info: por volta das 18h30min, na sala do clube de duelos. (140917)
@bm-ricky
nunca poderia fazer parte daquilo, embora muito quisesse. estar fora do clube de duelo foi um requisito; uma regra - só mais uma das coisas a somar à máscara que precisa usar todos os dias. em old mother jung, ele é o garoto visto até como fofo - e assim tem que ser. assim significa que está a seguir aquilo que seu pai espera (e que ignora os próprios sentimentos). mas não estar no clube, e em outras atividades que pudessem levantar questionamentos, não significa que fique parado. e quanto à isto, ainda que seu pai seja um à culpar, clyde também o é.
em algum momento, passou a maltratar o próprio corpo e espírito.
achar mavericky não é tão difícil, e não só pela conexão mental. não há mais ninguém no grande salão escuro onde acontece os treinos e duelos. quanto para mais perto caminhava, mais alta ficava a mente do alemão. não a estava lendo, mas simplesmente sentindo o atividade. clyde adentra o salão com passos mais lentos, porém, decididos. os olhos facilmente acham a figura tatuada e o americano inspira e expira. — found you. — murmura baixinho, enfim hesitando caminhar. só que não tem mais o que repensar, já havia decidido. — eu tenho pensado... e eu... — a língua umedece os lábios; as mãos enfiam-se no bolso da calça da farda. — aquele... lance de vitalidade. a sua habilidade, digo. vitalidade, certo? — pigarreia. os olhos duros miram os alheios. — poderia usar em mim?
Aquele colégio nunca falhava em surpreender Kang Piper. Quando recebeu da professora de Herbologia a tarefa de encontrar sua planta favorita e dissertar sobre ela, ficou interditada, afinal, aquilo lhe parecia assunto do primeiro nível. A bruxinha, que sempre se preocupou até demais em conhecer as flores, ervas, raízes e outras, não fazia aquilo por egocentrismo da sua parte. Poderia escrever mil cartas de amor para suas favoritas: Acácia e girassol... Só não gostava nem um pouquinho da ideia de dividir-las com qualquer um.
Suspirou, erguendo os olhos para o contador encantado que marcava as horas numa parede alta, checando quanto tempo ainda restava para fazer aquilo. Eram duas aulas seguidas e aquilo seria rápido, então enrolou a maior parte do período com conversas e redes sociais, o que geralmente não fazia. Percebeu que faltava apenas 20 minutos pro sinal bater e, revirando os olhos, pegou seu estojo que ainda estava guardado após o intervalo, tirando de lá uma caneta - aparentemente, a sua única caneta. Nota mental: Brigar com todos naquele colégio até recuperar seus materiais. Haviam chances de que fosse um Poltergeist fazendo as costumeiras travessuras mas mesmo que as criaturas ganhassem em disparada o placar da culpa naquele colégio, sabia que estas empalidecem perto de seus amigos.
Por fim, alcançou seu caderno, um pequeno livrinho de capa preta e folhas bem cuidadas. Abriu-o na primeira página disponível, escrevendo “Girassol” ao centro da parte superior. Era clichê, mas não abriria mão de sua flor por nada, nem se toda a sala fizesse sobre ela.
“Girassol é uma flor que é notavelmente maior que o comum e, com suas pétalas amarelas, uma cor chamativa. Porém, o que mais chama atenção sobre essas plantas é o fato que elas parecem se mexer sozinhas, sempre seguindo o curso do sol, sendo considerado o tipo de flor mais iluminado e abençoado por muitos bruxos - inclusive, é sagrada para muitas fraternidades, grupos ou até mesmo clãs mágicos.
Seu poder consiste em aproximar o mundo mental do mundo físico. É comumente utilizado no trato de pacientes em coma, já que com um simples toque induz a pessoa até uma visão nova do mundo, visão essa que sempre é descrita como “extraordinária”. Assim, a pessoa pode descobrir coisas novas sobre si mesmas e sobre seus arredores, as vezes até encontrando o caminho de volta para o nosso mundo sozinha - com os novos olhos, fica fácil descobrir o problema e, finalmente, resolvê-los. Esse efeito, contudo, só vale para comas ou sonambulismo, sua maior aplicação sendo informar se um sonho é bom ou mau sinal: Coloque um girassol perto da sua cama. Se as energias que te rodeiam durante a noite forem boas, a flor amanhecerá virada para você. Caso o contrário, é melhor se atentar.”
Terminou, mordendo o lábio inferior enquanto relia. Aquilo estava genérico mas serviria. Piper levantou-se de seu lugar, levando o caderninho consigo até a mesa da professora, para quem entregou o texto e esperou, ansiosamente, que terminasse de ler. Sorriu minimamente ao escutar que estava tudo ok, voltando para sua mesa, onde se pôs a se perder em seus próprios pensamentos novamente.
