ᘛ featuring : @dehvsse ᘛ scenary : suíte 106
o vapor sobe preguiçoso pelo ar da suíte , ondulando como um véu invisível e transformando tudo ao redor num quadro embaçado . ali , parcialmente submersa na espuma grossa , com os olhos fechados e os fios dourados flutuando livres ao redor de sua cabeça , o tempo parece até parar . os sais espalham o aroma sutil de lírios elytheanos pelo lugar e é como se carissa estivesse longe . não exatamente em casa , mas em algum outro lugar sem alianças nem casamentos , sem precisar lidar com câmeras 24 horas por dia ou toda aquela rotação de pessoas . santa lyra sabe que ela não é de fugir de seus deveres , mas também não pode dizer que sentiu falta de tais coisas durante os últimos anos , quando sua viuvez serviu como justificativa perfeita para que pudesse desaparecer confortavelmente entre suas funções do dia a dia .
seus pensamentos , contudo , são interrompidos por um barulho . este não é muito alto —— na realidade , é sutil o suficiente para que a loira se questionasse se havia sido impressão sua . ❛ antonia ? ❜ ela chama por sua criada , a voz ainda ligeiramente rouca pelo silêncio . não há resposta , mas isso não serve para lhe trazer de volta a paz anterior . a bolha fora rompida , carissa está de volta à althara . um suspiro baixo toma passagem por seus lábios a medida em que ergue seu tronco devagar , deixando a água escorrer em trilhas quentes por seus cabelos e ombros , contornando os seios e as curvas , até retornar à banheira em um eco que preenche o ambiente . ela tateia em busca da toalha que repousa próxima . mas não há tempo nem de secar o rosto antes do som metálico da maçaneta cortar o silêncio com a mesma delicadeza de uma serra elétrica . a surpresa rende cissa em um estupor , e ela permanece assim : parada , ainda nua e brilhando sob a luz amena e a espuma escorrendo por suas pernas . seu estado não seria um problema se estivéssemos falando de sua funcionária vermelha . contudo , a pessoa que encontra parada à porta é maior e mais robusta .
os lábios femininos se entreabrem , quase como se prontos para dizer algo —— o que , ela ainda não sabe . seus pensamentos entram em pane ao que se esforçam para fazer sentido do impossível : o que , pelos sete santos , levaria um dos príncipes da ranu ao seu quarto numa hora daquelas ? tanto é seu espanto que somente se dá conta do pior quando uma brisa fria invade a suíte pela porta e encontra seu corpo num calafrio . ela continua parada —— e nua , completamente nua diante de hakon ! e não há como conter mais o grito agudo que rompe pelos lábios . cissa praticamente salta do lugar , tentando se cobrir o mais rápido possível com a toalha , no entanto , sua pressa se mostra um erro já que a princesa consegue apenas se enrolar e cair de bunda no chão , com um estrondo abafado e espuma sendo jogada pra todo lado , tal qual sua dignidade . ❛ saia ! saia ! ❜ é somente isso que é capaz de dizer , as palavras entre uma ordem e uma súplica , enquanto o constrangimento tingue fortemente a pele ainda úmida que tenta esconder .












