Para que qualquer interação entre Jaesun e Jiho não acabasse em um completo desastre era necessário um componente essencial: o álcool. E, mesmo assim, os diálogos não iam muito longe sem uma discussão ou uma pequena dose de xingamentos, algo que, àquela altura, era praticamente uma tradição na relação dos dois. Estavam sentados um ao lado do outro no balcão de um bar aleatório da cidade, dividindo, sabe-se lá como ou por que, uma garrafa de soju. A cada gole, arranjavam um motivo estúpido para discutir, como, por exemplo, o questionável gosto para escolha de roupas que o outro tinha e vice versa. O relacionamento de Jiho e Jaesun se resumia a isso: dois idiotas orgulhosos demais para admitir que estavam errados e precisavam pedir desculpas e, de certa forma, tanto um como o outro havia se acostumado com aquele jeito de ser, mesmo que, por algum milagre do destino, viessem a se compreender, pouca coisa mudaria em seu jeito de lidar um com o outro. Afinal, é como diz aquele velho ditado: velhos hábitos nunca morrem. Contudo, por mais que jamais fossem admitir, os rapazes tinham algumas coisas em comum, dentre elas, no momento, vale a pena citar apenas o hábito de tomar péssimas decisões quando sob o efeito de álcool. Em outras palavras; ambos são bêbados imbecis, principalmente Jiho. O rapaz, com sua incorrigível mania de argumentar por tudo pelo simples prazer de ter razão, era o que mais insistia em prolongar as discussões com argumentos inúteis e, logicamente, xingamentos sem pé nem cabeça. Não sabia há quanto tempo estava falando, porém, sabia que já falava há tempo suficiente para encher o saco de Jaesun, de forma que realmente esperava ser interrompido, mas não daquela forma. Esperava um esporro, um insulto, sarcasmo, escárnio, um punhado de palavras ácidas, até mesmo um soco, mas não um beijo. Essa era uma das coisas que o irritava em Jaesun, a capacidade dele de abstração era tão grande que, às vezes, chegava a ser imprevisível. O Baek nunca sabia quando o estava irritando de verdade, até que ponto sua raiva ia ou quando estava sendo simplesmente ignorado e, pior ainda, não fazia ideia de como ele iria reagir. Não que isso realmente importasse, Jiho não tinha medo nem receio de receber qualquer um dos comportamentos de Jaesun, no entanto, ser pego desprevenido daquela forma era basicamente uma afronta para o mais novo. O beijo foi áspero, brusco, quase agressivo, mas não havia chegado nem perto da categoria ruim. Quando a pressão sobre seus lábios se foi, Jiho se pegou encarando Jaesun com uma expressão que se modificou bruscamente de perplexidade para irritação. -- Você... -- Ele começou, com a fala trôpega, sem deixar de encarar o mais velho. -- É isso o que você chama de beijo-de-cala-a-boca, sua fuinha tatuada? Volta aqui que eu te mostro como se faz.