Com o passar do tempo Juliet acabou se acostumando com a ausência de Troye. Hoje, ele parecia ser apenas o fantasma da incrível sensação que um dia existira, vagando entre os ambientes sem nunca estar de fato presente. Tinha dificuldade para seguir em frente, já que, por mais que tentasse fugir, o carinho que nutria permanecia guardado em seu peito com afinco, afinal de contas, não terminara o namoro por falta de amor, e sim por precisar estar sozinha para se tornar quem realmente era - ou não era. Ao longo dos meses, Juliet mudou seus livros, hobbies, cabelo e até mesmo as roupas. Tentava descobrir novos gostos e construir uma nova personalidade que não fosse tão influenciada por seus pais. Devia admitir que era desconfortável olhar no espelho e não se reconhecer, mas imaginava que aquele fosse um processo temporário. “I’m sorry, I can’t.” Reclamou, bufando e revirando olhos enquanto meneava a cabeça em sinal de negação. A vendedora da loja lhe encarava séria, com a cabeça pendida para a lateral, como quem tenta compreender porque um cliente a chorar por um par de sapatos. “Maybe next month.” Seu olhar agora estava direcionado ao par de All Star pretos com cano alto, e seu semblante era um misto de desgosto e nojo. Sequer havia calçado os tênis; Era impossível. Enquanto caminhava loja afora, Juliet fitava seus próprios pés, agarrados por um par de saltos também pretos. Não lembrava quando fora a última vez que possuíra uma calça jeans; Provavelmente durante a infância, o que a levara a pensar que jeans e um sapato surrado seriam mudanças muito bruscas para serem executadas ao mesmo tempo. A longa avenida era preenchida por diversas lojas de marca e, na esquina seu restaurante favorito. Juliet esboçou o início de um sorriso, ao passo que andava, também pensava nas cinco estrelas Michelin do local. “Hello, Ms Rothwell.” O metri já lhe acenava com um sorriso, diante da porta. Enquanto ele esbanjava simpatia, Juliet desfez o ar alegre e montou uma carranca, com o sobrenome martelando em seu cérebro e lembrando qual era a sua verdadeira meta. Acenou para o funcionário e, triste, passou direto, adentrando o pub vizinho sem antes analisa-lo. Pela primeira vez não parecia deslocada no ambiente sombrio e mal cuidado. Por coincidência, a voz de Mike ecoava pelo ambiente com o mais recente single do The Roots. O bartender preparava os drinks pedidos enquanto balançava a cabeça de acordo com a batida. Ela pediu seu drink habitual e começou a cantar a letra que já sabia de cor. “You’re too hot to be a groupie.” Foi tudo que escutou do desconhecido que agora já sentava ao seu lado. Ele era baixo, ruivo e com um hálito de quem já estava ali há, pelo menos, cinco horas. “I’m not a groupie.” Respondeu, séria. “Really? Cause I’m in a band too you know...” Com os olhos baixos e o corpo pesado, ele se arrastou devagar para perto dela, e começou a tocar seu braço sem pudor. “...We could make a better use of you.” Falou, por fim, próximo ao seu ouvido. “Yeah, I’m sure of that.” Tentou fingir simpatia para escapar da situação predatória. “But I’m fine, thanks.” Afastou a cabeça, mas ao tentar tirar o braço, ele foi agarrado com força. “Hm Sir, could you let me go, please?”
@petri-devine













