❛❛ —- Tolo foi aquele que deu uma carruagem pesada dessas na mão de quem não estava confiante o suficiente. ❜❜ jogou na lata, tirando conclusões muitíssimo precipitadas para alguém que havia escutado pouquíssimo da situação. E, para piorar, ele próprio andou até onde seu corpo havia amassado a lataria do carro, pressionando o lugar com o indicador e o médio para medir o estrago. Torceu o nariz. Carruagens já haviam sido melhor revestidas antes. Ergueu uma sobrancelha com o comentário da mais baixa, confuso com o quê sua grandeza tinha de relevância na situação... Mas ah, claro. Ela devia ter percebido sua grandiosidade e estava intimidada, ou pedindo por auxílio. Suspirou com o fardo que carregava com a sua aura vampírica. Pobres humaninhos! Não poderia culpá-los, apesar de detestá-los. Inclinou-se como a garota havia pedido para que o fizera, e franziu o cenho enquanto ela tateava por sua cabeça. Que insolente. E falando de hospitais, ainda! Estaria ela o subestimando, ou apenas querendo tomar cuidado com sua integridade? Bem, humanos realmente não conseguiam compreender direito seus poderes, era um fato. Talvez a pudesse dar uma colher de chá e mostrar a ela que não precisava temer por sua vida. Que homem bom! ❛❛ —- Humana, não precisa temer por sua vida patética. Decidi que irei poupá-la, estou de bom humor. ❜❜ ergueu a coluna por completo e fez um gesto com uma mão de “tanto faz”. ❛❛ —- O que é necessário para consertar os danos da carruagem? Se conhecer um ferreiro experiente, eu posso pagar. ❜❜ não era como se dinheiro fosse um problema para ele, afinal. Que bela boa ação estaria fazendo!
“Foi o que eu disse! Bom, não exatamente. Não é como se desse pra xingar seu chefe de idiota. Mas sinceramente, ele devia ter imaginado” Os dizeres eram muito mais para si mesma que para o estranho que havia atropelado, até porque ela ainda achava que ele estava um tanto fora de si e dificilmente compreenderia o que ela dizia. O que ficou ainda mais claro (ao seu ver errôneo) quando foi chamada de humana. Hm… não eram todos? Espera aí — vida patética? “Ok, eu vou relevar que você acabou de tomar uma porrada na cabeça e fingir que você não me chamou de humana patética.” Poupa-la, ele disse. Que homem louco! E então ele falou sobre conserto e pagamento; tudo bem, talvez na mente confusa, aquilo se referia a um mecânico. Mas parecia errado fazer a vítima do acidente pagar, mesmo que ele tivesse atravessado com o sinal fechado. “A única coisa que eu preciso é que me deixe te levar ao hospital. Sério, você tá muito esquisito, precisa de uma tomografia. Eu até consigo trabalhar o suficiente para reparar o carro, sei lá, uns seis meses. Mas se você resolver ter um piripaque depois eu não posso bancar um processo não. Olha, vai ser rápido!” Garantiu, pegando a mão do homem e o puxando (com muita dificuldade — caralho, que rapaz forte!) até o lado do passageiro de sua carruagem. “Por favor moço, imagina se você morre e a culpa é minha? Eu não ia me perdoar não. Vamos, vai, assim eu fico muito menos tensa e você fica seguro! É logo ali, depois daquela esquina. A gente chega rapidinho”
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