Hoje é terça, 27 de dezembro de 2016
Hoje completam 5 anos de morte da minha avó. Até aí, ok. Já me acostumei a ausência dela.
Chego em casa tarde, cansada, com sono, faminta, um pouco triste com as mesmas coisas de sempre.
De lugar nenhum ela tira motivos para me atacar. Claro, deixar a porta aberta para transitar de um ambiente até outro é bem coisa de “gente ruim e metida”, como ela disse.
Comprar talheres porque você os achou bonitos, é coisa de “gente ruim e metida” porque você quer ser melhor do que os outros.
*Outros são meu tio, esposa e enteada que estão passando o fim de ano em casa.
De repente a paz que até então eu achava que estava reinando começa a desmoronar.
No sábado ela diz que não quer meus cumprimentos de feliz natal. Domingo eu dou um aperto de mão. Hoje “ela está anotando em um caderno essa atitude inconcebível de dar feliz natal com um aperto de mão”. Disse a mesma mulher de quem eu me despedi que estava com olhos de nojo e cara de desdém para a própria filha.
Então eu entro na corrida do “quando a Nathalia vai se dar mal”. Essa parte é a melhor, é onde ela começa a dizer que deseja que eu me decepcione com a família do atual namorado e com ele próprio. Que eu quebre minha cara e me arrependa de ser como eu sou. Porque “pessoas como eu só se dão mal na vida e não merecem nada de bom, só desprezo e coisas ruins”.
Depois, para finalizar, uma fala autoritária de “diga obrigada à Beltrana (esposa do tio) por ter limpado seu quarto - inserir tom de quem estava acusando você de ser metida -. É pra falar obrigada pra ela. Ela passou pano, limpou tudo aí.”
Depois dessa falação de graça, e sem sentido, eu me volto ao computador, a minha caminha e começo a pensar na porra de vida que eu to levando.
Em casa/família não tenho ninguém com quem contar. Não digo financeiramente, mas para ter uma relação de verdade.
No trabalho estou infeliz.
Na vida mais particular está tudo uma grande confusão.
É difícil não ter com quem contar, com quem desabafar de verdade. Eu fico engolindo tudo isso sozinha. Passando por tudo isso sozinha. Se eu ainda tivesse as sessões de psicoterapia para aguentar um pouco a barra.
Eu acredito que tudo isso sirva para o meu crescimento pessoal e que de alguma forma eu não sou culpada de uma coisa que acontece desde sei lá, meus 9/10 anos. O que uma criança dessa idade poderia fazer para decepcionar tanto uma mãe? Eu realmente não sei.
A única coisa que eu estou confirmando com o passar desses últimos meses é de que eu sempre estive sozinha e sempre estarei, também sempre serei. É reconfortante para alguns pensar na volta para casa, para mim é um tormento. E eu vou vivendo assim até um dia ter a grande chance de me ver livre dos olhos e garras dela e dessa minha “linda” família.
E preciso reaprender a ser só. Intensidade e dedicação variam de seres para seres, eu preciso usar tudo isso e direcionar só pra mim, não para outro alguém.
Eu tô cansada, realmente cansada e desapontada com tudo. De qualquer forma me sobra um travesseiro aconchegante para chorar e um cachorro e gata pra matar essa minha “sozinidão’.
Pelo menos com alguém eu posso desabafar,,, mesmo que seja um blog.