Tomada a coragem para dizer algumas palavras, não venho aqui com a intenção de incomodá-la, tampouco de roubar seu precioso tempo. Antes, devo admitir ter me rendido à tentação de supor que minhas palavras pudessem ser interessantes. Está aí o primeiro erro do homem: meter-se onde não foi chamado. E isso implica outro problema, que é, mesmo tendo consciência disso, cá estou eu, expondo-me sem necessidade, apenas para destilar através dos meus dedos o veneno do tesão. Pelo menos de falso moralista não podem me acusar. Motivo confessado, passo então ao que me ocorreu dizer, sem risco de represálias, pois se ciência tenho de meus desejos inconfessados, também o tenho dos limites, estimando por bem que não ultrapasso limiar algum que não me seja concedido permissão. Assim sendo, e peço desculpas pelo tom demasiado formal, por vezes exagerado, quero me ater ao vislumbre que é acompanhá-la aqui, e não somente pelas suas fotos, que merecem, cada uma delas, um texto próprio, tamanha é a força com que sobressaltam a imaginação de quem se depara com elas. Por falar nisso, até me perdi ao recordá-las. É piegas dizer como é fácil se distrair ao olhá-la, na ânsia de fixar cada detalhe sob as retinas? É como se aquilo que compartilha aqui desse a ver um pouquinho de quem você é, como se este mero vislumbre ajudasse a criar em mim uma imagem quase íntima de você, apenas porque adoro seu blog e porque me alegra quando vejo que curtiu algo que postei. Engraçado como projetamos o outro o tempo todo, não é? Isso é ser mutual? Talvez isso seja apenas eu sendo esquisito. Enfim. Falei, falei, falei e não disse nada. Me perdi. Queria dizer coisas bonitas, coisas legais, como, por exemplo, é fácil se perder no seu infinito particular, parafraseando Marisa, mas o fluxo de pensamento tem outros planos, e eu já estou ficando prolixo, sem saber se isso é uma ask ou se é ficção, e corre o risco de você nem ler isso, e talvez nada disso importe no fim das contas, era tudo só uma desculpa para vir aqui e dizer que sonhei contigo num mundo ensolarado, cuja luz sobre sua pele negra reluzia tanto a ponto de cegar quem a olhasse descuidamente, é preciso cuidado, cuidado ao olhar, sob a pena de nunca mais ser o mesmo depois ter cruzado olhares com você.