Muito feliz com a boa fase S2
Olha desde o mês passado quando estive em BSB, estou vivendo uma sequência de bons momentos. E olha, isso tem me feio muuuito bem mesmo. Desde o começo do ano estava numa fase bem complicada. Partindo dos desgastes no relacionamento, passando pelos vários NÃOS que recebi das bolsas de mestrado, depois agravada pelo momento de transição com o término da residência e a angústia até conseguir um trabalho. Sem contar no ápice do sofrimento com o término do meu casamento, que foi um momento bem crítico, que trouxe repercussões em vários âmbitos (afetivo, sexual, financeiro, profissional, dentre outros), e cuja dor foi apenas aumentando progressivamente, dando a impressão de que não iria acabar nunca.
Estive em terapia sexta agora, e de maneira natural acabei trazendo essa perspectiva retrospectiva, principalmente, tendo em vista como essas últimas semanas foram tão boas né. Algo que ficou muito marcante nesse momento, e que surgiu como um resposta para quando a Camila me perguntou sobre o que tinha mudado em mim de um momento para o outro, que foi o meu RECONHECIMENTO. Quando olho para o estopim que deu início a este momento, que foi a viagem à Brasília, percebo que essa é a mudança principal: esse processo de me reconhecer.
E aqui quero abrir portas para duas nuances de como essa palavra expressa a construção de sentido que estou buscando ilustrar e como isso produz significação e subjetivação nesse momento. Em primeiro lugar, quero trazer a noção de (re)conhecer-me no sentido de como estas últimas semanas me oportunizaram uma reconexão de mim comigo mesmo, redescobrindo coisas sobre mim que estavam escondidas no baú do esquecimento, tal qual esse comichão no estômago de excitação, a minha vontade de viver a vida, festar, dançar, meu desejo de ser feliz. Deste modo, então, esse meu processo de me reconhecer abrange esse olhar introspectivo, na ideia de me conhecer de novo, olhando pra quem fui e para as experiências que vivi agora a partir da pessoa que sou hoje. Como consequência, esse movimento me permite também me encher de orgulho pelo caminho que construí, que obviamente não é feito somente de bons momentos e boas lembranças, mas que me ajudaram a construir quem eu sou, praticando a resiliência, a gentileza, a paciência na busca de ser a pessoa que quero me tornar. E é lindo ver isso!
A segunda perspectiva que esta mudança de me reconhecer demonstra é um efeito do primeiro movimento, o qual expliquei acima, e diz respeito a essa capacidade de me ver, me identificar no caminho percorrido e nas decisões que tenho tomado. O orgulho, fruto desta ação de olhar para trás e me conhecer novamente, implica no meu movimento de me enxergar naquilo que estou fazendo e na pessoa que estou construindo, sabe?! Percebo dois momentos importantes no que se refere a esse sentido do meu reconhecimento, que são: (1) o dia em que eu sento pra ler o meu tumblr, retomando as coisas que escrevi lá em 2016 quando dei início nesse processo de escrita de mim, leitura esta que me levou a várias reflexões, tal como a de que às vezes aquelas coisas que parecem eternas, que nunca vão passar, chegam ao seu fim, em um momento; e, (2) o dia em que consegui finalizar as minhas redações para o Chevening, cuja escrita me permitiu, então, olhar para o Leonardo acadêmico e profissional e perceber a coerência, o empenho, o engajamento e a capacidade transformativa que tenho com muito orgulho. E, tipo, parando pra pensar, o sentimento fruto dessa conclusão é simples: ESSE SOU EU! É um ato de me olhar no espelho, consciente de quem sou e conectado comigo mesmo, e obter de mim mesmo o reconhecimento!
E olhando para tudo o que vivi nesse ano e com todas as dificuldades que vivenciei, me sinto muito bem com o que tenho feito, com o meu desenvolvimento no trabalho, com a minha capacidade (e certa facilidade) em criar uma rede de apoio quase que do nada. Algo que me faz muito feliz é me ver aprendendo a curtir a minha SOLITUDE. Caralhoooooo, como é bom! Ir aos poucos reaprendendo a ser gentil comigo mesmo. Ao ponto de conseguir hoje apreciar a minha companhia com muito prazer, me levando pra dates, me cuidando, me percebendo como suficiente, me permitindo sentir e sabendo o que quero.
E que esse seja um caminho sem voltas sabe. Obviamente, não que eu espere que essa sequência de bons momentos permaneça pra sempre e que os dias ruins nunca mais cheguem. Seria ótimo, é claro! Mas sei que não será assim. E o melhor de tudo: e tá tudo bem! Isso não é um problema. Não precisa ser. Contanto que eu esteja assim, conectado comigo mesmo e me reconhecendo no caminho, que invariavelmente, terá seus altos e baixos, e quero com cada um deles aprender, assim como estou aprendendo agora com esses bons ventos.