No século V, havia uma velha casinha próximas as montanhas do sul, que lutava contra o inverno rigoroso, uma grande lareira aquecia o pobre feliz casal que ali moravam com sua filha recém nascida.
Jantavam quando a casa foi invadida pelos cavaleiros do rei. Descobriram que Eva era bruxa, destruíram tudo que tinham enquanto Eva buscava em seus braços a pequena Hilda, tentaram fugir pelos fundos mas a casa estava cercada deles, Jorge deu abertura para que Eva entrasse no quarto e ganhasse tempo, ao trancar a porta com o pesado guarda-roupa ouviu o grito e o último suspiro de seu marido.
Ela sentou na cama que estava contra a porta que pulsava, parecendo maior a cada batida, não tinha muito tempo, rapidamente Eva envolveu Hilda nos lençóis transformando-a num pacote com alça, encarando a porta de frente praticamente frágil, Eva assobia um som quase inaudível, a porta se arrebenta e uma loba entra pela janela, em posição de ataque, seu pelos estavam eriçados e rosnava para os homens que se encontravam paralisados com a surpresa, ela esperava só ser atacada e assim fizeram, avançaram contra a loba com espadas e facas mas ele era ágil, desviava com facilidade, pulava tão alto que parecia voar, os cavaleiros não puderam fazer muito quando tiveram seus braços mastigados e jugulares cortadas, arranhões tão profundos que causavam hemorragias.
Após alguns minutos de aflição e angústia,a casa estava coberta de sangue e corpos dilacerados, foram 30 homens contra uma loba, óbvio que ela não saiu intacta mas ainda haviam mais cavaleiros do lado de fora esperando Eva sair escoltada ou morta, a inércia daquele momento os convidariam para entrar mas muitos para a loba dar conta e ela já se encontrava machucada, Eva estava impossibilitada de usar seus poderes, era Lua de Sangue, uma infeliz coincidência a favor do rei, não podia se defender e nem podia recrutar sua alcateia, ela não tinha escolha além de aceitar a morte que tanto a perseguia.
-_ Mera, minha companheira, minha jornada se encerra aqui_ - Eva se ajoelha, acaricia a loba e lhe entrega a filha - _Ninguém sabe da existência de minha filha, amiga. Vá e cuide dela por mim. - _A Loba abocanha alça, levanta o olhar triste e se aproxima do rosto de Eva lhe fazendo um carinho, deu uns passos para trás e a observou, usava um longo vestido verde que realçava seus cabelos de fogo e um sorriso sincero de despedida.
Ouviram os passos dos cavaleiros adentrando a casa, Meira pulou a janela e passou sorrateiramente por homens que mal notaram a sua presença e quando estava fora de vista, correu bastante em direção a montanha, já era numa altura considerável quando ela parou e viu a casa se incendiar, Meira pendurou Hilda num galho de uma árvore sem folhas e começou a uivar, logo ouviam-se o uivo da alcateia. Meira deitou-se debaixo de Hilda que dormia como se nada tivesse acontecido, apenas observou o fogo se desvair na tempestade de gelo e ouviu o uivos se cessarem até apenas existir o breu daquela noite tenebrosa.
São ramificações de deuses pois também são filhos do universo, mas não pertencem a tal patente pois eles tem tempo limitado de existência, são criados exclusivamente para concluir sua missão.
Quando um atemplário surge, este assume a forma mais humilde do mundo em que é inserido e até que reconheça o destino, tal criatura não tem o menor conhecimento de sua real identidade.