelo café sem falar com muita gente, foi se arrumar e em cinco minutos estava no balcão atendendo as pessoas. Definitivamente aquela não era a vida que Noah sonhava quando saiu de Ohio, porém sabia que certamente era melhor do que viver enterrado naquela cidadezinha do interior. Durante o dia ele tomou vários cafés, para ver se conseguia se manter acordado e quando finalmente terminou o seu turno, ele estava feliz por ter recebido muitas gorjetas. Como combinado foi para a casa de Rachel e lá chegando apenas a cumprimentou se jogando no sofá. – Eu não acredito que esse imprestável também foi convidado para o nosso jantar, ele mal consegue se manter em pé, me diga Puck quanto você bebeu ontem para estar parecendo o Charlie Sheen? Indagou Santana ao seu lado e ele não se deu o trabalho de abrir os olhos para dar uma boa resposta para a latina. Apenas continuou deitado aproveitando as almofadas bordadas, viadas e muito limpas de Kurt. – Deixa ele... está se adaptando a cidade ainda, tem muita coisa para gostar em NY, quando perceber como a cidade é fantástica, não vai querer sair daqui nunca mais. Disse Rachel dando um tapinha em suas costas. Novamente o rapaz sequer se mexeu, sabia que aquela talvez tivesse sido a pior idéia da sua vida, mas não estava com vontade de discutir com ninguém. Escutava as passadas dos amigos de um lado a outro, provavelmente arrumando o jantar. A campainha tocou e escutou a voz de Blaine e Sam no ambiente, ele os cumprimentou com um simples aceno, erguendo um dos braços, porém manteve os olhos fechados. – Eu trouxe o vinho. Disse Blaine abraçando os amigos, indo se sentar no sofá em seguida. Ouviu alguém se jogar no sofá ao seu lado e abriu um dos olhos para ver Sam colocando os pés na mesa de centro e pegar o controle remoto, como se estivesse na sua casa. – Puckerman quer se levantar daí, temos visitas mais legais e interessantes do que você para receber. Santana manifestou-se novamente dando um sonoro tapa na bunda do rapaz. Ele soltou um longo suspiro e então resolveu sentar-se no sofá. A latina passou por Sam tirando os pés dele de cima da mesa, o encarando com uma careta de poucos amigos. As próximas a chegar foram Brittany, Mercedes e Tina. Logo em seguida Artie. Santana mudou da água para o vinho assim que a loira chegou e ele se viu cercado de casais, Santana no sofá ao seu lado sussurrando com Brittany, Mercedes e Kurt conversando sabe-se lá o que e Blaine sentado no colo do Sam aos beijos. Revirou os olhos e se levantou indo para a cozinha, não ia mesmo ficar ali. – Já não estamos todos aqui? O esquadrão gay está me dando náuseas. Disse parando ao lado de Rachel que terminava de temperar uma bacia oceonagráfica de salada. A judia apenas riu enquanto levava algumas coisas a mesa. – Pára de ser implicante, eles estão apenas felizes. Devia fazer a mesma coisa, arrumar uma menina para namorar e parar de ficar nesse mal humor constante que tem desde que saiu de Ohio... não está feliz aqui Noah? Achei que fosse um lugar de oportunidades para todos nós... inclusive para você. Ele encarava a menina sem entender como alguém conseguia falar tanto sem respirar e por conta disso, não prestou atenção em metade das coisas que a menina disse. O rapaz apenas deu de ombros sentando em uma das cadeiras. – Essa cidade é um saco. Foi tudo o que disse pegando uma das taças que estava em cima da mesa e abrindo o vinho que Blaine trouxe – sem pedir licença – enchendo a taça e a bebendo quase inteira em seguida. Se tinha que aguentar aquele jantar demorado e cheio de recordações imbecis, também tinha que ter um pouco de álcool no sangue, mesmo que tivesse que trabalhar de ressaca no outro dia de novo.










