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barzinho - timelapse
Há bares que vêm para o bem.
li na tua camisa, aquela vez:
“há bares que vêm para o bem”
e, bem,
te conheci num barzinho.
daqueles que a gente para do nada, numa madrugada,
pra se embriagar.
lugar lotado,
Marília cantando Infiel,
só eu,
numa mesa com uma cadeira vazia.
cerveja de litrão no centro,
copo americano quase seco.
tu procurava lugar pra sentar e me viu ali:
“opa, tem problema de eu ficar aqui, irmão?”
na tua camisa,
eu logo li:
“há bares que vêm pro bem.”
semi-embriagado, falando alto,
largou o maço de cigarro e o isqueiro
depois do meu “pode ficar à vontade”.
três garrafas depois,
eu já sabia que teu cachorro se chamava Golias
e que tu tinha se mudado pra cá fazia pouco tempo.
te contei do meu fim —
um motivo pra estar ali.
tu também falou do teu antigo amor,
na tua cidade natal.
estranha sintonia,
a volta na madrugada fria:
dois bêbados na orla da cidade,
queimando cigarro,
falando de saudades
e se fazendo companhia.
provei teu beijo,
senti teu toque,
guardei teu número no bolso,
com a escrita tremida
no guardanapo de papel da banca de café que abriu às 5 da manhã.
te mandei um “oi” depois do meio-dia.
tu me ligou assim que os riscos ficaram azuis.
fui provar tua sopa caseira que cura ressaca.
fiquei à noite
e te vi dormir
enquanto víamos The Office.
baita ironia do destino,
eu agora escrevendo tudo isso
vestido da tua camiseta que diz:
“há bares que vêm pro bem.”
Domingou