@consiglierelorenzo
- Muy bien, mi hijo! - elogiou, com um sorriso largo desenhando-se nos lábios cheios, uma Elissa que pela primeira vez sequer precisara intervir na escovação dos dentes de Owen. O garotinho, de pouco mais de três anos, aos poucos conquistava independência sobre o próprio corpo, assim, pequenos elogios as suas pequenas grandes realizações faziam parte da rotina de mãe e filho. O sorriso largo da criança, mostrando os dentinhos, aquecia o coração de Thorne, e eram justamente momentos simples como aquele que faziam valer a pena o trabalho árduo que a maternidade exigia. Mães nunca tinham folga como ela bem experimentava naquele dia em que não precisaria comparecer ao St. Mungus. - Pode ir cumprimentar seu tio, mi vida. - completou o acompanhando para fora do banheiro, de onde Owen saiu em disparada, para usufruir da companhia de Lorenzo ou tio Renzo como ele mesmo dizia. Seu primo, assim como seu avô e os tios paternos de Owen, eram as referências masculinas na vida da criança. Por mais que assumisse toda a responsabilidade pela criação, não era o suficiente para em Owen apagar a ausência de um pai. Aos três anos, frequentando a pré-escola, havia se tornado comum que ele questionasse o porquê ao contrário da maioria das outras crianças não possuía um pai presente. Era por conta dos constantes questionamentos que, para suprir anseios e ajustar-se a compreensão infantil, precisara agir de uma maneira que muito pouco apreciava: mentindo. A mentira em questão era a mais inocente possível; dizia que Theodore havia se tornado um pontinho luminoso no céu e que de lá cuidava do filho. Mierda, pensava toda vez ciente que muito provavelmente não receberia qualquer ajuda eficiente do falecido. Além da falácia contada mantinha uma única foto do Fraser acariciando sua barriga a cabeceira da cama de Owen - e odiava tal foto pois à época Theodore praticamente a enlouquecia com tentativas de controle. Entretanto, apesar de toda sua experiência traumática com o ex-namorado, entendia que não poderia deixar que sua experiência refletisse na de Owen com a memória do pai - que o universo fora bondoso em permitir que não conhecesse. Ainda que vez ou outra se perguntasse como seria a vida de ambos se Theodore não tivesse morrido em circunstâncias inexplicáveis, para dizer o mínimo, estava grata por não precisar se preocupar com o inferno no qual ele transformaria sua vida. - Guapo, olá, espero que não tenha trazido mais um dos seus presentes caros! Tudo bem que não ganho mal, mas não tenho qualquer condição de me equiparar ao seu poder aquisitivo para agradar! - o comentário apesar de assertivo não carregava qualquer crítica real ao primo e muito menos aos meios pelo qual Lorenzo formara a própria fortuna. Por opção sua, e sobretudo pela discrição do mais velho, preferia saber pouco sobre o que ele fazia para ganhar a vida, especialmente quando possuía a constante impressão de que em nada gostaria dos detalhes. - Se estragar o garoto o tornando um grande mimado eu juro que só deixo a Itália depois de fazer picadinho de você. - brincou assim que posicionou-se a frente do mais velho. O sorriso voltou a desenhar-se em seus lábios e expressava seu contentamento sempre que encontrava-se diante de seus parentes paternos. - Déjame saludarte como es debido. - expressou uma vez que apenas abrira a porta para que ele entrasse antes que voltasse ao banheiro para acompanhar Owen. Com fluidez a ex-corvina colocou-se nas pontas dos pés para beijá-lo tenramente nas duas bochecha, único lugar que sua baixa estatura permitia que alcançasse sem maiores dificuldades. Ao afastar-se procurou por Owen que já estava entretido com seus brinquedos e, entre os dados por Lorenzo, encontravam-se os de madeiras feitos por Malcolm, outro que precisaria fazer picadinho se mimasse demais a criança. - Ainda é cedo, mas, como de costume você já me parece um pouquinho agotado. - comentou, o mais despretensiosamente possível, ao dar a volta no balcão americano que separava sala e cozinha e onde o café da manhã seguia posto. - Servido? - ofereceu, educadamente, enquanto com um acenar de varinha colocava a louça já usada na pia. Em seus dias em casa a magia quebrava todos os galhos possíveis, caso contrário as folgas seriam tão estressantes quanto seu ritmo de trabalho. Embora o St. Mungus estivesse menos caótico pelas últimas semanas o clima no mundo bruxo seguia tenso, como se o perigo estivesse constantemente a espreita. - Por cierto, sem delonga, você está bem, guapo? Há algo consumindo seus neurônios renascentistas? - um sorriso breve, afetuoso, formou-se em seus lábios assim que sentou-se de frente para o primo. Embora não tivessem crescido próximos, por conta da distância geográfica, a conexão que formaram durante os últimos anos a fazia acreditar que conseguia ler alguns dos sinais que transpareciam nas feições bonitas e taciturnas de Lorenzo. - Saudade de casa? Não me leve a mal, é bom tê-lo, apesar dos seus ocasionais exageros de segurança,… - enquanto se pronunciava o encarava com uma das sobrancelhas arqueadas, o que, junto a entonação em sua voz, deixava claro que detestava a segurança por mais que soubesse que ao menos para Owen era válida. - … por perto. Mas, bien, você nunca fica por muito tempo. Nem Ravi. Há algo que desconheço acontecendo? Pode e quer falar a respeito? - e caso ele não pudesse falar a respeito saberia que eram raras as chances de ser algo dentro da legalidade, o que instigaria sua preocupação com o mais velho mesmo ciente que ele sabia melhor que ninguém como se cuidar.











