http://weheartit.com/entry/183740957/via/Melmezizene
seen from Netherlands
seen from United States
seen from United States

seen from Brazil

seen from United States

seen from T1

seen from Brazil
seen from Malaysia

seen from Malaysia

seen from United States

seen from United Kingdom
seen from United States
seen from United States

seen from Ireland
seen from Türkiye
seen from Switzerland
seen from Indonesia
seen from United States

seen from Netherlands
seen from United States
http://weheartit.com/entry/183740957/via/Melmezizene
You'd think after 22 years I'd be used to the spin
Tudo se resume a acordar. Porque quando você acorda, você reconstrói a sua vida na sua mente; acontece que é um processo bem devagar, esse de construir algo e bem rápido esse outro de lembrar. Quando você abre os olhos pela manhã, aqueles cinco segundos de conforto por ter tido uma boa noite de sono lhe permitem ser feliz e até pensar em dizer Bom dia, teto, mas, antes mesmo de que você pense em formular a frase, aquele turbilhão de lembranças e memórias de como o dia de ontem, o dia de antes de ontem, o dia de antes de ontem de ontem e assim sucessivamente começam a brotar na sua mente; elas levam a frase que nem fora formulada embora, o sorriso se transforma em um semblante meio azulado e aquela sensação de conforto se torna uma dor bem grande dentro do seu peito. Você se afoga no travesseiro esperando pensar em uma solução para tudo aquilo que aconteceu e que você não quer segurar, você não quer lembrar e pensa em mil soluções e possibilidades para fazer antes de pisar no chão, que se encontra bem, bem frio. É claro que a força do hábito faz você esquecer-se de muitas coisas e transformar até algumas mentiras em verdades, mas elas dormem ao seu lado pela manhã.
O chão, bem gelado, entra em contato com seus pés e você já nem sabe mais se vale a pena pisar com o direito ou o esquerdo primeiro; você só pisa. Anda até o banheiro, passando por todos os DVDs, CDs, livros e desenhos que estão espalhados pelo seu quarto a mais ou menos duas semanas, sem nem sequer parar para ver/ ler/ desenhar/ pintar algum deles. Você abre a porta e deixa a luz tímida te tocar, você para no espelho e encara aquela pessoa que está ali, bem na sua frente e não consegue entender o que aconteceu. Você fica pelado e tentar aumentar sua autoestima com as partes do seu corpo que você mais gosta, mas acaba percebendo que você tem muita gordura espalhada pelo seu tórax, muitas marcas no seu corpo, como se alguém o tivesse arranhado e além de tudo, tem o rosto meio amassado. Você solta um sorriso e até coloca uma música alegre pra dançar enquanto toma banho, mas o iTunes sempre liga com o mesmo humor que você e acaba tocando Bon Iver duas vezes, seguido de um CD inteiro de Bright Eyes, lá do box você bate no vidro com raiva por ter esquecido de clicar no aleatório, mas acaba gostando de dançar pelado com a tristeza, porque ela é fria e a água, quente.
Você termina com ela e pega uma toalha, enrola pelo seu corpo e checa no Facebook se alguém respondeu às suas queixas na Inbox, ninguém respondeu, estão todos dormindo ou já a caminho do trabalho. Você desliga o note, se seca, coloca uma roupa - sentindo saudades do tempo que era divertido se arrumar para si mesmo e para os outros - e se conecta a um fio cumprido com duas ramificações, que acoplados a um retangulozinho carinho, te fornecem música. Você se encanta com as letras e ritmos e até abraça a vontade de ter um novo amor para poder regar com aqueles sons, para recitar aquelas letras e fica feliz por uns instantes. Você coloca a blusa de frio e acaba, sem querer, desconectando o fiozinho do quadradinho e fica um tempo olhando para o chão... Outro amor? Que loucura... Como eu vou encontrar um novo amor se ainda estou preso e preocupado com o que acabou faz tão pouco tempo? Como esquecer dos lugares e das comidas? Ou das brigas e do sexo? Não sei. Você não sabe. Você acopla os dois objetos e volta para a sua playlist, que agora canta canções diferentes, que você não entende; elas são felizes e esperançosas. Step a little closer each day that I can say what's going on. E passo a passo, você, eu, andamos em direções diferentes, conhecemos pessoas novas, quebramos nossas caras e até mesmo damos risada. Eu procurando o complemento perfeito e você achando que o doar sempre é demais.
Tomo meu café, encho minha garrafinha d'água e tento encarar o mundo, antes de abrir a porta. Você pega na maçaneta e a gira. Um giro de 180º, talvez, não sei. O ar frio invade o calor da minha casa - que já nem é mais tão quente assim - e acaba se fundindo comigo. Eu sigo em frente, sendo puxado pelo passado. Seguimos em frente, com os cadarços todos abraçados. Eu piso para fora e sigo em frente, sem saber onde pisar, com medo de tropeçar.