Era claro que Aurora tinha uma rotina de estudos. Mesmo não sendo tão fã, era preciso para manter suas notas sempre no topo. E agora, precisava fazer uma poção. Era uma tarefa de casa ou algo do tipo, não se lembrava muito bem. Sabia apenas que tinha a receita em suas mãos escrita em letras cursivas num papel amassado.
Tudo era fácil de encontrar, tirando uma certa erva da qual estava em falta no laboratório. Mas estava tudo bem - havia uma plantação da mesma no colégio, só precisava encontrá-la. Depois de seguir algumas orientações, chegou em uma planta alta que, mesmo em cima dos dedos dos pés, sabia que não conseguia alcançar.
Mas não demorou para notar que havia uma amiga sua ali por perto - uma cobra. O pequeno réptil enrolava-se no caule da planta e parecia estar tranquilo. Por isso, Aurora não hesitou em pedir ajuda.
“Ei, carinha.”, comunicou-se. “Acho que preciso de você.”
Explicou a situação para o animal que se prontificou a ajudá-la. Ao contrário do que dizem, as cobras podem ser muito confiáveis. Ao fazer peso na planta para que a mesma pudesse ficar mais baixa para que Aurora pudesse pegá-la, o réptil comunicou-se com a menina.
“Algo mais?”, não era exatamente uma voz que Aurora ouvia em sua cabeça, mas entendia o recado.
“Não.”, disse. “Pode ir fazer o que quiser.”
Mas talvez a posição tenha feito o animal se desequilibrar, pois o mesmo caiu na janela que estava aberta por perto. Ao ser questionado se precisava de ajuda, o mesmo recusou. A grega deu de ombros, voltando para o laboratório rindo ao pensar na reação de seja lá quem for o dono daquele quarto ao encontrar o animal lá.
não poderia; não saberia explicar. e há coisas que simplesmente assim são. clyde não consegue encontrar palavras para descrever o momento em que seu corpo prepara-se para ser intangível. são somente quereres - sua mente quer, seu corpo faz. mas é seu corpo, então como poderia transformar um outro?
recusa o auxílio de qualquer fonte de iluminação que não aquela que ultrapassa o vidro da janela. que não aquela da lua. o quarto, então, encontra-se mais escuro que o usual, e isso é perfeito - como tudo que consegue fazer, é também inexplicável. todavia, COMPREENSÍVEL, afinal, é um astrum. a noite e a lua o deixa assim; o faz assim - e mais do que em qualquer momento, sente-se implacável. por isso é daquele momento que usa para evoluir consigo. por isso, clyde se faz com a palma da destra voltada para cima e uma lâmina segura entre os dedos da canhota. esta que brinca com o objeto cortante, brinca de passar de um dedo para o outro como costuma fazer com o lápis. claro, ali é bem mais cuidadoso e pouco tempo gasta com tal passatempo. não é por aquilo que se encontra sentado no chão, afinal de contas.
intangibilidade é uma de suas habilidades relativamente recente, mas que muito já conseguiu evoluir. talvez, pois encanta-se tal capacidade. ( talvez, pois seu pai não lhe deu nenhum escolha ). sabe, no entanto, que há muito mais para se usufruir daquilo - como tornar o objeto, talvez uma arma ou mesmo a bala, capaz de atravessar um outro objeto sólido? os dentes de coelho apertam o lábio inferior assim que o medo atinge o estômago. é passageiro, porém. clyde já passou por coisas bem, bem piores que aquilo que consegue visualizar ao colocar a mão aberta sobre o caderno velho de capa dura. aquilo é simples, até, se comparar com o que tivera que fazer de volta em San Diego, sob treinos (abusos) de Daniel (seu pai): com a palma voltada para baixo e os dedos afastados um do outro, a brincadeira é acertar a lâmina somente entre eles.
reflexo, velocidade, pontaria em um treino só. ele começa, então. e realmente não é a primeira vez que SI usa assim, então, não é novo que a ponta da lâmina acrescente mais buracos na capa do caderno. porém, também não fora para isso que sentou-se ali; que esperou até a lua aparecer. a medida que a velocidade aumenta e está ao seu máximo, ele ERRA de propósito. e sequer pisca ou hesita quando vê a lâmina afundar nas costas de sua mão. esta que ele levanta, fazendo subir pelo gume. intangibilidade, para ele, é realmente algo fascinante. não há uma gota de sangue sequer, mas é possível ver a adaga atravessar sua palma. clyde tira a lâmina da mão e retorna com a palma desta apoiando no caderno. retorna, também, com a brincadeira - há uma diferença, no entanto: ele não se importa em acertar os espaços entre os dedos. apunha-la diversas vezes, rapidamente, sem hesitação, a própria mão. e cada vez mais se irrita, pois se torna óbvio que aquilo já consegue fazer. cada vez mais se irrita, pois a adaga sempre trava quando atinge a capa do caderno velho.
