nossos muses entrarem escondidos numa festa de natal; // FELICIEL
Embora tivesse ciência, e desejasse seu futuro como rainha da Polônia, às vezes ela se imaginava tendo uma vida normal ao lado de Ishmael. Talvez ele pudesse ter aportado na cidade onde ela seria uma garçonete em uma taberna, e entre cervejas e trocas de olhares à meia luz, os dois se apaixonariam; ele poderia chamá-la para sair após seu turno, e talvez tivesse lhe dado de presente uma das joias roubadas. No domingo, iriam à Santa Missa e ela usaria seu vestido mais lindo, ainda que não o achasse o suficiente. E então ele ficaria mais tempo ali, com ela. Se o capitão decidisse partir, ele a convidaria, e ela não se importaria em cozinhar todas as noites para os marujos, desde que aquilo a fizesse ficar perto dele. E eles seriam felizes. Depois de um tempo ele largaria a pirataria e ambos viveriam em terra, teriam filhos e eles seriam felizes.
Estar experimentando roupas simplórias a faziam pensar no que poderia ter sido. Não era como se fossem alguma nova versão de Clark Kent, e as roupas mais simples fossem capaz de ocultar as verdadeiras identidades de ambos; mas estavam longe o bastante da Polônia e da RANU, em uma cidade pequena, dentro de uma vila pequena, de um país pequeno, e todas as circunstâncias os faziam crer que não seriam reconhecidos nem mesmo se usassem coroas brilhantes. Ademais, até o presente momento, não haviam sido parados, o que os fazia acreditar ainda mais na teoria.
❝ —— Espera, falta um detalhe! ❞Ela avisou ao noivo, conforme aproximava-se dele com um pincel e um pote redondo em mãos, e ao chegar perto o suficiente, ela sorriu de forma divertida, revelando o conteúdo do pequeno pote. Blush.❝ —— Temos que parecer com eles. ❞ Ela explicou antes que Ishmael pudesse argumentar, explanando o pincel no pó avermelhado para então o depositar, suavemente, na pele bronzeada do futuro marido. A careta imprimida na face alheia a fez reprimir os lábios em uma linha fina para não rir, porém, ela achava lindo. ❝ —— Prontinho. ❞ Sussurrou, indo até o espelho após selar os lábios aos dele por um momento. Após repetir o processo e, se ruborizar, ela finalmente parou ao seu lado, indicando que eles poderiam ir.
A taberna estava animada. Músicos tocavam em um ritmo animado, o qual não havia ouvido ainda e tinha certeza que não combinava com a corte. Mas combinava extremamente com Ishmael, e ela imaginava quantas festas como aquela ele não havia participado. Um pouco distante de onde estava sentada, batendo palmas ritmicamente, acompanhando a música, o noivo dançava com uma garotinha que deveria ter oito anos. O sorriso em seus lábios era infantil, e seu coração ficava leve por observá-lo daquela forma. Com um sorriso, cumprimentou-os, quando o casal que observava se aproximou.❝ —— Vocês dançaram muito bem. ❞ Parabenizou-os antes de ouvi-lo desculpar-se com a jovenzinha, pois agora dançaria com sua noiva.❝ —— Ishmael, espere!! ❞ Ela iniciou, fazendo uma pequena pausa antes de buscar seus olhos azuis com os próprios.❝ —— Eu não sei dançar assim. ❞ Confessou, por fim, estreitando os olhos para o sorriso ladino.
Os dedos em sua coluna, levando-a para perto, fizeram-na se arrepiar. A voz quente ao pé de seu ouvido, explicando que teriam de ficar mais perto, aqueceu todo seu corpo. E então, a outra mão fora capturada pela maior, e ela jurou sentir uma pequena corrente elétrica entre eles. Aquela conexão estava fora de sua capacidade de entendimento, por isso, apenas se entregava. E assim que os passos acelerados do ranuense iniciaram, ela se deixou conduzir. De repente, não era mais a música que a guiava, era apenas ele, e ela afogava-se em seus olhos anis. Uma risada gostosa e contagiante saia de seus lábios, em resposta ao riso que o maior transmitia. Estava feliz, como nunca estivera antes, e havia encontrado aquilo em um lugar tão simples…
O ritmo da música acelerou, e então os passos mudaram. Defronte um para o outro, seu braço direito fora enganchado pelo direito dele antes de rodopiarem uma vez, e então inverter os braços. Era divertido, era informal. As mãos, agora, foram ambas dadas, os braços levemente cruzados e Ishmael começou a rodopiá-la.❝ —— Ish, não! ❞ Ela avisou, em tom divertido, assim que começaram a girar em círculos, tendo apoio somente pelas mãos dadas. É claro que não precisava ser nenhum físico para saber como aquilo acabaria, e quando ambos foram ao chão, cada um para um lado, o salão todo caiu em risos. Antes que pudesse retomar o próprio fôlego, Ishmael já estava diante de si, oferecendo a mão para a levantar.❝ —— Meu par preferido, ainda é Esperanza. ❞ Ele gracejou, gesticulando em direção à garotinha que outrora dançara, conforme trazia a noiva para si. A noite estava apenas começando.















