Thomas lançou um último olhar para a extensão do cômodo e preencheu os pulmões com uma respiração farta e merecida. A aparência superficial do apartamento era quase a mesma de uma hora atrás, quando permitiu a si mesmo entrar com os braços seguramente entulhados de coisas que em condições normais um adulto de vinte e um anos não procuraria na loja de conveniência mais próxima; um pacote pequeno de balões tão atrativos quanto o preço permitia, um carretel de fio vermelho ainda fechado, um envelope com um logo simples contendo as impressões das fotos que havia buscado antes, uma caixa quadrada e branca que carregava dois muffins de mirtilo, um suporte de take-out com um dois cafés e um tubo de glitter dourado em spray. O conjunto total havia feito com que a garota do caixa lhe lançasse um olhar de canto e um sorriso cúmplice, prometendo em uma voz contida que o glitter “definitivamente não causaria uma reação alérgica na pele”. Thomas havia corado furiosamente e praguejado sob a respiração durante todo o caminho até o apartamento, e o nervosismo que sentia agora que tinha as fotos dispostas de modo estratégico, o corpo coberto dos cabelos aos pés com glitter e o fio vermelho o ligando ao trinco da porta não ajudava muito. A música vinda do celular posicionado no criado-mudo ecoava baixinho, quase como um murmúrio. Forçou-se a soltar o lábio inferior do confinamento dos dentes ao sentar na cama e limitar-se ao próprio destino de esperar, lançando um olhar contrariado para as próprias coxas, afundadas em uma camada fina de dourado.