Assim que conseguiu escapar da multidão das arquibancadas, Ursula foi ao encontro das amigas que se preparavam para a apresentação do intervalo. Não fazia parte das cheers -- por escolha própria, é necessário salientar --, mas conhecia bem a maioria. A uma delas, pediu emprestado um pom-pom sobressalente e uma garrafa cheia d´água, repousando então os olhos na direção do aglomerado masculino de pé em frente ao banco dos reservas. O treinador parecia dar-lhes alguns toques, imaginou que parabenizava-os também, e quando o conjunto se dissipou, Wheeler procurou reconhecer por entre os uniformes corpulentos a figura do namorado. Ela e metade das atletas a sua volta, é claro. Assim que notou as risadinhas que dirigiam a @calzb, não pôde evitar a necessidade de rolar os olhos nas órbitas em completo desagrado. Será que não sabiam que ele a pertencia? Bom, sempre estava disposta a relembrá-las, de qualquer forma. Com passos decididos, caminhou até quarterback e o envolveu com os braços pelo pescoço, inclinando-se para beijá-lo sem dizer absolutamente nada. Nos primeiros segundos os olhos permaneceram bem abertos, voltados para as meninas há poucos metros do casal -- era nítida a ameaça estampada na expressão; o deleite e a soberba por possuir algo, à ocasião, extremamente desejado --, só então permitindo-se aproveitar o contato de fato, casto como ela própria supostamente era. Contudo, a consciência de todo o suor que o corpo masculino emanava a atingiu rapidamente, fazendo a princesa se desvencilhar. Ligeiramente enojada, escondeu a sensação por trás de um sorriso animado. “Ótimo jogo, Jay-Jay.” Disse provocativa, remexendo o pom-pom delicadamente entre ambos, pouco abaixo do rosto. Depois, levou a mão livre até a bochecha do rapaz. “Mas se você realmente gosta do seu amiguinho...” Nesse momento a vista desviou dos olhos heterocromáticos para baixo, na direção do volume devidamente protegido pelo uniforme, e se demorou lá brevemente. “E eu sei que gosta bastante, sugiro que não fique dando mole pra as garotas da torcida. Não hoje. Não na frente de tanta gente.” O polegar fez um carinho na maçã do rosto. “Hoje você é meu.” E tendo sussurrado isso, Ursula sorriu largo antes de, na mais natural das expressões, erguer a garrafa que trazia na destra. “Água?”









