Prólogo
Espreguicei-me na poltrona, afrouxando a gravata; meus olhos correram novamente pela sala do grêmio, por todos aqueles retratos pendurados ostentosamente na parede, os troféus dispostos nas estantes, assim como as medalhas honoríficas que coroavam o bom trabalho dos membros. Às minhas costas, a bandeira da escola. Ao meu lado, a grande janela cuja vista dava para o pátio. E eu me perguntava como havia chegado ali sozinho, como me tornei tão repugnante que nem meu poder era capaz de exercer algum fascínio ou atração sobre os outros – pelo contrário, até mesmo este repelia as pessoas. Procurei na gaveta um cigarro e o acendi com o isqueiro largado sobre a mesa. Aspirei a fumaça para dentro de meus pulmões dando uma longa tragada. Em algum lugar daquele prédio, SungMin estava vivendo seu último dia como aluno da Shinhwa High School. Rodeado por colegas que o adoravam, que lamentavam junto a ele a sua partida. Eu devia estar entre eles, não devia? Eu devia ir lá e me despedir, mas isso soaria como deboche de minha parte, isso certamente pioraria minha situação. Ainda assim, eu gostaria de fazer alguma coisa, me redimir como pudesse. Se meu orgulho permitisse, eu iria até ele e gritaria a plenos pulmões, para todos ouvirem, que eu não me importava com nada, nem com essa escola maldita ou com seus alunos idiotas, não me importava com o grêmio ou com a liderança de classe, tampouco com o que seria da minha reputação se eu assumisse que eu o queria comigo, que eu o amava. SungMin jamais aceitaria minhas desculpas. Jamais me perdoaria. Eu o usei e pisei em seus sentimentos. Eu fui um crápula, um inescrupuloso. Era loucura pensar até onde eu tinha chegado por algo tão pequeno. Era loucura também constatar que eu havia conseguido tudo o que eu almejava a um tempo atrás, mas que então não fazia a mínima diferença. Eu me odiei. Odiei cada ação planejada, cada frase dita por mim com o intuito de seduzi-lo e tê-lo à minha disposição, sob meu total controle. No entanto, relembrando os breves momentos os quais passamos juntos, eu entendi que não seria justo se eu apenas ficasse sentado me socando mentalmente, me culpando e me detestando. Aquilo não faria com que SungMin ficasse. Aquilo não era o bastante. E, por mais que eu me tornasse ainda mais detestável, era minha obrigação tomar alguma posição ante à injustiça que eu mesmo havia maquinado.