( COMO PORRA FAZER UM OBJETO SER INTANGÍVEL ?! )
a violência com qual si perfura (figurativamente, todas as vezes sua mão atravessa a lâmina, afinal de contas) torna-se agoniante de se assistir. mas é insistente e à cada nova apunhalada, ele tenta chegar numa resposta. e se talvez fosse como com a telepatia? quando, em uso desta, faz a mente do outro uma espécie de extensão da sua? e se, assim como quando seu corpo atravessa porque sua mente quer, ele fizer do objeto parte de si? são ideias clichês, logo, lógicas. clyde grunhe. a raiva só está a lhe dá dor de cabeça. ele ergue a lâmina mais alto desta vez, pois tanto é movido à frustração quanto à decisão de que já chega por hora. que já deu, “porque essa porra não quer enfiar no caralho do livro”- e é como em um filme: a lâmina e o cabo atravessam todo o volume de folhas, e no último instante clyde faz parar. ou teria, provavelmente, feito atravessar o seu piso (que é o teto de uma outra pessoa). o americano solta os dedos da adaga e olha com lábios abertos aquilo que conseguiu fazer quando menos esperou. havia feito um corpo que não o seu ser intangível.
( e agora tem que fazer novamente, porque simplesmente não pode deixar uma adaga prendendo o caderno no meio do chão do quarto. )
Annabel tinha acabo de sair do treino de natação quando lembrou que tinha marcado um outro treino. Mas esse era com Coraline, outra potentia que precisava de ajuda, já que era bem mais nova. Pegou o telefone ainda molhada para enviar uma mensagem, pedindo para que a menina fosse até a floresta, onde passaria algumas dicas e treinos básicos.
Terminou de secar o corpo e colocou uma roupa por cima do uniforme de natação, pois não queria se atrasar mais do que já estava. A piscina ficava deveras longe de onde tinha marcado o treino, mas nada que uma corridinha para aquecer também não resolvesse.
A americana foi correndo pelo campus todo, com sua mochila de equipamentos nas costas, torcendo para que a mais nova atrasasse pelo menos 1 minutinho. Não sabia muito bem, exatamente, o que passaria para ela, já que não era uma professora ou senior, mas o básico de resistência já tinha uma noção.
Em 10 minutos de corrida, Annabel havia chego, exausta, na floresta. Teve de se jogar no chão para recuperar todo o fôlego perdido no trajeto, e só depois de normalizar a respiração, percebeu que a menina já estava aqui. ㅡ Desculpa o atraso, eu esqueci completamente.
A tarde tinha finalmente chego, era a parte do dia que Annabel mais gostava porque poderia ir para a piscina. Natação era uma das atividades que a garota mais gostava naquele colégio, então não demorou mais que 10 minutos para pegar todo seu equipamento e ir ao local.
Chegando na piscina, tirou a blusa que vestia, já que o maiô estava por baixo, e preparou sua touca e óculos na cabeça. ㅡ Vai, Annabel, cê consegue. ㅡ Pronta para começar seu treino, deu alguns tapas na região do peito e não hesitou em pular naquela água fria, que já passava a não ser problema após alguns minutos dando mergulhos.
Annabel utilizava sempre alguma raia da extremidade, que em competições eram as piores de todas. A tática era para manter o costume de sempre fazer mais esforço, para quando pegar uma raia melhor, render 10x mais.
O treino do dia era seu nado borboleta, que era um dos piores. Não sentia muita segurança e força em seus braços, não rendendo muito e sempre parando um pouco antes de completar 100m. A americana ia e vinha pela piscina tentando cronometrar o tempo que fazia, para assim ver onde perdia segundos e precisava melhorar. Seu tempo continuava ruim, mas não era motivo para desistir no meio do caminho. E não era de um dia para o outro que se tornaria a melhor.
Após 1h de treino, o cansaço bateu, e ainda precisava treinar outras coisas. Mas aquela tarde tinha compensado, já que em seu cronômetro marcavam 2 segundos a menos de seu tempo anterior. Um sorriso ergueu o rosto de Annabel, que se sentava na borda da piscina olhando aqueles números orgulhosa de si.