Êxodo segundo Ridley Scott
O Jeca Comenta
Jeca Fabio Morgado 28/12/2014
O título que coloquei não deseja ser uma crítica mas sim a constatação de um fato, pois na verdade, todos os texto bíblicos quando são fonografados para qualquer forma de áudio, visual, ou audiovisual seja uma pintura, uma música ou um filme sempre foram e serão interpretações do artista que a criaram. Assim como Jesus e Maria de olhos azuis pele clara e feições européias que conhecemos tão bem, pois nos foram apresentados por artistas europeus que enculturaram os personagens bíblicos, mas que repudiamos quando nos é apresentado uma reprodução mais próxima da original pele escura e traços palestinos, pois eles são desta região e tem esta etnia.
Assim também acontece com qualquer obra ou neste caso, um filme que queira retratar uma história bíblica ainda uma que é tão inspiradora quanto a de Moisés, um filho de escravo que vivia como um príncipe, mas que renega a todo luxo e conforto para lutar pelo seu povo feito escravo pelo Egito, com a fé nas palavras de um Deus recém descoberto por ele, que se denomina EU SOU.
Um Moisés guerreiro contra um Ramsés fraco.
Neste filme vemos um Moisés muito mais forte e guerreiro que nos Dez Mandamentos. Gostei muito da interpretação de Moisés de Christian Bale, ele como excelente ator que é, consegue dar o peso necessário ao seu personagem seja ele sendo questionador perante Deus ou inquisidor quando vai até Ramsés exigir a libertação de seu povo. Infelizmente já não posso dizer o mesmo de Joel Edgerton como Ramsés, que não convence como um Faraó que se considera um deus vivo, que vê seu poder e sua autoridade serem questionados por escravos.
Sigourney Weaver foi sub-aproveitada no papel da rainha Tuya mãe de Ramsés que infelizmente não acrescenta nada a história.
Já Ben Kingsley no papel de um sábio ancião Israelita tem uma função mais importante dentro da história, mas ainda sim ele parece estar meio preso as suas falas não desenvolvendo todo o potencial do personagem,que creio eu é mais falha de roteiro e direção do que dele mesmo.
Vemos aqui uma versão bem mais realista da história que usa de causas naturais ao invés de “simples milagres” inexplicáveis se é que se pode chamar um milagre de simples.
Todas as pragas vão sendo explicadas para nós, uma a uma por um “sábio” egípcio.
Achei bastante lógica a figura que foi usada para que Deus se comunique com Moisés, assim como achei também todo o restante do filme.
Mas infelizmente para quem não tem certa abertura a interpretações “Neste caso a maioria das pessoas” e quer ver tudo igualzinho a bíblia, Moisés com seu cajado, o mar se abrindo ao meio, entre outras modificações, tudo isto pode ser uma grande heresia.
Visualmente o filme é lindo, fotografia, figurino, iluminação, edição e efeitos sonoros impecáveis e lógicamente os efeitos digitais.
A cena do mar voltando após ter recuado bruscamente numa onda gigantesca é magnífica, neste caso temos um tsunami e não a abertura do mar ao meio conforme a narrativa bíblica.
Não posso deixar de compará-lo ao belíssimo clássico de Cecil B. DeMille - Os dez Mandamentos pois neste também existem muitas variações. É bem verdade que esta nova versão, as alterações são muito maiores do que seu antecessor pois Os dez Mandamentos é muito mais fiel aos textos bíblicos. Charlton Heston também mostra um Moisés forte e capaz de conquistar países para o seu faraó Seti I, ao mesmo tempo em que derrete o coração da princesa Nefretiri fatos que não aparecem nas escrituras.
Por isso temos que ir com calma ao jogar diretor, roteirista, ator e todos que trabalharam na obra no fogo dos infernos, simplesmente por não ser fiel ao pé da letra ao texto bíblico.
Eu tenho para mim Êxodo - Deuses e Reis como um grande filme baseado sim na bíblia mas não um filme literalmente bíblico, que vale a pena ser assistido no cinema com a maior e melhor tela possível.
Nota do Jeca 04 ferraduras











