Caso: Bernardo Boldrini
Bernardo Boldrini desapareceu na cidade de Três Passos/RS no dia 04/04/2014.
História:
Bernardo tinha 11 anos e morava com o pai, a madrasta e uma meia-irmã de 1 ano.
O pai de Bernardo (Leandro Boldrini) era um renomado médico na cidade, já a mãe havia cometido suicídio em 2010, na frente de Leandro em sua clínica cirúrgica, um mês após, Leandro foi morar com a madrasta de Bernardo (Graciele).
Desaparecimento:
Na manhã do dia 04/04 Bernardo viajou com a madrasta para uma cidade vizinha, pra comprar uma televisão que ele queria e após eles passariam em uma ‘’benzedeira’’ que faria uma consulta espiritual no Bernardo, que segundo a madrasta, estava com problemas psicológicos.
Quando retornaram Bernardo pediu a madrasta, para passar o final de semana na casa de um amigo, que morava ali perto e Bernardo já estava acostumado a ir alguns finais de semana pra lá, como era bem próximo, Bernardo ia e voltava sozinho.
Porém no domingo, Bernardo não chegou em casa no horário combinado, então Leandro decidiu buscar o filho na casa do amigo, mas chegando lá soube que Bernardo não passou o final de semana lá.
Leandro procurou por Bernardo na casa de amigos e de outras pessoas que talvez ele pudesse estar, porém sem pistas, no dia seguinte decidiram ir até a polícia.
Buscas:
A polícia começou a procurar pelo menino e logo o caso ganhou uma repercussão enorme.
A polícia trabalhava com três hipóteses: fuga, sequestro e homicídio.
Mas, como o caso já havia tomado repercussão nacional a hipótese de fuga foi descartada, assim como a de sequestro, já que o tempo estava passando e nunca houve um pedido de resgate.
Sem nenhuma informação ou pistas os suspeitos se tornaram a própria família.
A polícia começou a notar uma certa frieza do pai e da madrasta de Bernardo, diante do caso.
Investigando descobriram da viagem que Graciele fez com Bernardo no dia do desaparecimento e nisso começaram a refazer os passos do menino.
Foi descoberto que Graciele havia tomado uma multa no caminho para a cidade vizinha, por excesso de velocidade, o policial que registrou a multa, disse que Graciele corria muito, porém ao ser questionada pareceu bem tranquila, sem nenhum sinal de tensão aparente e Bernardo estava sentado no banco de trás do carro.
A polícia tinha a confirmação de que Bernardo foi até a cidade com a madrasta, mas não tinha nenhuma prova de que ele teria realmente voltado.
Descobriram que a Graciele visitou uma amiga assim que chegou na cidade.
Crime:
Uma câmera de segurança mostrou o encontro da Graciele com a sua amiga Edelvânia.
Graciele e Bernardo descem do carro e entram no carro da Edelvânia e os três saem dali.
Cerca de 2 horas depois, as duas voltam, porém o Bernardo não está com elas.
Uma segunda câmera de segurança, de uma loja de eletrodomésticos mostra Graciele comprando uma televisão, porém sozinha e os funcionários disseram que ela aparentava estar muito nervosa e não saía do celular.
Esses fatos fizeram com que a suspeita sobre a madrasta aumentasse.
Foi então que a polícia decidiu pressionar Edelvânia e ao ser interrogada ela decidiu contar a sua versão do que aconteceu naquele dia.
Segundo ela Graciele já chegou com Bernardo dopado por algum medicamento.
Elas disseram ao menino que o levariam até a benzedeira e no meio do caminho fizeram Bernardo descer em um matagal onde lhe aplicaram uma injeção dizendo ser uma preparação para a consulta espiritual que ele teria.
Mas, na verdade o que foi aplicado no Bernardo era uma injeção letal.
Bernardo morreu em minutos e o seu corpo foi colocado em uma cova que já havia sido aberta dias antes por um parente da Edelvânia.
Graciele jogou soda cáustica sobre o corpo para acelerar a decomposição e não deixar vestígios.
Edelvânia alegou ter ajudado no crime por dinheiro, cerca de R$90.000 reais, que ela precisava para quitar um apartamento que ela havia comprado.
Após a confissão de Edelvânia, a polícia interrogou Graciele que chorava muito alegando que tudo não passou de um acidente.
Na versão de Graciele, ela teria dado um remédio para Bernardo ficar mais calmo e acabou passando a dose errada e o menino veio a óbito e por medo ela decidiu se livrar do corpo da criança e dizer para o pai que Bernardo tinha ido para casa de um amigo.
Graciele tentava todo tempo livrar Leandro da culpa.
História que não convenceu as autoridades presentes e alguns fatos começaram a ligar Leandro ao caso. Já que o medicamento usado na injeção letal foi comprado com uma receita emitida pelo mesmo.
Além do que muitos fatos que Leandro passava estavam se desencontrando, por exemplo, quando ligou em uma rádio local para registrar o desaparecimento do filho, ele não sabia dizer sequer a roupa que Bernardo usava quando foi para casa do amigo, também não sabia se Bernardo tinha ido a pé ou de bicicleta e afirmou que Bernardo havia ido sem o celular, sendo que dias antes Leandro disse que tentou ligar no celular do garoto.
Levando em conta todas as provas, testemunhas e pessoas interrogadas, a polícia declarou que Leandro Boldrini foi o mentor do crime e sabia de tudo que havia acontecido.
Após a descoberta a avó materna de Bernardo também começou a desconfiar do suicídio da filha, já que só estavam ela, Leandro e a secretária da clínica no momento,
A secretária havia dado um depoimento dizendo que a mãe de Bernardo entrou armada na clínica e foi para o consultório de Leandro e se matou, porém a mesma fez uma enorme reforma em seu apartamento poucos dias após o suicídio, reforma essa que não caberia em seu orçamento.
O caso foi reaberto, porém, mesmo com todas as provas o caso foi encerrado mais uma vez como suicídio.
Testemunhas:
Segundo testemunhas Bernardo sofria maus tratos da família diariamente, uma amiga da Graciele chegou a declarar que a mesma sempre falava que tinha vontade de matar Bernardo e essa era a mesma vontade do pai do garoto.
Vizinhos ouviam brigas na casa e agressões físicas, também haviam histórias de humilhações do pai que muitas vezes fazia o menino comer na vasilha do cachorro.
Uma família ali por perto acabou cuidando de Bernardo, eles chegaram a fazer uma festa de aniversário para o garoto, já que os pais não se importavam, e nessa festa Leandro e Graciele não compareceram.
Eles proibiram o garoto de visitar a avó materna e Bernardo não pode fazer sua primeira eucaristia, pois a madrasta se negou a comprar a camiseta branca que ele precisava usar.
O próprio Bernardo procurou o ministério público para registrar maus tratos que ele sofria na casa, o pai foi chamado até o local e os dois se acertaram, assim acharam que as coisas iriam melhorar, mas pioraram.
Julgamento:
Eu decidi falar sobre esse caso já que o julgamento acabou ontem.
Leandro e Graciele prestaram depoimentos, Leandro a todo tempo tentou jogar a culpa em Graciele e Edelvânia, mas as provas e testemunhas falaram mais alto.
Leandro, Graciele, Edelvânia e cúmplice de Edelvânia foram condenados.
Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo, teve a pena mais alta: 34anos e sete meses de reclusão em regime inicialmente fechado, por homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. Ela não poderá recorrer em liberdade.
Leandro Boldrini, pai da criança, recebeu 33 anos e oito meses de prisão por homicídio doloso quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Edelvânia Wirganovicz, amiga de Graciele, foi condenada a 22 anos e 10 meses por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia, pegou nove anos e seis meses em regime semiaberto por homicídio simples e ocultação de cadáver.
Bom gente, é isso, é o primeiro caso que escrevo assim, gosto muito desse tema, por isso decidi tentar, espero que tenha gostado, mas qualquer erro ou dicas vocês podem falar.
Fonte: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2019/03/15/pai-e-madrasta-sao-condenados-pela-morte-do-menino-bernardo-em-tres-passos.ghtml














